terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sobre Inteligência Suave

O texto a seguir tem a ver um pouco com o nosso conceito de "mais ou menos" e sou de opinião que, junto com a visão dos qubits, que possuem cinco estados possíveis e não apenas dois como os bits, isso pode trazer inúmeros benefícios.  É a questão da flexibilidade bem utilizada, que pode liberar a humanidade e suas Ciências da ditadura do "sim" ou "não" e aproximá-la, quem sabe, do conceito das Artes.

Inteligência suave pode ser a saída para as decisões mais difíceis
O progresso da ciência e da tecnologia tem exigido das pessoas uma precisão lógica cada vez maior.
Mas o mundo real não é binário, e problemas que podem ser resolvidos com um "sim" ou um "não" definitivo, tão ao gosto dos programas de computador, são muito raros.

Ao contrário, as pessoas, tanto no dia a dia quanto no exercício profissional, são frequentemente confrontadas com grandes quantidades de informação, devendo tomar decisões que só muito raramente situam-se no "0" ou no "1" dessas variáveis - na maior parte das vezes, a decisão se coloca em algum ponto nas infinitas posições encontradas entre esses extremos.

Agora, Mihaela Quirk e seus colegas do Laboratório Nacional Los Alamos, nos Estados Unidos, acreditam ter encontrado o que ela chama de "métrica suave" para permitir a solução de problemas que não têm respostas "sim" ou "não".

Segundo os pesquisadores, a abordagem pode permitir a solução de problemas em áreas tão diferentes quanto a saúde, defesa, economia, engenharia, serviços públicos e na própria ciência, lidando com vastas quantidades de dados, sejam elas estatísticas epidemiológicas sobre a incidência da doença ou dados sobre as tolerâncias à falha em uma frota de aviões de passageiros.

Mas como reconciliar a necessidade de rigor lógico com a profusão de dados aparentemente caóticos?
A resposta pode estar no campo emergente das métricas suaves (soft metrics) no qual "tonalidades de cinza" e julgamentos que adotam decisões do tipo "o menor de dois males", podem ser aplicados para dar uma resposta justificável que não seja necessariamente sim ou não.

"O processo moderno de tomada de decisão desafia a capacidade humana de raciocinar em um ambiente de incerteza, imprecisão e incompletude de informações," explica Quirk.  Além disso, as informações e a atenção são, em certo sentido, inversamente proporcionais - quanto mais informações, menor atenção pode ser dada a cada byte de informação.

A pesquisadora explica que as métricas suaves são atributos de critérios de decisão que não podem ser expressos numericamente, mas mesmo assim podem ser o núcleo de um mecanismo computacional baseado em percepção, podendo funcionar com linguagem natural, em vez da tradicional "trituração de números" dos programas de computador.

Desta forma, a abordagem das métricas suaves pode representar uma nova abordagem para a análise de dados, avaliação de riscos, resolução de conflitos e elaboração de estratégias que contornam a necessidade lógica de respostas sim-não.

Um número crescente de programas de computador está sendo desenvolvido para ajudar os médicos a tomarem decisões e darem diagnósticos.  Por enquanto, a maior aplicação desses programas é na análise de imagens médicas, onde um gigantesco banco de dados de imagens antigas analisado por computador pode oferecer muito mais opções de diagnóstico do que a memória de um médico.

A abordagem da métrica suave pega informações não-numéricas e opiniões de especialistas e cria um conjunto de regras de inferência do tipo "Se (...) então (...)", o que pode ser programado em um computador.  As métricas suaves, ao permitirem a valoração de opiniões anteriores de especialistas, podem levar essa abordagem dos "médicos informatizados" um passo à frente.

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