quinta-feira, 10 de março de 2011

Quinta Dobrada (01): Qual é o seu sonho? & Borboleta artificial

Queridos leitores, eu me rendo!

Não tem como eu dar conta de tantas informações fantásticas, inovadoras e positivas no ritmo atual.  Estou repensando em como dar continuidade às postagens desse blog de modo que possamos contemplar o máximo possível de imputs úteis com o objetivo de fomentar (ao menos entre os meus designers em formação do UniFOA) a geração de inovações e de transformar positivamente a sociedade brasileira.

Para tentar aliviar um pouco a pressão nas caldeiras, inicio hoje uma nova aventura.  Trata-se, como diz o título, da "Quinta Dobrada", ou seja, vou publicar uma notícia sobre inovação tecnológica, que já fazia parte da programação deste dia, e mais uma sobre algum assunto criativo que nos faça pensar, refletir, aprontar a maior traquinagem do planeta!

Para abrir os trabalhos, vamos falar sobre sonhar e empreender no Brasil e de uma borboleta artificial criada por cientistas japoneses.  Ao ataque!!!


Qual é o seu sonho?
Pergunte isso a si mesmo e a quem está a sua volta –e você contribuirá para liberar o empreendedorismo à brasileira. Na opinião de Fernando Dolabela, um dos maiores especialistas da área no País, somos empreendedores desde o Brasil Colônia e nos sobra a criatividade tão necessária, mas nosso empreender é reprimido. Precisamos estimular nossos mapas de sonhos.


O Brasil é o sexto país mais empreendedor do mundo, segundo o ranking 2009 do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), e, pela primeira vez, o empreendedorismo por oportunidade superou o feito por necessidade, o que mostra uma pró-atividade de empreender. 

Então, empreendedorismo pode ser visto como uma característica da gestão brasileira?
Sim e não. Existem a capacidade de sonhar, e um grande potencial de criatividade reconhecido na população em geral, mas não há um estímulo cultural a isso. Fernando Dolabela, professor da Fundação Dom Cabral, que rejeita modelos importados de empreendedorismo, busca implantar um empreendedorismo à brasileira justamente com um esforço de construção cultural. Para Dolabela, o movimento precisa entrar obrigatoriamente na pauta dos brasileiros, para reverter uma cultura nacional que, muitas vezes, rejeita e sabota os sonhos –e, por tabela, o empreendedorismo.

Sem empreendedorismo, vale dizer, reduzem-se as chances de o País inovar. “Apesar de produzirmos 10 mil doutores e 40 mil mestres por ano, eles pouco transformam conhecimento em riqueza. Só o empreendedorismo pode virar esse jogo “, diz, o especialista, nesta entrevista especialmente preparada para o portal Brasil – Presença na Gestão que Dá Certo.

Quão empreendedores somos no Brasil? Por que não conseguimos ter uma instituição tão pró-empreendedores como o Babson College norte-americano?
Somos sonhadores, o que é fundamental, mas ainda nos falta cultura empreendedora que estimule sonhos. Quando comecei a estudar empreendedorismo, em 1992, a palavra era quase um “palavrão” e, em certos órgãos públicos, até hoje é. Numa palestra que fiz em um deles, a diretora me alertou: “Não use a palavra ‘empreendedor’”. Esta subverteria os funcionários, que sairiam de lá “pensando em fazer coisas por conta própria”. E a rejeição vem de várias fontes.

A universidade continua a ser uma fonte de rejeição importante. A excelência de ensino superior no Brasil, que é a universidade pública –ideologicamente de esquerda–, renega o mercado e, portanto, o empreendedorismo. Muitos jovens querem, como meta máxima, ser servidores públicos.


Mas há empreendedorismo onde a esquerda é forte, como a Itália…
Lógico, só a velha esquerda rejeita tudo vindo do mercado; tornou-se a velha direita. A nova esquerda aprendeu com o fracasso da Rússia, entendeu que inibir sonhos significa inibir o futuro. Essa nova esquerda sabe que governos só geram custos e que a riqueza é gerada pelas empresas. A região da Emilia-Romagna, na Itália, durante cinco décadas ou mais governada pelos comunistas, é um dos exemplos mundiais mais vibrantes de empreendedorismo.

Agora, diga-se, a rejeição começa bem antes da universidade; na escola e em casa. Quando chega à universidade, o jovem está culturalmente pronto, já assimilou as características –negativas e positivas– de sua cultura. Aqui, assimilou a rejeição ao risco e à incerteza, a ausência de vontade de ser protagonista.


Você está dizendo que nossa cultura sabota o empreendedorismo…
Sim. Quando os estudos indicam que empreendedorismo é um tema cultural, isso significa que é vinculado a valores e não um tema cognitivo, acadêmico-científico. Empreendedorismo é forma de ver o mundo, estrutura de relações com as pessoas. O Brasil como instituição inibe o grande potencial de criatividade da população, impedindo-a de empreender.   A capacidade de sonhar e de transformar o sonho em realidade é aplacada pela autocracia secular que tira a autoestima das pessoas.


Como explicar “sonho” neste contexto?
A aventura do empreendedor é conceber o futuro e transformá-lo em realidade, o que é sinônimo de sonho. E, assim, transformá-lo em riqueza. Descobri, empiricamente, que a pergunta “Qual é seu sonho?”, quase não é feita aqui. Em regra, nem pela mãe, nem pelo pai – preocupados com a segurança do filho, eles dizem “Passe no concurso”-, nem pelo professor, líder político, chefe… Por ninguém! Sonhar é perigoso. Qualquer um que abrir o campo para o sonho está abrindo a perspectiva de ausência de controle, porque sonhos não são controláveis. Por isso não adianta importar modelo de empreendedorismo. Falta-nos a base.


Isso é reversível?
O único jeito de revertê-lo é fazer com que as crianças se permitam sonhar, antes de a cultura se cristalizar nelas. Essa é a proposta da minha pedagogia empreendedora, que levo há cerca de oito anos às escolas. Só que há mais uma má notícia, pelo menos para o público do portal HSM: a escola particular está mais atrasada nesse processo que a pública, desconectada de uma visão de desenvolvimento sustentável.

Eu supunha que acolheria a educação empreendedora, mas, no dia a dia, vi o contrário. Já implementei minha pedagogia empreendedora em 2 mil escolas e apenas três destas eram particulares. A escola particular não consegue conferir qualquer prioridade ao empreendedorismo; na pública, pelo menos, empreendedorismo é questão de sobrevivência.


Você implantou o método em 2 mil escolas… Quantas faltam, por curiosidade?
São escolas de 126 cidades –cada escola é um multiplicador disso na cidade. Considerando que o Brasil tem 5.650 cidades, faltam “apenas” 5.524 [risos].


Explique como é sua metodologia.
Nela, a emoção, afastada do trabalho pelo modelo industrialista, reassume sua importância. O potencial empreendedor, presente em todo ser humano, é disparado pela emoção. Sem ela, não há forma de desenvolver o protagonismo, a criatividade e a perseverança, os três elementos cruciais ao empreendedorismo; a razão vem em seguida, para estruturar o caminho apontado pela emoção. Por esse motivo, os meus livros didáticos são histórias, romances: é a melhor forma de descrever o estilo de vida empreendedor.


Preparo professores para iniciar sua relação com os alunos por meio de duas perguntas:

1) “Qual é seu sonho?”; 2) “O que você fará para transformá-lo em realidade?”.

Essas duas perguntas são o eixo da metodologia. Não são feitas no ensino convencional, que entrega tudo pronto ao aluno –um contrassenso, porque empreendedorismo trata de futuro, para o qual ainda não há respostas.

A partir daí os alunos começam a agir (empreendedorismo é pura ação) e trabalham mapas de sonhos, planos de negócios etc. Mas tudo isso requer mudança dos professores, a começar pelo fato de que sonho e empreendimento não podem ser avaliados de fora, mas somente pelo próprio autor.


E como você ensina empreendedorismo em suas oficinas para jovens?
Falo em sonho também, mas trabalho os elementos de suporte, que são basicamente quatro:

1) Conceito de si. Todo empreendedor necessita muito de autoconhecimento para ter consciência do que sabe e, principalmente, do que não sabe. Assim, consegue construir complementaridades e buscar colaboradores.

2) Conhecimento do setor visado. Esse é o elemento central. Somente entendendo bem o ambiente de negócios ele poderá identificar oportunidades (clientes, concorrentes, ciclo de vida, legislação, tendências etc.), e sua ausência é causa constante de falências.

3) Rede de relações. É preciso aprender a construir uma rede de pessoas que ajude a conhecer o ambiente e a concretizar o sonho.

4) Capacidade de liderança. O desenvolvimento desta é fundamental tanto para convencer um investidor a apostar no sonho como para transmiti-lo e seduzir pessoas a acompanhá-lo.


Além de tachado de direitista, você não pode ser acusado de messiânico?
Sonho parece coisa de messias, sim, mas tenho a meu favor o fato de que a relação entre empreendedorismo e desenvolvimento é a maior verdade prática que existe, ainda que comprovada recentemente. Foi só na década de 1970 que os economistas norte-americanos se deram conta de que as pequenas empresas geravam mais empregos que as grandes; ficaram perplexos.

O empreendedorismo era um não assunto na academia. O [Joseph] Schumpeter, que só agora é reconhecido para valer, foi o primeiro a pôr o empreendedorismo sob os holofotes, quando afirmou que a inovação é a grande propulsora da economia. De lá para cá, diversos estudos comprovaram a relação entre empreendedorismo, desenvolvimento e qualidade de vida.


Essa cultura antiempreendedorismo é histórica no Brasil? Ou tem data recente?
Autores dos extremos ideológicos, de Caio Prado, com sua linha aristotélico-marxista, a Oliveira Viana, visto como sendo de direita, sempre afirmaram que o Brasil foi gerado na época colonial pela combinação de senhor e escravo, com economia baseada na exportação –o Brasil servo de outros mercados– e, portanto, sem empreendedorismo. Mas isso começa a ser revisto desde que foi lançado, no final de 2009, o livro História do Brasil com Empreendedores. Jorge Caldeira diz: “Havia um protoempreendedor no Brasil colonial, daí nosso PIB maior que o português”.


Se a releitura chegar à escola… o que Schumpeter diz do empreendedor?
Quando alguém inova, muda o mercado e as empresas se adaptam, subindo ao novo patamar da inovação. Só que muitas delas saem do jogo aí e ele chama a isso “destruição criativa”. Schumpeter diz que o novo sempre substitui o velho –o empreendedorismo é o novo.



Você acha que o período de regime militar piorou a situação?
Uma das principais ferramentas do empreendedor é a informação (ele tem de saber sobre mercados, concorrentes, fontes de matéria-prima, tendências, fontes de capital, projetos governamentais etc.) e ele a tem na democracia, não em ditaduras. Crescimento econômico acontece também em ditaduras, mas, se olharmos o mundo hoje, veremos que crescimento com qualidade de vida está visceralmente associado à democracia e à liberdade de empreender. O empreendedor real nunca é o estado, mas a sociedade civil, única que tem as condições necessárias: dinheiro, competência de gestão, capacidade de inovação.


Mas a tão empreendedora China é ditadura… É um paradoxo?
A China não é um modelo sustentável no longo prazo. Para continuar crescendo, ela vai ter de aumentar a educação e, ao fazê-lo, vai ter reivindicações de liberdade e justiça social. A China leva ao pé da letra o que o Ocidente sempre fez: transformar as pessoas em mais um fator de produção. O empreendedorismo vai frontalmente contra isso. Na própria Ásia não faltam exemplos: Singapura, Coreia do sul e Japão, que têm os pilares da democracia e elevado empreendedorismo, exibem altíssima qualidade de vida.


Então, por que o GEM já apontou o Japão na lanterninha da atividade empreendedora, e o Brasil está lá na frente, ao lado de Uganda e Bolívia?
Há muitas sutilezas nas métricas, por isso devem ser vistas com espírito crítico. Há estudos que indicam que, quanto maior foi o crescimento econômico de uma cidade, menor foi a taxa de empreendedorismo, por exemplo. A explicação é que as grandes empresas, que estão crescendo, oferecem um emprego razoável melhor do que a atividade do pequeno empreendedor. Isso é o que acontece no Japão.


Só que, quando o emprego é uma ideia cada vez mais abstrata, não basta…
Fato. O emprego é um conceito mal desenvolvido, cada vez mais percebido como provisório. É mera evolução da escravatura. Até a expressão mercado de trabalho vem de mercado de escravos; o patrão de hoje é o senhor de ontem. A relação de trabalho, na essência, é desequilibrada, porque não é uma relação social; tanto que máquinas substituem homens. O próprio Peter Drucker dizia, referindo-se a empregados de alto nível, que eles tendem a não se deixar subornar por ofertas de altos salários, fringe benefits, stock options; vão querer ser donos dos negócios.


Até agora falamos do espírito empreendedor. O que dizer sobre o capital empreendedor no Brasil?
É um problemão. Como diz o economista Mohamed Yunus, o dinheiro é um direito do ser humano do mesmo nível que alimentação, escola e moradia. No Brasil, o capital sempre foi voltado para as grandes empresas e até hoje, de alguma forma, é assim. Os investidores de risco vêm se multiplicando nos últimos oito anos, mas têm menos opções de investimento do que desejam, por falta de bons planos de negócios, e acabam focando as empresas-estrela.


O ambiente é mais propício do que foi…
Sim, um avanço é o trabalho de uma organização como a Endeavor, por exemplo. Mas, por todos os rankings, o Brasil ainda não é propício aos empreendedores. Em inovação, é pior: a associação de pesquisa das empresas inovadoras tem um dado segundo o qual só 0,26% das brasileiras são inovadoras. Até em intraempreendedorismo, que remete a empreender dentro das empresas e se reflete em ação inovadora, somos fracos: conforme o GEM, só 6% dos empregados inovam no Brasil –e é um cálculo otimista.


Suspeito que o intraempreendedor seja ainda mais raro. Estou errada?
Ele existe no discurso. O sistema de poder corporativo, baseado em comando e controle, imunizou-se contra ele, porque quem inova pode “atropelar” o chefe, o que é inconveniente.


Como isso pode mudar nas empresas?
Mudará quando elas forem horizontais e derem aos funcionários liberdade e “espaço de si”, para que se sintam à vontade. O Google é uma que dá esse espaço. A hierarquia é útil em estruturas como uma linha de produção, quando se quer ganhar escala, mas lima a capacidade de inovar.


Alguém já lhe perguntou sobre qual é seu sonho?
Possivelmente não, porque a cultura brasileira amarra as pessoas ao tempo presente, em vez de libertá-las para o futuro, representado pelo sonho. A melhor chance de desenvolvermos um empreendedorismo brasileiro é ensinar a sonhar.  Uma das principais ferramentas do empreendedor é a informação e ele a tem na democracia, não em ditaduras.

Consultor e professor da Fundação Dom Cabral, Fernando Dolabela é considerado um dos maiores especialistas em empreendedorismo no Brasil. Publicou 11 livros sobre o assunto, entre os quais O Segredo de Luisa [Ed.Sextante], de 1999, em forma de ficção, reconhecido como o maior best-seller brasileiro na área, com mais de 100 mil exemplares vendidos.

Dolabela também criou alguns dos maiores programas de educação empreendedora do Brasil, da universidade à educação infantil. Suas metodologias de ensino são consideradas bastante inovadoras por tratarem empreendedorismo sobretudo como uma função do sonho e das emoções –conforme ele explica nesta entrevista- e, no sentido econômico, como instrumento de desenvolvimento sustentável e justiça social.

Sua metodologia Oficina do Empreendedor, por exemplo, já implementada em cerca de 400 instituições de ensino superior, atinge cerca de 4 mil professores e 200 mil alunos por ano.

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Em maio, teremos um Workshop de Biomimética (também conhecido como Biônica), no qual levaremos designers em formação do UniFOA para o Parque Nacional de Itatiaia para estudar como analisar formações naturais e aplicá-las em projetos de Design para gerar inovações.  O texto a seguir mostra como os japoneses estão lidando com o tema e o quanto podemos aprender neste sentido.

Cientistas japoneses criam borboleta artificial capaz de voar
Um grupo de pesquisadores japoneses construiu uma réplica totalmente funcional de uma borboleta rabo-de-andorinha, incluindo a capacidade de voar.  O microavião é classificado na classe dos ornitópteros, veículos que voam imitando o movimento natural das asas de insetos ou pássaros.

Entre os vários tipos de borboletas, as rabo-de-andorinha destacam-se por apresentarem uma área das asas em relação à sua massa corporal muito maior do que a de qualquer outra borboleta. Combinado essa grande área com o movimento das asas dianteiras sobrepostas, o animal consegue voar batendo as asas em uma frequência relativamente baixa e com um curso muito restrito.

Desta forma, as borboletas rabo-de-andorinha têm uma capacidade limitada de controle ativo sobre a força aerodinâmica das suas asas.  Seu movimento corporal é resultado de uma reação passiva ao simples movimento de bater as asas, e não - como em outros tipos de borboletas - de uma reação ativa à aerodinâmica.  Ou, pelo menos, esta é a teoria.

Felizmente essas características facilitam a imitação do movimento do animal por um avião robô, uma vez que o movimento é mais simples e o bater suave das asas consome pouca energia.  E o grupo de pesquisadores japoneses pode comprovar que sua teoria estava certa, ou seja, que o animal consegue voar para a frente usando tão-somente o suave bater de asas, sem nenhum outro movimento ativo do corpo.
Os cientistas construíram seu ornitóptero com as mesmas dimensões de uma borboleta rabo-de-andorinha real, reproduzindo o formato e até mesmo os finos veios que permeiam a membrana de suas asas.

O voo do microavião ainda não seria suficiente para fazê-lo ganhar uma corrida aérea de uma borboleta real, mas o protótipo serviu apenas para demonstrar o conceito e comprovar que a teoria do voo simplificado está correta.  Usando um software de análise de movimento, os pesquisadores foram capazes de monitorar o desempenho aerodinâmico do ornitóptero, demonstrando que o voo pode ser feito com os movimentos simples de bater das asas, sem controle de feedback.

Esse modelo agora poderá ser aplicado em outros sistemas aerodinâmicos de veículos com outras dimensões e que utilizem mecanismos alternativos de bater as asas.

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E então, designers em formação?  Vamos analisar mais a fundo esses dois assuntos de hoje e mandar brasa no nosso workshop, em maio?

quarta-feira, 9 de março de 2011

O Design está aqui! (06): Estudo sobre abelhas feito por crianças é publicado em revista científica

Uma das coisas que eu repito constantemente em conversas com meus pares e demais cidadãos brasileiros diz respeito justamente ao incentivo da produção de artigos científicos por alunos dos Ensinos Fundamental e Médio.  Lembro-me muito bem do estímulo que sentia, junto com meus colegas no então Ginásio, quando tinha uma feira de ciências e nós íamos lá apresentar alguma traquitana que apresentava algum conceito científico para os demais colegas do colégio.

Era uma sensação de ser muito mais do que um adolescente indo prá "masmorra" sofrer seus efeitos deletérios, eu percebia algo que só fui compreender muitos anos depois, na Universidade e no Mestrado: o prazer em produzir conhecimento!

Como a atividade de Design está intrinsecamente relacionada com a pesquisa e para repartir com vocês esse momento, selecionei a notícia abaixo para mostrar o quanto podemos fazer de útil, positivo e fantástico com as crianças e adolescentes.  Se estivermos realmente num período de transição entre a "masmorra" e algo que será o novo local de aprendizado do futuro próximo, este modelo deverá ser replicado para todas as direções.  O resultado será benéfico para todos, excetuando aqueles inúteis que se beneficiam da miséria e da ignorância alheias.

Aliás, é para isso que um certo instituto está sendo criado...


Estudo sobre abelhas feito por crianças é publicado em revista científica
Uma pesquisa sobre abelhas, realizada por um grupo de crianças de uma escola primária em Devon, na Inglaterra, tornou-se a primeira a ser publicada por uma revista científica acadêmica.  Os alunos da Escola Primária Blackawton, que têm entre 8 e 10 anos, descobriram que as abelhas podem ser treinadas para reconhecer cores em busca de alimento.

As crianças tiveram a consultoria do neurocientista Beau Lotto, da Universidade College London, que garantiu que o trabalho foi "inteiramente concebido e escrito" por elas.  O estudo foi publicado na revista especializada Biology Letters, publicada pela Royal Society, uma das associações científicas mais tradicionais do mundo.

Os alunos queriam saber se as abelhas seriam capazes de aprender a usar padrões de cores para encontrar o caminho até as flores mais doces e mais nutritivas.  Eles descreveram a conclusão das experiências no trabalho: "Descobrimos que as abelhas podem usar as combinações de cores para orientar-se no espaço ao decidir qual é a cor da flor para onde irão". "Também descobrimos que ciência é legal e divertida, porque você pode fazer coisas que ninguém fez antes."

A Royal Society disse que faltava compreensão sobre o objeto de estudo das crianças, e que as descobertas eram um "verdadeiro avanço" no campo.  O editor da revista Biology Letters, Brian Charlesworth, disse que o estudo é o primeiro caso do tipo no mundo: "Espero que isso inspire outros grupos a perceber que a ciência não é um clube fechado, mas algo que está disponível para todos."

O projeto nasceu de uma palestra do neurocientista Beau Lotto na escola Blackawton, onde seu filho estuda, sobre o ensino de ciência. A partir daí, Lotto e o diretor Dave Strudwick ajudaram as crianças a desenvolver as experiências.  Segundo o neurocientista, a pesquisa começou com "um dia de abelha", em que os alunos tentavam se comportar como os animais.

"O verdadeiro trabalho científico é cheio de incertezas - e é por isso que é tão excitante - mas acho que é isso o que falta na educação, onde os assuntos são apresentados como uma série de certezas chatas", disse Lotto. 

O trabalho, editado pelo cientista, manteve os textos das crianças sobre o tema. As tabelas, por exemplo, foram pintadas com lápis de cor.  Para ser publicado, o artigo teve que ser comentado por dois pesquisadores especialistas no tema, já que o texto não tinha referências bibliográficas.

Laurence Mahoney, da Universidade de Nova York e Natalie Hempel de Ibarra, da Universidade de Exeter, disseram que as experiências foram "modestas, mas inteligentemente e corretamente organizadas, além de conduzidas de maneira controlada".

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Se algum de vocês que segue este blog é educador, que tal pensar a respeito e levar tal prática para a sua sala de aula?

terça-feira, 8 de março de 2011

O Mundo do Futuro, hoje (39): Vidro metálico de titânio supera ligas tradicionais do metal

No quarto filme para o cinema da série clássica de Star Trek, eles voltam no tempo até o século vinte para resgatar uma espécie de baleia que estava extinta no século 23 e o engenheiro brilhante da Enterprise deu a um cientista terrestre a fórmula do "alumínio transparente".  Agora, fora do mundo da ficção, chega-nos a notícia abaixo sobre vidro metálico de titânio. Será que esse também foi inventado pelo Sr. Scott???


Vidro metálico de titânio supera ligas tradicionais do metal
Cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos, criaram uma nova classe de compósitos estruturais baseados no titânio.  Os novos materiais, classificados como vidros metálicos, são mais leves e mais baratos, além de manterem a tenacidade e a ductilidade - a capacidade para ser deformado sem quebrar - do caro metal original.

No início deste ano, o mesmo grupo descobriu uma nova forma para criar compósitos dos chamados metais líquidos, um novo tipo de material metálico estrutural com características similares às dos plásticos. Então, eles estavam trabalhando principalmente com o zircônio.  "São ligas com tenacidade e resistência sem comparações. Elas estão entre os materiais sintéticos mais resistentes que existem atualmente," conta Douglas Hofmann, que coordena o grupo de pesquisadores.  Mas havia algumas limitações para essas super ligas.

Como elas foram criadas para uso na indústria aeroespacial - entre outras aplicações estruturais - elas precisavam ter densidades muito baixas. Idealmente, as ligas deveriam ter densidades semelhantes à das ligas de titânio cristalino, que se situam entre 4,5 e 5 gramas por centímetro cúbico (g/cc).  As ligas originais, feitas predominantemente de zircônio, ficaram entre 5,6 e 6,4 g/cc, o que as colocava em uma espécie de "terra-de-ninguém das densidades de estruturas aeroespaciais," diz Hofmann.

Para levar as promissoras ligas para áreas mais habitáveis, Hofmann e seus colegas começaram a ajustar os componentes usados na fabricação dos compósitos.  O resultado foi um grupo de ligas metálicas com um elevado percentual de titânio, mas que mantém as propriedades das ligas de zircônio criadas anteriormente, muito mais parecidas com uma cerâmica do que com uma liga de titânio tradicional.

"Apesar de serem baseadas no titânio", observa Hofmann, "essas ligas apresentam as mesmas propriedades impressionantes das ligas de zircônio. Elas ainda são resistentes a trincas e rachaduras - e continuam sendo dúcteis. Na verdade, eles são ainda mais dúcteis do que as ligas que criamos inicialmente."

Os vidros metálicos têm merecido grande atenção da NASA, devido às suas propriedades de leveza e resistência. Eles também já foram usados para resfriar células solares, na fabricação de antenas dobráveis e até para a fabricação de ímãs para motores de veículos elétricos.

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Quando eu vi a cena descrita no início do post, era apenas uma ficção, um faz de conta futurista.  Agora, estou tendo a oportunidade de vivenciar essa maravilha, o que significa, inconteste, que o futuro chegou!

segunda-feira, 7 de março de 2011

Brasil, o País do Presente (65): A Revolução dos Emergentes

Ok, meus queridos leitores, eu sei que é Carnaval.  Mas isso não é motivo para interromper nossa coluna mais querida e olhar apenas para as folias de Momo, certo?  Leiam o texto a seguir e reflitam, passada a ressaca momesca, sobre as importantes informações nele contidas.
A revolução dos emergentes

Em meio a tantas especulações sobre a crise econômica e sua repercussão no Brasil, a VOCÊ S/A foi conversar com o embaixador Marcos de Azambuja, negociador com notável atuação internacional. A partir de sua experiência profissional, ele mostra, nesta entrevista, como pensa o Brasil de hoje, a crise, as novas gerações que estão chegando ao poder.

E foi além, ao falar sobre o papel do Estado momentos antes de Barack Obama salvar a General Motors e os jovens iranianos saírem às ruas pedindo mais liberdade. Marcos de Azambuja sinaliza o futuro com otimismo, sem euforia, levando em conta a história e a capacidade de criação e de renovação das novas gerações.

Homem do mundo, ele atuou como embaixador na Argentina e na França, foi chefe da Delegação do Brasil para Assuntos de Desarmamento e Direitos Humanos e coordenador da Conferência Rio 92. Hoje, é vice-presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e autor de textos e palestras. Especialista em desarmamento e desenvolvimento sustentável, governança corporativa e integração regional, direitos humanos, Antártica e política espacial, ele ainda tem tempo de participar, entre outros, dos conselhos da PSA (Peugeot-Citroën) e da Confederação Nacional do Comércio.

Qual a melhor maneira de encarar a crise – esta e, provavelmente, outras que virão?
A idéia da crise embute dois conceitos: o de gravidade, do contrário não seria uma crise, e o de brevidade, porque toda crise, por definição, é passageira, transitória. Mas não se pode fazer o jogo da crise. Ou seja, as pessoas têm de focar no pós-crise.

Pensar, primeiro, no que fazer quando ela começar a perder força e, depois, estar preparado para quando o mundo se reorganizar. Esta é uma crise grave, tem uma duração que não sei prever, mas depois dela surgirá um mundo novo, com todas as promessas e possibilidades do que é novo. No entanto, no curto prazo, há turbulências, as oportunidades serão vistas a partir do médio prazo.


Que mundo novo é esse?
A crise permite a reorganização da vida internacional. O que estava estratificado passa a ficar em suspensão. Então, para um país como o Brasil, que ambiciona ser re-hierarquizado, ir para um lugar mais alto na pirâmide do poder, a crise se mostrou uma oportunidade.

Por ser emergente, o Brasil tem condições de aproveitar a crise para mudar seu patamar de inserção internacional e sair mais alto do que entrou nessa pirâmide — o que era impensável décadas atrás.


O senhor acha que a chamada Geração Y consegue ter uma visão equilibrada assim?
É da natureza do jovem o sentido de urgência, a vitalidade, a pressa, a ambição. Não se pode pedir ao moço que ele seja outra coisa se não moço. Isso seria negar sua própria condição. O que a nova geração deve levar em conta é que o tempo tem sempre a mesma velocidade.

Há períodos em que pouca coisa acontece e o tempo parece andar mais devagar, e há períodos em que as coisas andam muito depressa. A crise é mais um acelerador do que um retardador. Portanto ela traz a oportunidade de sua superação.


Ter seguido o modelo americano de industrialização foi o que permitiu ao Brasil estar melhor do que outros países da America Latina. Parece contraditório neste momento de crise gerada pelos Estados Unidos?
É verdade. A Argentina, por exemplo, sempre teve uma influência muito mais européia do que americana. Há três países na nossa região que têm a marca do dinamismo americano acelerado muito incorporada: México, Chile e Brasil. O Brasil tem uma cultura vocacionada a melhorar, a ir pra frente.

Somos uma versão tropicalizada dos Estados Unidos. Temos muitas diferenças, é verdade. Mas em comum temos o fato de sermos grandes nas dimensões territorial e demográfica, na multiculturalidade e na multirracialidade. Somos animais de mesmo tamanho e de mesma vocação política. Mas o Brasil não é uma réplica americana. Soubemos incorporar aspectos dos valores que inspiraram a sociedade americana com naturalidade.


De quais aspectos do modelo americano o senhor fala?
Da ascensão e mobilidade verticais. Nos dois países é possível vir de baixo e subir a pirâmide social sem ser freado. Ambos são países de oportunidades. Temos também em comum a mitologia do futuro e do otimismo — somos duas sociedades que acreditam que o amanhã vai ser melhor, mesmo que circunstancialmente o momento seja ruim, como agora. A turbulência não afeta a nossa visão, somos jogadores globais.

O Brasil não tem grandes cartas para jogar, mas temos fichas em todas as mesas. A nós interessa negociar com África, Ásia, Europa. Não há um tabuleiro em que o Brasil não seja um jogador. E para o jovem que chega ao poder nas empresas a idéia é essa: o Brasil está abrindo portas para que essa geração tenha condições de operar em todas as latitudes.


Existe um glamour que cerca a possibilidade de se fazer uma carreira internacional, ao mesmo tempo que isso gera uma tensão no executivo. Afinal, o brasileiro gosta de sair do Brasil?
Primeiro, nós temos um país tão grande que boa parte dos brasileiros não quer sair daqui. Tendemos a olhar para o nosso próprio umbigo. Segundo, nós falamos uma língua que não é universal. Terceiro, somos criados com uma idéia de que o Brasil se basta, e esse ufanismo é muito nosso. Então temos uma permanente tensão entre o brasileiro internacional e aquele que vive exclusivamente a realidade nacional.

Mas o número de brasileiros que se interessam pelo mundo – política, comércio, negócios, exportação -- é crescente. Tempos atrás o Brasil era um país que não vendia nada. Nem o café nós saíamos vendendo. Eram os grandes operadores que vinham até aqui comprar a nossa mercadoria.


O Estado brasileiro pode aproveitar os jovens executivos de empresas privadas que sabem operar internacionalmente?
Os concursos públicos estão aí para isso, para captar os melhores. Porém, o papel do Estado é o de prover a sociedade de moldura institucional democrática, aberta e estável, sem interferir diretamente no processo. Tem de possibilitar ao profissional trabalhar num país onde a ordem institucional funcione bem, com regras do jogo confiáveis e com uma macroeconomia racional, para que a sociedade possa ir pra frente.

Não sou a favor de um Estado máximo, nem mínimo. Sou pelo Estado necessário. Tenho medo tanto de Estados omissos quanto dos imperativos. Eles não podem impedir que a nova geração vá pra frente naturalmente.


Somos um país que sempre se vê muito mal. Quais são as virtudes da sociedade brasileira?
Ser flexível e aberta, ser apta a incorporar, a aproveitar e a reformular o que vem de fora. Tudo o que não somos é um país rígido. Aqui é permitido um dinamismo social indispensável para que pudéssemos entrar num ciclo virtuoso de uns anos pra cá: primeiro acertamos a mão no processo político com o restabelecimento da democracia no final dos anos 80, depois no processo macroeconômico, com o Real e a racionalização da economia.

E agora com a política inteligente de inclusão social, que incorporou numa base de prosperidade e de riqueza real um segmento da sociedade que estava muito abaixo da classe média, que eu considero a classe revolucionária brasileira. E vejo essa revolução dos emergentes com imenso prazer, pois o Brasil passou a ter um novo contingente de atores sociais.


O senhor fala dos governos de Fernando Henrique e Lula?
Futuramente eu acho que a história não separará Lula de Fernando Henrique, pois um é desdobramento do outro. Eles ajudaram a reconstruir o país na base da racionalidade e da civilidade. É claro que nem sempre se acerta com a racionalidade, mas ela dá a possibilidade de escolher as melhores ferramentas para o acerto. E a civilidade é a tolerância de uns com os outros, regra que permite que a sociedade civil opere com tranqüilidade e harmonia.


Muitos presidentes de empresas estão entusiasmadíssimos com o imenso mercado chinês. O senhor acredita na China como o império que vai substituir os Estados Unidos?
Eu não sou um bom profeta. Sou melhor como historiador, porque vejo com mais clareza o passado do que o futuro. Mas a China me interessa muito e acho que ainda há deficiências na área da organização social: tem déficits democráticos e de direitos humanos, ambos calcanhares de Aquiles, dívidas a resgatar. Mas o fato central é que nos últimos anos a China é o exemplo mais brilhante de dinamismo econômico, e o Brasil tem que explorar cada vez mais as parcerias com esse país.

Outro fato novo no cenário internacional é a ajuda econômica que a China tem dado aos Estados Unidos. A China é uma simbiose com os Estados Unidos — ela poupa muito e exporta muita e os Estados Unidos não poupam nada e importam muito. Então, de certa maneira, nós estamos assistindo a um casamento estranho de duas potências: uma que absorve tudo o que a outra faz e a outra que investe tudo em papéis do Tesouro Americano.

Por isso o interesse de ambas as nações estão muito ligados. Não pode haver uma China próspera sem um Estados Unidos próspero. É uma relação benigna, não é perigosa.


O senhor acredita que a China traz novos paradigmas para o mundo?
A China é como uma moeda — tem cara e coroa. Há uma China que produz na gente um grande otimismo. Incorporar 500, 600 milhões de pessoas numa sociedade de consumo é um impacto extraordinário. Ela tem técnicas de produção e produtividade eficazes. Então, parabéns à China. O outro lado: mais de 800 milhões de chineses estão vivendo fora disso, no campo, nas pequenas aldeias, estão fora do jogo, da produção, da civilização urbana. Há uma China das luzes e outra das trevas — e ambas coexistem. E o mesmo processo se dá na Índia.


Há semelhanças com o Brasil?
Entre os Bric, o Brasil fez melhor o dever de casa do que os outros: já incorporou as populações rurais às cidades e até por isso temos o problema do caos urbanos. Mas a ciência e a tecnologia na China e na Índia estão mais adiantadas do que no Brasil. No entanto, a nossa sociedade é mais harmoniosa do que as dos outros Bric.


As conseqüências do crescimento econômico e tecnológico global acelerado são os danos ao meio ambiente. O senhor vê soluções?
Eu não sou um apavorado ambiental, sou um preocupado ambiental. As duas grandes bandeiras das gerações atuais são preocupação com os impactos ambientais e com os direitos humanos As pessoas querem qualidade de vida com sustentabilidade. Elas querem melhorar sem a ameaçar a própria sobrevivência.

Eu não sou tão pessimista. Acho que a humanidade tem aceitado bem os desafios de cada momento. É que se acreditava que os recursos eram mais limitados do que realmente são. Acho a capacidade de criação humana mais veloz do que a de destruição dos recursos físicos. Nós vamos encontrar, pouco a pouco, maneiras de fazer mais e melhor causando menos danos ao planeta.


Mas existe um pavor em relação a esta questão.
Não quero que a geração que chega agora ao poder já venha hipotecada: não podemos fazer isso. Estamos às vésperas de novas revoluções industriais, científicas e tecnológicas tão grandes — informática; genética humana, vegetal e animal; telecomunicações. Estamos recriando o mundo. Ser jovem hoje é melhor do que quando eu era moço, porque as fronteiras estão mais amplas.


O senhor acha que os jovens de hoje têm dificuldade de obedecer hierarquias?
Hierarquia sugere premiação dos melhores. Não é possível imaginar uma sociedade em que o mérito, o talento, o esforço, o estudo e a capacidade de iniciativa não tenham uma premiação diferenciada. Mas não pode haver hierarquia ilegítima, dissociada do bem comum e da solidariedade. Então, os jovens querem evitar as hierarquias rígidas, autoritárias, baseadas em classes sociais ou no sexo das pessoas.


E querem também inventar a roda?
Não! É que tudo pode ser melhorado, redesenhado. O mundo não está acabando, e sim começando, principalmente em campos como genética. Por isso as novas gerações não devem se preocupar com os caminhos até aqui percorridos, mas com os novos rumos que vão ter de percorrer.

As oportunidades são ilimitadas para quem tiver imaginação, conhecimento, energia e vitalidade, porque só com inspiração não se constrói um mundo novo. A crise traz essa possibilidade, mas ainda estamos presos a um mundo que foi redesenhado em 1944, em Bretton Woods, nos Estados Unidos, onde foi criado o FMI. Serviu bem, impulsionou um surto de crescimento, mas essa bananeira já deu seu cacho e agora temos de pensar nas oportunidades que o Brasil tem de exportação de ciência e tecnologia, antes impensáveis.

O G 20 está ai pra isso. Para redesenhar o mundo. Mas parece que ainda temos uma conta que não fecha, para dar um salto qualitativo. Tem muita gente cursando pós-graduação ou MBA em busca de informações e conhecimentos que deveriam ter adquirido na graduação. A educação a que você se refere foi a que me formou, que era elitista.

Na minha época existiam menos universitários no Brasil do que há hoje somente na USP. Houve a democratização de ensino e certos parâmetros foram adiados. Ou seja, antigamente havia pressa em educar bem para jogar logo as pessoas no mercado de trabalho. Hoje dá para alongar o processo de aprendizado. Esse fato faz parte do processo de crescimento do próprio país.


Não teria a ver com a ditadura militar?
O problema da ditadura é que ela não foi uma etapa de inteligência da história nacional.  Ela foi um período medíocre. Conservadora no mau sentido. Ela não tinha processos e instrumentos dentro dela mesma que lhe possibilitassem pressentir o que seria necessário no futuro.

Ela não tinha uma visão real do que era o Brasil e do seu potencial. Ela desconfiava do novo, do jovem e do que era contestatório. E o progresso vem das novas gerações, de quem tem dinamismo. Você não pode ter a criatividade tolhida por um temor político, pelo medo de errar. É da natureza do regime autoritário oprimir a inteligência e desconfiar do que é novo. A inteligência causa desordem porque se permite pensar — e o desafio assusta.


As velhas ideologias foram abandonadas pelos jovens. Hoje, existe alguma ideologia reinante?
Caiu a ideologia do socialismo real, ou seja, o comunismo de Estado provou-se ineficaz. E não há nada mais convincente do que o fracasso. Mas o mundo não pode viver sem ideologias. O ser humano quando jovem procura grandes sistemas que ordenem o todo. Então, surgiram a ideologia ambiental, a dos direitos humanos, em que a salvação não se dá pelo coletivo e sim pelos direitos de liberdade individuais, e um certo espiritualismo difuso, pois mistura ingredientes de várias religiões, principalmente as orientais.


O que mais fascina o senhor na nova geração?
A procura da felicidade pessoal, e não coletiva, como no socialismo. Depois, a ascensão pessoal pela busca de oportunidades. E por fim a busca de uma vida sexual e afetiva. Os jovens substituíram ideologias que consideraram caducas por outras que acharam operacionais e eficazes. Eles saíram das ideologias coletivas e impostas para as ideologias individuais e voluntárias.


A diplomacia é uma boa carreira? Afinal, com tantos organismos internacionais que procuram resolver os impasses por meio de acordos para evitar as guerras, os diplomatas tomaram o emprego dos generais.
Quando as guerras se acabam os diplomatas se sentam. Eles entram quando o jogo militar se esgota. E agora, depois das armas atômicas, quando a própria hipótese de guerra militar se torna impossível, pois a destruição seria irremediável, então entra a diplomacia, que é uma infinita conversa de botequim [risos]. É sentar, conversar, conversar e ter paciência e conversar de novo. Diplomacia é um exercício interminável -- não de ter razão, mas de dar razão ao outro. Ela é uma acomodação de interesses, e não de triunfo de uma idéia sobre a outra.

domingo, 6 de março de 2011

It's Music! (41): Marchinhas de Carnaval 2.0

Hoje é domingo de Carnaval!  Vamos comemorar com um lote muito maneiro de marchinhas carnavalescas na versão 2.0, que podem muito bem suceder às atuais nos anos vindouros.

Bota a fantasia e vem pular com a gente no cyberespaço!








E depois vocês ainda dizem que eu sou meio doido...

sábado, 5 de março de 2011

Birinight Oil (39): Ariadna na Playboy

Hoje é sábado de Carnaval, hora de comemorar e botar o bloco na rua com muita animação.  E com esse papo de cenoura como adereço de múltiplas utilidades, eu me lembro do personagem Dino César, de uma novela do antanho de antigamente, protagonizado pelo ator Mário Gomes, cuja suposta brincadeira com uma cenoura rendeu muitas manchetes de jornal e de revistas do estilo "Inimiga".  E para provar que a história sempre se repete...

sexta-feira, 4 de março de 2011

O Outro Mundo (30): Carnaval no Yellow Submarine!

Estamos às portas do Carnaval e de hoje até quarta que vem é só festa.  Quero aproveitar para mostrar aqui, em primeira mão, algumas fotos do meu avatar, Archanjo Arcadia, o do professor Darwin Motta e os dos designers em formação Guilherme Nigris e Marlon Itaboray tiradas no Second Life durante os primeiros encontros do evento batizado de "Yellow Submarine", um conclave criativo composto pelos professores e designers em formação do Curso de Design do UniFOA e convidados ilustres e que vai rolar em diversas instâncias do cyberespaço.  Em breve, maiores informações!





Acima, uma "escadinha fotográfica" do primeiro encontro, entre Archanjo, Darwin e Guilherme, num "sim" (simulador) cyberpunk.  Abaixo, a chegada de Marlon em um bar japonês, para uns goles de chá verde e edição do avatar.  Depois vemos Darwin experimentando novas skins para tirar o visual noobie e a migração da versão noobie do avatar do Marlon para outra, já editada.  Por último, Guilherme experimenta uma peruca loura para mudar o look de seu avatar.





quinta-feira, 3 de março de 2011

O Mundo do Futuro, hoje (38): "8 de Nós" - Exposição de Arte Virtual, Interativa, Reativa e Colaborativa

Ok, eu sei que o teor deste post tem a ver com a coluna de amanhã - O Outro Mundo - onde eu apresento cases oriundos do Second Life, Open Simulator e quetais.  Mas como surgiu uma aplicação diferenciada para o evento e ele vai ocorrer hoje, nada melhor do que me antecipar e convidar você, querido leitor, a participar desta aventura conosco.



"8 de Nós" - Exposição de Arte Interativa, Reativa e Colaborativa
Tudo começou com um convite da minha amiga Simone Queiroga (Sunset Quinnell, no Second Life) para a vernissage da exposição "8 de Nós", um mash ups de trabalhos que vai rolar hoje a partir das 19 horas na Galeria Ice Caverns, no Second Life.  Para quem não conhece, essa galeria, cuja curadoria está a cargo da Sunset, já fez dezenas de exposições de arte com artistas do mundo inteiro, sempre com grande sucesso.

A proposta desta exposição é fazer uma criação coletiva, onde todos os artistas interferem nos trabalhos uns dos outros, produzindo obras diferenciadas com efeitos interativos/reativos através do uso de scripts no Second Life.

A abertura do evento vai ficar a cargo de Mimosa Calamunda, que promete um show arrasador, seguido de um tour guiado pelas obras em exposição.  E para os designers em formação do Curso de Design do UniFOA, teremos um bate papo com os artistas no final do evento.

Na foto que ilustra essa matéria, meu avatar, Archanjo Arcadia e Sunset Quinnell estão pendurados no convite do evento.  Esperamos você por lá!

quarta-feira, 2 de março de 2011

O Design está aqui! (05): Projeto RVLVR & Novos pendrives! (parte 04)

E nessa quarta feira que antecede o Carnaval, vamos apresentar mais algumas idéias que abrilhantarão a nossa semana.  Primeiro, o projeto experimental RVLVR, seguido de mais pendrives porretas.  Apreciem sem moderação e inspirem-se!


Projeto RVLVR
Trata-se de um meme idealizado pelo designer alemão Marek Haiduk,  com a participação de mais de 50 artistas internacionais, que devem criar obras originais a partir do mesmo material.  Vejam alguns resultados:
















Novos Pendrives (parte 04)












terça-feira, 1 de março de 2011

O Mundo do Futuro, hoje (37): Aniversário do Rio de Janeiro & Projeto Cidade Jardim do Futuro

Hoje, a Cidade Maravilhosa comemora 446 anos de fundação!.

Estou muito feliz com os rumos que se desenham para o Rio de Janeiro, que esteve entregue a uma camorra ordinária por mais de 30 anos e agora se refaz, se regenera, trazendo de volta aquele espírito festivo e acolhedor que tornou os cariocas famosos pelo mundo afora.

Aproveitando a data festiva e o teor da coluna, apresento uma idéia que há alguns anos quica na minha cabeça como uma das possíveis soluções para o caos urbano que aflige a muitas metrópoles, o Projeto Cidade Jardim do Futuro.

Cidade Jardim do Futuro
Design & Sustentabilidade aplicados na qualidade de vida urbana

A proposta vai ser apresentada aqui de forma resumidíssima, mas já dá para ter uma noção de seu potencial.  Trata-se da criação de núcleos urbanos estruturados ao redor de uma atividade produtiva auto sustentável, seja a criação de tilápias, doces artesanais, flores decorativas, reciclagem et cetera.

Com uma população máxima de 30 mil habitantes, estes super condomínios proporcionariam qualidade de vida e empregabilidade para seus moradores, com outras atividades que poderiam girar em torno do foco principal.  Equipada com uma estrutura educacional voltada para a atividade-chave e com forte suporte de Design Thinking, a Cidade Jardim do Futuro reorganizaria a ocupação urbana nas grandes cidades e seria também a melhor opção para a erradicação das favelas, que seriam destruídas, reurbanizadas (na maior parte das vezes, inteiramente reflorestadas para criar ali uma nova abordagem paisagística) e seus moradores seriam deslocados para outros locais, com melhores condições de infra estrutura, onde poderiam se desenvolver, pessoal e profissionalmente.

Dentre as várias opções possíveis, elejo o entorno da Via Dutra, na Baixada Fluminense, como o lugar inicial para a implementação desse projeto.  Se alguém tem dúvidas sobre o sucesso da proposta, assista com frequência ao programa Globo Rural e acompanhe os cases de sucesso que ocorrem pelo Brasil afora.  É só aplicar por aqui que os resultados - extremamente positivos - se farão sentir rapidamente.

Deixo agora para os gestores e órgãos de fomento a reflexão.  Se precisarem de consultoria, entrem em contato comigo, que sou o criador da proposta.

Cidade Maravilhosa, parabéns prá você e que a cada ano você fique ainda mais linda e radiante!


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Brasil, o País do Presente (64): Programa 2014-Bis vai estimular inovação tecnológica para Copa 2014

Como vimos na semana passada, durante o evento TEDxRIO, o Rio de Janeiro adentra uma década de ouro, onde a cidade será resgatada do abismo bolorento onde estagnou por mais de 30 anos.  O texto a seguir ilustra tal situação, embora em caráter nacional.  Leiam e reflitam sobre como nós, designers, podemos no inserir nesse ciclo virtuoso.

Programa 2014-Bis vai estimular inovação tecnológica para Copa 2014

O ministro da Ciência e Tecnologia  disse ser fundamental para o País realizar eventos da envergadura da Copa do Mundo e das Olimpíadas "utilizando o máximo da tecnologia e do conhecimento aqui produzidos".  Ao avaliar que metade da população brasileira de alguma forma se interessa por informações do mundo esportivo, sobretudo em períodos como esses, ele disse estar confiante que a realização dos dois eventos no Brasil vai gerar um círculo virtuoso para os empreendedores e para o mercado de consumo.

O Programa 2014-BIS objetiva desenvolver um conjunto de práticas e investimentos visando proporcionar à sociedade e aos visitantes um panorama da criatividade, inovação, cultura e sustentabilidade do Brasil.  Ao mesmo tempo, contribuir para a realização de uma Copa dotada de serviços e tecnologias de alta qualidade e alavancar empresas brasileiras no exterior.

Mais do que diversão e exibição de perícia dos atletas, um evento deste porte é uma oportunidade de divulgação e de realização de negócios.  Para aproveitar ao máximo esse potencial, o 2014-BIS reúne uma multiplicidade de atores sociais em torno da tecnologia e da inovação.  "O objetivo é criar meios de encantar, surpreender e emocionar o mundo, mostrando que o Brasil é um país criativo e inovador", explica Eduardo Costa, diretor de Inovação da Finep.

No momento em que estão previstos investimentos em infraestrutura e serviços para que o País possa receber estes dois eventos de grande porte, a Finep capitaneia o programa, que envolve atuação mobilizadora e financiamento de projetos de inovação tecnológica voltados para o esporte.

Este é, por exemplo, o caso do Laboratório Olímpico, ligado à melhoria do desempenho de nossos atletas e que já conta com investimento de R$ 11,5 milhões e será a principal referência em Ciências do Esporte da América Latina.  A partir de sua inauguração, o País passa a ter uma estrutura montada para o acompanhamento e preparação de seus principais atletas, nos moldes do que já é feito pelas potências esportivas mundiais. A intenção é produzir e transferir conhecimento aos treinadores e equipes, gerando recursos humanos qualificados para desenvolver o esporte nacional.

Os investimentos podem chegar a quase R$ 120 milhões, em um primeiro momento, somadas as primeiras propostas para as quais já foram aprovados aportes financeiros, além do programa de Subvenção Econômica - que incorporou um subtema relativo a tecnologias voltadas para a Copa e as Olimpíadas. Neste ano, segundo o presidente da Finep, Luis Fernandes Rabelo,"está previsto ainda o lançamento de um fundo de venture capital diretamente ligado à área de esporte".

A Copa do Mundo de Futebol tem números superlativos. A expectativa é que mais de três bilhões de pessoas em todo o planeta assistam a pelo menos um jogo e entre 600 mil e um milhão de turistas passem pelo País na ocasião. Além disso, calculam-se cerca de 10 milhões de agregados aos turistas, como parentes e amigos, que de certa forma também participam do evento, mesmo que indiretamente.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

It's Music! (40): Banana Split Show

O post da semana passada suscitou lembranças ancestrais em alguns amigos e cólicas de riso em vários designers em formação, que não entendem a estética sessentista.  Então, para atender aos desejos de uns e agravar as dores abdominais de outros, apresento um show muito louco que fez parte da minha infância e talvez justifique certas práticas acadêmicas da atualidade...

Pise no pedal e libere a mola da electrola híbrida a vapor!




Aqui, a versão remix:




E mais loucuras!


sábado, 26 de fevereiro de 2011

Birinight Oil (38): Darth Bieber Vader

Sim, sim, é lamentável, eu sei.  Mas não há como deixar de repartir esse momento tão dramático da história do cinema com vocês, onde o arqui-vilão Darth Vader assume a sua bichice enrustida e canta uma musiquinha do Just in Biba, digo Justin Bieber.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O Outro Mundo (29): Entrevista com o novo CEO da Linden Lab

Que o Second Life é o maior mundo virtual existente vocês que acompanham aqui o blog já sabem.  Mas nem todos têm consciência de que ele enfrenta problemas recorrentes, talvez pertinentes de um empreendimento de tal porte, e possivelmente causados por gerências inadequadas.  A seguir, apresento a entrevista dada pelo novo CEO da Linden Lab, empresa que detém a marca Second Life, Rod Humble, feita pelo jornalista Wagner James Au, editor do blog NWN (New World Notes).
Como Rod Humble conheceu e interessou-se pelo Second Life? E por que aceitou ser seu presidente (CEO)?
Eu sempre soube sobre ele.  É uma daquelas coisas que entram na consciência geral das pessoas que participam de qualquer tipo de entretenimento interativo e mundos virtuais.  Então no ano passado, recrutadores executivos (head hunters) da Linden Lab me contactaram e eu não tinha ideia de como o Second Life era uma poderosa ferramenta de desenvolvimento criativo. Quando percebi isso, tomei minha decisão.

Para sair da Eletronic Arts, eu precisava de um grande desafio. A Eletronic Arts é uma grande empresa, mas eu trabalhei lá por mais tempo do que nas outras empresas que passei. Quando vi esta possibilidade (de assumir a Linden) parecia o desafio certo.


O que Rod Humble pode trazer de melhor para o Second Life?
Posso agregar um maior valor, pois, trabalhei em outras empresas de tecnologia.  Facilidade de uso e acessibilidade são, obviamente, muito importantes. Na EA meu chefe me perguntava sempre: "como podemos fazer a interatividade para um game agradável?" Nos esforçamos muito, apenas para que as pessoas pudessem ser atraídas pelos games.

Eu acho que o Second Life é quase o inverso, pessoas que são bem confortáveis com o uso de computadores ficam totalmente frustradas ao tentar usá-lo. Então temos que trabalhar em cima da seguinte questão: "Como podemos ter certeza que a porta está aberta? As pessoas estão entrando e se divertindo?"


Qual será a estrategia global para o crescimento do Second Life no próximo ano?
Os nossos clientes precisam ter certeza que eles terão o atendimento que merecem ter, o lag também é um grande problema. Para os novos residentes estamos estudando maneiras diferentes de fazer o SL ser mais fácil de acessar e isso será bom para todos. Nossa equipe está analisando todos os tipos de planos e soluções para alcançar essa meta, mas ainda não decidiu sobre uma estrategia em particular.

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Eu participo desse mundo virtual desde 11/11/2006 e enfrentei todos os problemas listados acima e mais alguns, igualmente incômodos.  Mas penso que se esse CEO realmente colocar o foco do produto no aprimoramento da experiência do usuário e não em questões ranhetas dos escova-bits, o SL poderá ter uma nova onda de crescimento e se tornar ainda mais útil do ponto de vista criativo e interativo do que tem sido até agora.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O Mundo do Futuro, hoje (36): Chips de DNA podem dar nova vida aos "cérebros eletrônicos"



Com os avanços da computação quântica e da spintrônica, muitas coisas que não havíamos sequer sonhado ser possível começam a se delinear, para impactar as nossas vidas num futuro próximo, aquele que está ali, dobrando a esquina. O post a seguir, sobre algo relacionado, é mais uma peça importante nesse quebra cabeças.  Leiam com atenção e depois reflitam.  Nós, designers, poderemos fazer parte dessa revolução de alguma forma.





 
Chips de DNA podem dar nova vida aos "cérebros eletrônicos"
Em um único dia, um pesquisador solitário em um laboratório é capaz de fabricar circuitos lógicos simples em quantidade superior a toda a produção mundial de chips de silício em um mês.  Isto é o que garante o professor Chris Dwyer, da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, que está utilizando porções de moléculas de DNA para criar minúsculas estruturas capazes de executar operações lógicas.  Com a vantagem de que esses chips biológicos podem ser fabricados aos bilhões, de forma totalmente homogênea e sem precisar de máquinas e nem de salas ultralimpas - eles se montam sozinhos.

O engenheiro acredita que a próxima geração desses circuitos lógicos, que ainda estão em desenvolvimento, poderá equipar computadores que poderão ser produzidos a baixo custo em quantidades quase ilimitadas.  Parece que outros cientistas concordam com ele, já que a pesquisa mereceu a capa da revista Small, especializada em nanotecnologia.  Para isso, será necessário substituir os tradicionais transistores de silício por blocos de moléculas de DNA, que se juntam sozinhas para formar estruturas complexas, parecidas com os biscoitos waffle.

Para tornar essas bioestruturas capazes de fazer cálculos, é necessário adicionar diferentes tipos de moléculas sensíveis à luz, conhecidas como cromóforos. Usando uma fonte de luz externa para ativar seletivamente essas moléculas, é possível criar chaves e portas lógicas, os elementos básicos dos chips.

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Dentre outras coisas, penso que será de grande valia para os estudiosos do transhumanismo...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O Design está aqui (04): Sensual Harassment Poster (by Danton Gravina) & Novos pendrives! (parte 03)

Respeitáááável públicooo!
Vamos dar continuidade ao nosso show semanal de Design, apresentando hoje um trabalho de um de nossos amigos e mais pendrives inusitados para inspirar você, designer em formação, e aqueles que ainda não entraram na estrada ou já tiveram a oportunidade de sair da primeira parte dela.

Sensual Harassment by Danton Gravina


Os designers em formação do Curso de Design do UniFOA - Centro Universitário de Volta Redonda conhecem muito bem o Danton Gravina. Ilustrador de mão cheia e designer idem, Dan é um daqueles padawans que se torna Jedi antes de concluir o curso.


Para ilustrar a nossa coluna semanal sobre Design, apresento as imagens que ele fez pro grupo Sensual Harassment. Apreciem sem moderação e usem como uma forte dose de inspiração!

 





Pendrives exóticos
Continuando a nossa trip por pendrives de formas incomuns, posto a seguir mais alguns exemplos inspiradores.  Espero que façam você entortar vossas sinapses e transformar figos em frutas.











SEM LIMITES PARA ENSINAR / MOYA - ESCOLA DE AVENTURA

CRIATIVO E INQUIETO (uma combinação muito interessante...) Quando eu me mudei do Rio de Janeiro para Brasília, em 2016 , imaginava ...