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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Brasil, o País do Presente (82): Embrapii vai criar rede nacional de inovação para indústria

Vejam só que notícia alvissareira!  Parece que desta vez vamos mesmo engrenar uma quinta e mandar ver na highway do mundo desenvolvido. Já estava mesmo na hora do pequeno capital, aquele que entrava tudo com pequenos caixotes de mascates biscateiros, sair de cena e deixar a "gente grande" tocar o apito.

Embrapii vai criar rede nacional de inovação para indústria

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, assinou com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) um memorando de intenções para a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Industrial (Embrapii).  Criada nos moldes da Embrapa, a nova empresa buscará promover a inovação na indústria com base em um projeto-piloto, para o qual foram convidados a participar o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), do Rio de Janeiro, e o Senai da Bahia.

O projeto da Embrapii conta ainda com parceria com o Instituto Fraunhofer, da Alemanha, que mantém 60 centros focados em inovação e desenvolveu metodologia específica para a avaliação dos processos de inovação.  Na Alemanha, o governo controla o Instituto Max Planck, que coordena inúmeros laboratórios científicos de ponta. A ponte com a indústria, que cuida das inovações tecnológicas, é feita pelo Instituto Fraunhofer, também com diversos centros especializados.

A iniciativa da Embrapii foi anunciada durante o 4º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, realizado pela CNI em São Paulo.  A ideia da Embrapii é lastreada no sucesso da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que mantém 90 centros de pesquisa e construiu com isso uma vocação para aumentar a competitividade e eficiência do Brasil na agricultura.  "Nós precisamos criar uma instituição semelhante para a indústria brasileira", afirmou Mercadante em entrevista após a assinatura do memorando.

O ministro disse que a Embrapii parte da experiência de centros de excelência que já vêm fazendo um trabalho voltado à inovação, com foco no atendimento das demandas da indústria.  "O IPT, em São Paulo, faz um trabalho importante nessa área", afirmou. "Nós já estamos trabalhando com o IPT na área de gaseificação do etanol, que é uma das vertentes para aumentar a eficiência energética desse combustível", disse Mercadante.

O projeto da Embrapii conta com orçamento de R$ 30 milhões este ano para aplicação em custeio, segundo o ministro, valor que corresponde à participação do governo federal.  Mas o modelo de financiamento dos projetos de inovação contará com aporte de recursos da iniciativa privada e dos Estados. A necessidade de coalizão de recursos entre as partes ocorre porque a missão da nova empresa será atender à demanda de inovação da indústria, diretamente interessada na atuação da nova empresa.

A Embrapii funcionará como uma rede nacional de tecnologia que criará padrões para a certificação dos institutos e centros de pesquisa. Mercadante espera envolver até 30 institutos de pesquisa do País na expansão do modelo.  "Nós vamos buscar desempenho e resultados, queremos que os institutos ajudem a captar recursos privados para a inovação", afirmou.

Mercadante também disse que os projetos serão remunerados pelos resultados efetivamente apurados. Segundo antecipou o ministro, a Embrapii provavelmente será uma empresa pública de capital aberto, com predominância do setor privado na governança.  O diretor-presidente do IPT, João Fernando Gomes de Oliveira, disse durante a assinatura do memorando que o desenvolvimento da Embrapii será iniciado por meio de processo piloto: "No momento, estamos formalizando a parte contratual".

Oliveira acredita que em poucos meses o sistema estará funcionando. "A ideia é a de uma conexão melhor entre academia e empresa", afirma. A Embrapii vai colaborar para estabelecer uma ponte sobre os hiatos entre universidades e institutos de pesquisa e as empresas "com metodologia que envolve um contrato de gestão e dá flexibilidade para operação".  Além da área de biocombustíveis, que hoje é fundamental em inovação, a Embrapii deverá atuar com bionanotecnologia, energia fotovoltaica e eólica, tecnologia da informação e química verde, entre outras.

Neste último setor, por exemplo, já há uma tendência de substituição da nafta por combustíveis limpos, processo que é fundamental para o sequestro de carbono, permitindo agregar valores de sustentabilidade à indústria.

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Tudo indica que, nos próximos anos, poderemos ter resultados tão fantásticos no setor industrial quanto temos no de agronegócio, que graças à EMBRAPA assumiu a vice-liderança mundial na produção de alimentos.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Brasil, o País do Presente (81): Brasileiros recebem patente por sistema de distribuição de filmes HD

Blog: Martelo do Archanjo : / Power On

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Queridos leitores,

Após um mês de recesso de férias, estamos de volta com o ciclo de postagens sobre as coisas fantásticas que vem acontecendo ao redor do mundo e que a mídia xexelenta não mostra, por estar mais afeita a desgraças, tramas novelescas e quetais.

Abrindo nosso cardápio deste semestre, mais uma notícia alvissareira sobre o que nós, brasileiros, estamos fazendo de bom em diferentes áreas do conhecimento.


Brasileiros recebem patente por sistema de distribuição de filmes HD

Assistir vídeos na tela do computador com qualidade de vídeo HD.  Este é o diferencial do GloVe (Global Vídeo Environment), um sistema inovador de distribuição de vídeo digital sob demanda, em grande escala, que já rendeu duas patentes internacionais para a Coppe, ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).



Desenvolvida pelos pesquisadores do Laboratório de Computação Paralela (LCP), a tecnologia inédita de administração e compartilhamento de vídeos é capaz de atender a um número ilimitado de pessoas, simultaneamente, com exibição individualizada.  Desenvolvido sob a coordenação do professor Cláudio Amorim, o GloVe pode ser instalado tanto em redes locais como na internet.

Atualmente, a tecnologia para vídeo sob demanda em grande escala é baseada em solução de hardware.  Já o GloVe inova ao ser uma solução inteiramente criada em software, capaz de reduzir o custo de investimento por cliente, de 100 a 200 vezes, em comparação às soluções disponíveis no mercado.

"É uma excelente alternativa. Além das vantagens técnicas e econômicas, a nossa tecnologia inibe a pirataria, proporcionando maior segurança ao fornecedor de conteúdo," garante Cláudio Amorim.  Para colocar em prática a tecnologia, pesquisadores do Laboratório de Computação Paralela da Coppe, criaram a empresa BrStreams que, em 2006 ingressou na Incubadora de Empresas da instituição.

"Tornamos essa tecnologia um produto que já está disponível. As aplicações do sistema são variadas e os clientes potenciais são as distribuidoras de filmes, as redes de TV que distribuem conteúdo pela internet, ou mesmo as universidades que oferecem cursos de educação à distância", explica Lauro Whately, diretor da BrStreams.  O sistema já foi disponibilizado para o projeto Orla Digital, que oferece acesso gratuito à internet, banda larga, via wi-fi, aos frequentadores das orlas de Copacabana, Ipanema e Leblon.

Claudio explica que a proposta é disponibilizar conteúdo de qualidade para o usuário, seja de âmbito cultural, educacional e de entretenimento, com qualidade de imagem idêntica à transmitida pelas emissoras de TV.  A forma de distribuição do conteúdo é uma das inovações que traz uma série de vantagens para o usuário. No caso de redes locais, por exemplo, um vídeo fica geralmente hospedado no servidor central. Caso o vídeo seja popular e milhares de pessoas acessem tal conteúdo a todo instante, há riscos de lentidão na transmissão ou mesmo de interrupções.

Com o GloVe, esses problemas são praticamente eliminados, porque o sistema recicla o fluxo e redistribui o conteúdo para os usuários.  "Ao acessar o vídeo, ele será transmitido a partir da memória do servidor local, e não mais exclusivamente do servidor central onde se encontra armazenado. A nossa metodologia permite que inúmeros servidores tenham o mesmo conteúdo mantido em suas respectivas memórias, sem ocupar muito espaço, e que o mesmo seja distribuído, de forma orquestrada, sem saturar a capacidade de transmissão. Também se aplica a infra-estrutura de grande escala, como internet, exigindo pouco investimento", explica Lauro.

As duas patentes do GloVe foram concedidas pelo escritório de patentes dos EUA (USPTO), em 2009 e 2010.  A equipe do Laboratório de Computação Paralela da Coppe já havia conquistado uma patente internacional, em 2007, também concedida pelo USPTO, para um sistema de relógio global distribuído para clusters de computadores.  No momento, mais três sistemas desenvolvidos no laboratório da Coppe aguardam concessão no INPI e no escritório de patentes dos EUA e da Europa.

Cláudio Amorim chama atenção para o fato de que as três patentes foram concedidas na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). "Uma raridade no Brasil, que ainda está muito distante de países como Japão e EUA, que têm dominado o registro de patentes e a propriedade intelectual neste setor", ressalta o professor.

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E vamo que vamo, pq isso é só o começo.  Um beijo do Anjo e é muito bom estar de volta!




segunda-feira, 27 de junho de 2011

Brasil, o País do Presente (80): As múltiplas interfaces entre ciência, tecnologia e sociedade

Esta matéria deve ser lida com atenção e seguida de reflexão, pois aponta algo muito importante para a nossa sociedade e para o futuro do Brasil não só como o "Gigante das Américas" mas principalmente pela sua futura posição de liderança no mundo.

As múltiplas interfaces entre ciência, tecnologia e sociedade

Polêmicas públicas recentes a respeito de temas ambientais (novo Código Florestal), científicos (uso de células tronco para pesquisa) e econômicos (modelo de exploração do petróleo do pré-sal) possuem um traço em comum.  Todos estão fortemente relacionados a desenvolvimentos científicos e tecnológicos, ou representam desafios à capacidade brasileira de articular sua ciência e tecnologia (C&T) às necessidades estratégicas do país.

Pensar tais temas demanda abordagens inovadoras, que não separem aspectos técnicos de variáveis sociais, culturais, econômicas ou históricas.  Esse desafio vem sendo enfrentado por pensadores associados ao campo emergente de pesquisas denominado CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade).  Apesar de cada vez mais relevante no mundo todo, tal abordagem ainda é relativamente pouco utilizada no Brasil. O contexto brasileiro atual, no entanto, demanda cada vez mais esse tipo de reflexão, e deixar de fazê-la é uma opção arriscada.

A recente discussão altamente polarizada em torno do novo Código Florestal brasileiro é exemplar da falta de articulação estratégica entre nossas capacidades científicas e o debate público a respeito de nossos recursos naturais.  Enquanto o texto tramita pelo Congresso, a Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciência (ABC) alertaram, por meio de nota, que nunca foram chamadas a participar do debate em torno do código.  Clamam, nesse mesmo comunicado, por um período mais longo de discussões antes da aprovação final da medida, para que seja elaborado e aprovado um código florestal "com base científica e tecnológica considerando aspectos jurídicos não punitivos e com equidade econômica, social e ambiental".


Esse pedido não é banal, pois envolve a construção de um diálogo ampliado em torno das formas pelas quais deveríamos explorar nossos vastos recursos naturais; tanto para a agricultura, área na qual o Brasil já é uma grande potência mundial, quanto para fins mais ligados à exploração sustentável e às preocupações ecológicas.  Nossa imensa biodiversidade, por exemplo, poderia ser fonte de novos conhecimentos em áreas tão distintas quanto biocombustíveis a, cosméticos e medicamentos. Essa lista poderia ser expandida em muito, caso houvesse investimento estratégico em pesquisas direcionadas a buscar formas sustentáveis de exploração das nossas terras e florestas.

A ausência, no debate legislativo, de importantes instituições ligadas à C&T, que além de tudo são financiadas em boa parte pelo próprio Estado, sugere um dilema a ser explorado: em um contexto de crescimento econômico, quando o Brasil busca firmar-se como país mais justo e mais desenvolvido, podemos abrir mão de debater amplamente o uso presente e futuro de nossos recursos naturais?

Essas polêmicas, além disso, podem ser reduzidas às suas dimensões estritamente "ambientais", "científicas" ou "econômicas"? Essa redução não estaria impedindo uma compreensão mais complexa da multiplicidade de fatores que estão em jogo nessas polêmicas, cujo desenrolar é decisivo para nosso futuro?  Discute-se muito no Brasil, e não sem razão, a importância de se investir mais em educação, além de se buscar o crescimento econômico sustentado através de um crescimento da nossa capacidade inovadora.

O que é ainda pouco debatido, no entanto, é a interface entre a dinâmica da C&T e os problemas socioculturais e econômicos a ela relacionados. Esse vácuo é especialmente nocivo quando temos, como agora, temas de extrema relevância na pauta nacional sendo discutidos em chaves simplistas, excluindo vozes de extrema relevância em favor de acordos políticos de curto prazo.

O campo de estudos CTS vem se configurando em uma arena interdisciplinar na qual tais questões são explicitadas de forma sofisticada, podendo contribuir em muito para o debate em torno de problemas na interface entre C&T e sociedade.  O campo congrega desde sociólogos, antropólogos, historiadores, até economistas, filósofos, e cientistas políticos, articulando, em suas pesquisas, a C&T a problemas sociais, culturais e econômicos.

Desde a compreensão de como o conhecimento científico é produzido e demarcado da não-ciência, até a forma como é mobilizado nas mais distintas dinâmicas sociais e políticas, estudiosos da área de CTS vêm contribuindo sistematicamente com reflexões sobre como a sociedade e a C&T constroem-se mutuamente; bem como esse processo, fortemente disputado, precisa ser melhor compreendido.  Ou seja, nossas opções em termos de como organizamos a C&T são, ao mesmo tempo, opções sobre que tipo de sociedade queremos.

Buscamos gerar riquezas na Amazônia a partir de atividades que são intensivas em tecnologia, criando uma dinâmica econômica mais sustentável? Ou optamos por usos de baixa tecnologia, que além de tudo dependem de desmate em grande escala, gerando danos ambientais e perda de recursos genéticos que ainda nem conhecemos?  Devemos investir em laboratórios para conhecer e gerar riquezas a partir da nossa biodiversidade, ou optamos por não interferir nas lógicas coloniais de ocupação destrutivas que herdamos? 
Buscamos conhecer como nossas populações nativas se relacionam com o meio natural, ou ignoramos esses saberes tradicionais?


Ou seja, nenhuma dessas questões é simplesmente científica, tecnológica ou social: essas esferas são sempre interrelacionadas.  Desde pelo menos os anos 1970, a problemática ambiental vem se destacando como uma preocupação de governos, movimentos sociais e meios acadêmicos. O problema da poluição, a perda de biodiversidade, o aquecimento global e mais recentemente o desenvolvimento sustentável como forma de superar a pobreza, têm sido tópicos de destaque no movimento ambientalista e além dele. Muitos desses temas já foram inclusive incorporados às preocupações correntes de políticos, consumidores, e até mesmo da cultura popular.

Não coincidentemente, os estudos CTS tiveram seu início associado em parte às preocupações ambientais. Novas tecnologias, como a nuclear, cuja promessa era a de ampliar a disponibilidade de energia limpa, rapidamente se mostraram também fontes de novos e graves problemas, cuja solução está longe de ser encontrada. Grandes desastres nucleares, como Chernobyl (na antiga União Soviética) e, mais recentemente, em Fukushima (no Japão), explicitam de forma dramática a inextrincabilidade entre questões ambientais, sociais e de C&T.

Os desastres ocorridos na região serrana do Rio de Janeiro, por exemplo, foram causados tanto por uma ausência de planejamento urbano e de ocupação do solo, áreas em que o Brasil possui capacidade científica, quanto por uma ausência de sistemas de alerta que poderiam ter evitado um grande número de mortes. Diversas situações semelhantes acontecem, em menor escala, praticamente todos os anos.  Por que, ainda assim, o conhecimento científico e o planejamento urbano não dialogam de forma mais próxima, de forma a evitar tais desastres? A compreensão de tais dilemas requer uma atenção tanto para o "social" quanto para o "científico e tecnológico".

Os recentes investimentos feitos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) na compra de um supercomputador (Tupã), a fim de melhorar as previsões do tempo, sinalizam na direção de uma preocupação maior com o uso da C&T para usos socialmente relevantes, como a prevenção de desastres naturais.  O Inpe vem sendo também importante na política de combate aos desmatamentos ilegais, fornecendo informações a respeito de focos de desmatamento cada vez mais detalhados e em tempo real, possibilitando a articulação entre instituições como o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), a Polícia Federal e o sistema judiciário no combate à destruição de florestas.

O exemplo do desmatamento é relevante por dois aspectos: primeiro, demonstra a importância de investimentos em sistemas de C&T cada vez mais complexos. O Brasil deve ter um programa espacial e a capacidade de construir e lançar satélites, pois eles possuem aplicações importantes nas áreas militar, ambiental e de telecomunicações. Segundo, demonstra a urgência em debater os rumos sociais, éticos e políticos dos novos investimentos em C&T.  Uma tecnologia como a do sensoriamento remoto, por exemplo, pode ser usada para vigilância de fronteiras, mapeamento ou na detecção de queimadas ilegais. Os usos dessas tecnologias dependem das prioridades estabelecidas socialmente, e a difusão dos benefícios que tais usos geram dependem da forma como são desenvolvidos, organizados e utilizados.
O debate sobre o novo Código Florestal mostra, infelizmente, a ausência dos nossos cientistas em discussões fundamentais para o futuro do país. Mostra também a pouca relevância atribuída ao pensamento sobre a C&T e sua articulação com a sociedade.  A ausência de reflexão em uma área tão relevante como a do meio ambiente, por exemplo, tem consequências imprevisíveis e irreversíveis: a biodiversidade, uma vez extinta, não tem como ser recuperada.

O investimento sistemático em inovação tecnológica deve ser acompanhado, portanto, do investimento em áreas como a de CTS, como forma de construir pontes entre desenvolvimentos na C&T e os mais diversos problemas sociais que o país enfrenta.  A exploração de petróleo no pré-sal, a proteção e uso sustentável de nossas florestas, o nosso programa espacial, o desenvolvimento de novos biocombustíveis, entre tantos outros desafios do presente (mas que ajudarão a orientar nossas opções de desenvolvimento futuro), precisam de uma reflexão que consiga agregar, de forma interdisciplinar, conhecimentos de uma diversidade de áreas de especialização.

Além disso, essas questões carecem de um pensamento estratégico, para que possam gerar não apenas ganhos econômicos momentâneos e localizados, mas que auxiliem na construção de uma sociedade mais justa e democrática, envolvendo a exploração sustentável do meio ambiente e a redução de desigualdades sociais centenárias.  O tipo de sociedade que desejamos depende, em grande medida, da C&T desenvolvida, agora e no futuro.

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Com essa postagem encerramos as publicações deste semestre sobre o avanço brasileiro em diversas áreas.  No início, parecia que eu falava sozinho ou que era membro de uma seleta confraria de meia dúzia de sonhadores, que enxergava coisas maravilhosas num mundo onde a mídia só apresenta porcaria.  Pois bem, o panorama agora mudou e cada vez mais a população começa a perceber que o País do Futuro tornou-se o País do Presente.

Que os investimentos em Educação possam se efetivar e formar eleitores com clareza de raciocínio capazes de impulsionar as transformações sociais tão necessárias em nosso País.  E que movimentos de ativistas como o Anonymous se tornem cada vez mais fortes e presentes, forçando os (des)governos a adotar uma política de transparência total em suas ações.

Em agosto nós voltamos com mais novidades alvissareiras!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Brasil, o País do Presente (79): Frente Parlamentar da Pesquisa e Inovação é lançada

Por enquanto não podemos esperar muito, visto que a maioria dos parlamentares não é apta nem para gerenciar pastelaria, embora saibam butinizar o erário como ninguém.  Mas já é um avanço.  Quem sabe nas futuras gerações tenhamos técnicos, gestores e cientistas a ocupar os cargos eletivos em todas as esferas de governo?

Frente Parlamentar da Pesquisa e Inovação é lançada

A nova Frente Parlamentar da Pesquisa e Inovação (FPPI) foi lançada nesta quarta-feira no Senado Federal.  Composta por mais de 200 parlamentares de todo o país, a frente tem o objetivo de contribuir para o aprimoramento da legislação federal com foco na Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), assim como promover a alocação de recursos orçamentários para o setor.

A Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica Industrial (Abipti) responderá pela secretaria executiva da frente, que será coordenada pelo deputado federal Paulo Piau (PMDB-MG). A Abipti representa mais de 200 entidades de pesquisa, desenvolvimento e inovação.  "Nossas prioridades são os marcos legais e a tentativa de desburocratizar o processo de desenvolvimento de C&T, seja para o desenvolvimento de pesquisas, aplicação de recursos e registro de patentes", disse Piau.

A FPPI (Frente Parlamentar da Pesquisa e Inovação) será uma associação suprapartidária com pelo menos um terço de membros do Poder Legislativo Federal, destinada a promover o aprimoramento da legislação federal sobre pesquisa e inovação.  Um dos objetivos é que a instância se estabeleça como um canal permanente de comunicação com as organizações que debatem a inovação tecnológica e as pesquisas científicas.  "A Frente ajuda a dialogar com os parlamentares para que o país entenda que o futuro depende do avanço da ciência, tecnologia e inovação. Só assim o Brasil dará um salto em direção à quinta ou sexta economia do mundo", disse o Ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

A frente organizará a agenda legislativa da pesquisa e da inovação e buscará promover e intervir no desenvolvimento de políticas públicas, visando o fortalecimento da pesquisa e maior desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil. A FPPI se propõe ainda a lidar com a manutenção de um canal permanente de comunicação com as organizações que formam a cadeia brasileira de pesquisa e inovação; o fortalecimento e a consolidação da presença e do posicionamento dessas entidades no Congresso Nacional; e a promoção da alocação de recursos orçamentários e financeiros para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.  Apesar de tantas propostas, a única ação concreta anunciada durante o lançamento foi a divulgação de um email para contato, criado em um sistema gratuito de correio eletrônico: frentepesquisaeinovacao@hotmail.com.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Brasil, o País do Presente (78): Observatório Nacional inaugura centro de pesquisa geofísica

Observatório Nacional inaugura centro de pesquisa geofísica

O Observatório Nacional (ON), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, inaugura nesta sexta-feira o primeiro Pool de Equipamentos Geofísicos do Brasil (Peg-Br), o que leva a instituição a situar-se entre os principais centros de geofísica do mundo.  As medições geofísicas para estudos geológicos incluem dados tridimensionais (profundidade) que mapeiam uma determinada região. "A gente consegue mapear de forma indireta, não invasiva, o interior da terra. Conhecer grandezas físicas do interior da terra," explica Sérgio Fontes, diretor do Observatório Nacional.

A densidade, a condutividade elétrica, a variação das ondas provocadas pelos terremotos são algumas dessas grandezas. "Tudo isso a gente pode mapear. Com implicações para recursos naturais e energéticos," afirma.  De acordo com a Lei do Petróleo, 1% da receita bruta dos poços gigantes da Petrobras e de outras operadoras do setor de petróleo e gás tem de ser aplicada em pesquisas, sendo metade nos centros de estudos das próprias empresas e metade em instituições nacionais. O Peg-Br foi construído com esses recursos, que somaram R$ 14 milhões, pagos pela Petrobras.  Fontes esclareceu, porém, que o projeto não se destina a atender somente a estatal. Os recursos passam a ser da instituição, no caso o Observatório Nacional.

"Não é só no interesse da Petrobras que o pool atua. Atua em qualquer pesquisa de interesse do Brasil, com fins não comerciais," disse. O projeto está disponível para pesquisadores das instituições que integram a Rede de Estudos Geotectônicos, coordenada pela Petrobras.  O Peg-Br já conta com mais de 30 projetos concluídos ou em andamento. Sergio Fontes destacou, entre os projetos a cargo do Observatório Nacional, a Rede Sismográfica do Sul e Sudeste do Brasil (Rsis) e a Rede Brasileira de Observatórios Magnéticos (Rebom). Os projetos receberam investimentos de R$ 6,1 milhões da Petrobras e de R$ 1,2 milhão da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), respectivamente.

Embora o Brasil não seja um país de grande atividade sísmica, o diretor do ON disse que ocorrem sismos de magnitude entre três e quatro graus na escala Richter nas regiões pesquisadas, que precisam ser monitorados. "O fato de a gente monitorar ajuda na formulação de políticas públicas".  Fontes acrescentou que a rede do Sul/Sudeste está localizada em uma área que apresenta a maior população do país. Outro ponto de destaque é que as informações que essas medidas contínuas fornecem permitem entender muito mais sobre o interior da terra e ver o que existe em profundidades elevadas, acima de 100 ou 200 quilômetros, explicou. Os sismógrafos são capazes de detectar sismos que ocorrem em qualquer local do mundo.

Os estudos referentes às redes sismográficas das demais regiões brasileiras estão sendo desenvolvidos pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Nordeste) e pelas universidades de São Paulo e de Brasília. "A idéia é que o ON centralize o banco de dados com todas as estações," disse Fontes.  Entre agosto e setembro deverão ser concluídas as instalações e até o fim do ano a rede nacional deve entrar em funcionamento pleno, quando serão feitos boletins regulares da atividade sísmica no país.

A Rede Brasileira de Observatórios Magnéticos (Rebom) conta hoje com quatro observatórios implantados. Esse número será elevado para oito.  A rede terá ainda 12 estações itinerantes, instaladas entre o Tocantins e o Amapá. Sergio Fontes lembrou que o campo magnético da terra serviu muito, no passado, para os navegadores, que utilizavam instrumentos como a bússola em seus deslocamentos pelos mares.

Da mesma forma, o campo magnético ajuda nos estudos sobre o interior da terra, permitindo conhecer a condutividade elétrica, a suscetibilidade magnética.  "São parâmetros de grandezas físicas que nos ajudam também a entender o que está ocorrendo com o planeta, que é dinâmico. E nos ajuda também com relação aos recursos energéticos, naturais", concluiu.

Mais informações sobre o laboratório podem ser obtidas no endereço www.pegbr.on.br.




segunda-feira, 6 de junho de 2011

Brasil, o País do Presente (77): Cientistas brasileiros vão estudar microfísica das nuvens

E lá vamos nós, para o alto e avante!

Cientistas brasileiros vão estudar microfísica das nuvens

Prever fenômenos extremos no Brasil - como as tempestades que costumam castigar diversas áreas no país durante o verão - com maior prazo de antecedência ainda é um desafio para os meteorologistas.  Esta é a proposta de um grupo de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).  Para isso, eles precisam entender a estrutura interna das tempestades que se originam dos principais regimes de precipitação do país.

Batizada de "Projeto Chuva", a iniciativa consiste em estudar a microfísica das nuvens, isto é, os processos físicos no interior delas, para desenvolver um modelo numérico capaz de rodar no supercomputador Tupã, em operação desde janeiro no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos, em Cachoeira Paulista (SP).  "Por conta do maior poder de resolução espacial do Tupã, é preciso parametrizar e descrever os elementos com mais detalhes. Isso implica medir o tamanho dos hidrometeoros (partículas encontradas nas nuvens), como as gotas líquidas, o granizo, o graupel (forma de granizo) e a neve, assim como sua distribuição nos sistemas climáticos", explica Luiz Augusto Machado, coordenador do projeto.

Esse processo de coleta e análise de dados será realizado em sete locais no país, representativos dos principais regimes de precipitação do Brasil. "Nosso objetivo é criar um banco de dados dessas estruturas microfísicas e verificar se elas se ajustam a essa alta resolução espacial, de até 1 quilômetro", contou.  Os experimentos tiveram início em março de 2010 no Centro de Lançamento de Alcântara (MA). De lá, os pesquisadores partiram para Fortaleza (CE), onde construíram uma torre para abrigar o radar móvel de dupla polarização.

O equipamento, considerado um dos mais modernos da área, está agora instalado no topo do prédio do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Pará, em Belém.  Além de fornecer dados e medidas sobre as estruturas das nuvens, o radar, aliado a uma série de equipamentos meteorológicos, permitirá aos cientistas conhecer os processos de precipitação relacionados à microfísica das nuvens, como a formação de descargas elétricas, efeitos radiativos e interação com aerossóis.

"A influência das gotas sobre o clima tem diversas implicações, desde processos radiativos às mudanças climáticas", explicou Machado.  Nesse processo definido como tomografia dos sistemas, o foco da pesquisa em Fortaleza foi a precipitação costeira. São as chamadas "nuvens quentes", responsáveis por grande parte das chuvas nos trópicos.  Em Belém, os pesquisadores investigam as chuvas de linhas de instabilidade, formadas por grandes aglomerados de cúmulos-nimbos e que, ao penetrar no interior da Amazônia, provocam chuvas intensas.

Em cada uma das localidades pesquisadas, serão ministrados cursos para meteorologistas sobre a instrumentação utilizada.  "O sensoriamento remoto por satélite e por radar, a microfísica e a modelagem por computação são áreas novas no setor. Por conta disso, há no Brasil poucos especialistas no assunto", disse Machado.  Além do conhecimento sobre a microfísica das nuvens, os dados obtidos em cada sistema serão aplicados no desenvolvimento de algoritmos de um novo satélite brasileiro.  Com o lançamento previsto para 2015, o satélite irá compor o Programa Internacional de Medidas de Precipitação (Global Precipitation Measurement - GPM, em inglês), liderado pelas agências espaciais Nasa (Estados Unidos) e Jaxa (Japão), para monitorar a precipitação em todo o mundo em áreas de 25 km2 a cada três horas.

No fim de 2011, será a vez do Vale do Paraíba, no interior paulista, onde predomina a zona de convergência do Atlântico Sul e são formadas as tempestades locais.  Em seguida, o grupo estudará os complexos convectivos de mesoescala em Foz do Iguaçu. Esse sistema é responsável pela formação de grandes aglomerados de nuvens, que representam 90% da precipitação na região Sul do Brasil.

Depois, os cientistas retornarão ao Norte do país para estudar, em Manaus, os diversos tipos de regimes presentes na Amazônia, entre os quais a convecção intensa local e a convecção organizada. De lá, o grupo seguirá para Brasília para pesquisar as chuvas relativas às penetrações de frentes frias, organizadas na parte central do Brasil. 

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Brasil, o País do Presente (76): Prêmio Finep de Inovação

É isso aí, vamos criar prêmios, dar bolsas de estudo e estimular a pesquisa científica no Brasil!  Se vocês fizerem a lição de casa direitinho, a Dilma vai se reeleger em 2014...

Abertas inscrições para Prêmio Finep de Inovação 2011

Foram abertas as inscrições para a edição 2011 do Prêmio Finep de Inovação.  Empresas e instituições de ciência, tecnologia e inovação podem se inscrever até 14 de outubro.  Com o conceito Inovar é investir no futuro, o prêmio terá duas fases: as regionais, cujos resultados estão previstos para novembro, e a nacional, que terá sua premiação em março de 2012.

Este ano, a premiação tem várias novidades: serão cinco categorias na etapa regional - Micro/Pequena Empresa, Média Empresa, Instituição de Ciência e Tecnologia, Tecnologia Social e Inventor Inovador - e duas categorias especiais, disputadas apenas na etapa nacional - Grande Empresa e Inovar.  O Prêmio Inovar, que era uma iniciativa separada, passa agora a ser uma categoria do Prêmio Finep e tem condições específicas. Para ela, as inscrições vão de 2 de setembro a 6 de outubro de 2011. Os vencedores ganharão o troféu Inovar.  A categoria Gestão da Inovação, instituída em 2010, não faz mais parte da premiação.

As sedes das premiações regionais em 2011 serão: Goiânia (GO), região Centro-Oeste; Campina Grande (PB), região Nordeste; Florianópolis (SC), região Sul; Porto Velho (RO), região Norte; e São Paulo (SP), região Sudeste.  A final nacional acontece tradicionalmente em Brasília.

Esta é a 14ª edição do Prêmio. Ano passado foram 885 inscrições em todo o Brasil: Norte, 82, Nordeste, 159, Centro-Oeste, 113, Sudeste, 307, e Sul, 224.  De um total de sete categorias premiadas, a de Tecnologia Social coube à Oficina Escola de Lutheria da Amazônia, de Manaus (AM). O troféu da categoria Pequena Empresa foi para a Softwell Solutions em Informática (BA), e o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife - C.E.S.A.R foi escolhido a melhor Instituição de Ciência e Tecnologia. A Embraco (SC) conquistou duas premiações - Grande Empresa e Gestão da Inovação. Também foram vencedores a Treetech Sistemas Digitais (SP), como Média Empresa, e o Inventor Inovador Julio Abel Segalle, de São Paulo.

As inscrições podem ser feitas no site www.finep.gov.br.

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No ano que vem eu penso que poderei me inscrever...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Brasil, o País do Presente (75): Embrapa da Indústria

Para quem, como eu, acompanha o programa Globo Rural pela Globo News, o título do post soa perfeitamente compreensível, visto que este órgão possui total excelência e vem fazendo pela agricultura coisas mirabolantes que você não vê nos telejornais, mais interessados em mostrar desgraças, fofocas e quetais para imbecilizar a sua mente.  Vamos aos fatos:

Ministro quer criar "Embrapa da Indústria" para desenvolver tecnologias

O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) está discutindo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) uma proposta de criação de um órgão de pesquisa para inovação tecnológica na área da indústria de transformação.  O novo órgão seguiria os moldes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), criada há cerca de 40 anos e apontada como um dos fatores que contribuíram para o país ser hoje o segundo maior produtor de alimentos do mundo.

O anúncio foi feito pelo ministro Aloizio Mercadante, durante o relançamento da Frente Parlamentar de Ciência e Tecnologia.  A ideia, segundo o ministro, é integrar nesse órgão centros de excelência como o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), ligado à Universidade de São Paulo (USP), o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e centros de alto desempenho do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), ligado à CNI.

Segundo Mercadante, a ideia é terminar a fase de consultas em julho e redigir um projeto para tramitar no Congresso Nacional. O ministro não informou se o órgão terá status jurídico de uma empresa pública, como a própria Embrapa, de um instituto de tecnologia, de uma fundação ou de uma agência, apenas respondeu aos jornalistas que essa "tem de ser uma parceria de iniciativa privada e de setor público. Não pode ser iniciativa de governo".

Além da "Embrapa da Indústria", Mercadante quer aumentar o investimento em ciência e tecnologia.  Na iniciativa privada, o mecanismo seria adotar medidas como as da China e forçar as empresas estrangeiras que queiram vender para o Brasil a nacionalizar a produção e instalar centros de pesquisa e desenvolvimento, dando como contrapartida acesso ao mercado interno com incentivo fiscal, como foi feito recentemente com a inclusão dos tablets na Lei do Bem e na Lei da Informática.  Para Mercadante, o mercado interno pode contrabalançar as dificuldades do câmbio sobrevalorizado, a alta taxa de juros para tomada de empréstimos e a elevada carga tributária.

Na esfera pública, ele sugere a utilização de recursos do Orçamento da União e dos royalties da exploração do petróleo da camada pré-sal. Mercadante defende a partilha do dinheiro do pagamento de royalties entre todos estados, com tratamento diferenciado aos estados produtores, mas quer que os recursos sejam destinados à educação e à ciência e tecnologia.  A partilha está indefinida. No ano passado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou a regra do marco regulatório (chamada de "Emenda Ibsen") que distribuía igualmente os recursos.

"No futuro não vai ter mais petróleo. Que país vamos deixar? Vamos usar esse recurso para pulverizar na máquina pública ou vamos aproveitar para investir em um setor estratégico?", perguntou o ministro ao dizer que o Brasil deve se inspirar na Noruega que utilizou o petróleo para ter poupança, criar um fundo soberano e investir em ciência e tecnologia.

Quanto ao aumento do orçamento da União, o governo deve apresentar até final de agosto ao Congresso Nacional uma proposta de Plano Plurianual (PPA) que estabelece as metas físicas e de gastos paras os orçamentos de 2012 a 2016. O ministro reclama que no final do ano passado o Congresso cortou orçamento de sua pasta para este ano. "No último orçamento cortaram R$ 610 milhões e alocaram em outras áreas que não têm importância estratégica."

Na opinião do deputado Paulo Piau (PMDB-MG), que coordena a Frente Parlamentar de Ciência e Tecnologia, o governo deve aproveitar o PPA para fazer crescer em 10% anualmente o gasto com pesquisa e desenvolvimento até chegar a um volume correspondente a 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB).  "O que temos hoje, 1,2% do PIB, serve apenas para manutenção", disse destacando que o Brasil precisa deixar de ser uma "colônia tecnológica". Em sua opinião, o país "produz mais ciência do que tecnologia e patentes" que agregam valor aos produtos e trazem recursos por causa do conhecimento desenvolvido.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Brasil, o País do Presente (74): Novo parque tecnológico da UFRJ

Essa notícia mexe fundo neste que vos escreve, pois sou egresso desta Universidade e tenho pelo campus do Fundão um grande carinho, pelos maravilhosos momentos que pude desfrutar ali, tanto como estudante quanto como profissional.  Já era hora de termos a dignidade da UFRJ resgatada!

Parque Tecnológico da UFRJ terá centros de pesquisas de 12 grandes empresas

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concluiu a última etapa da licitação para ocupação de terrenos do seu Parque Tecnológico, situado na Ilha do Fundão.  Ao todo, 12 grandes companhias vão instalar seus centros de pesquisa no local, o que representa mais de R$ 500 milhões em investimentos.

"Com essa concorrência, esgotamos os terrenos que tínhamos disponíveis neste momento para a instalação de grandes empresas", contou Maurício Guedes, coordenador do Parque Tecnológico.  As 12 companhias ocuparão uma área de 150 mil metros quadrados, do total de 350 mil metros quadrados do parque. As três empresas que aderiram nessa última fase de ocupação foram a EMC2 Brasil, a Siemens e a British Gas (BG).

A universidade planeja também expandir a área do Parque Tecnológico e, para isso, está em negociação com os governos estadual e municipal e o Exército para a liberação de terrenos que fazem parte da Cidade Universitária, mas que pertencem ao Exército.  Outro desafio é viabilizar a instalação de empresas de pequeno e médio porte no Parque Tecnológico.

"Para isso, nós temos um terreno que está disponível, de 20 mil metros quadrados, para instalação de um prédio, que nós estamos chamando de Torre da Inovação. Será um edifício com um gabarito mais elevado do que o padrão atual da Ilha do Fundão, para instalar até uma centena de pequenas empresas," explicou Guedes.  Segundo ele, a ideia é atrair empresas que tenham interesse em interagir com os grupos de pesquisa da universidade.

O objetivo é que o parque desempenhe a função de ter um elenco expressivo de grandes empresas com centros de pesquisa e, ao mesmo tempo, de gerar oportunidade para que empresas brasileiras de pequeno e médio porte possam conviver no mesmo ambiente.  Com a ocupação total, o Parque Tecnológico da UFRJ vai gerar 5 mil empregos qualificados na região.  A maioria das empresas é do setor de petróleo e gás, mas também há empresas dos segmentos eletrônico, siderúrgico, de tecnologia da informação, entre outros.

Guedes informou que 20% da área do parque são ocupados por laboratórios especiais da UFRJ, entre os quais o Tanque Oceânico, da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe).

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Será que eu consigo um espaço para instalar o meu centro de pesquisas de Design?


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Brasil, o País do Presente (73): Ciência e tecnologia podem perder R$1 bi com lei do pré-sal

Alguém aí pode dar uma traulitada de caminhão de lixo nesse governo tresloucado?  Isso é inaceitável!!!


Ciência e tecnologia podem perder R$1 bi com lei do pré-sal

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, afirmou hoje que o setor pode perder até R$ 1 bilhão com a nova lei do pré-sal, em discussão no Congresso Nacional.  Ele alertou que a falta de recursos poderá travar o desenvolvimento de pesquisas de ponta, fazendo com que o Brasil se acomode na posição de ser apenas um grande exportador de commodities.

Mercadante participou da Reunião Magna de 2011 da Academia Brasileira de Ciências, quando expôs aos cientistas as metas e os desafios de seu ministério.  Ele disse que o setor só não foi prejudicado este ano porque o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu último dia de governo, garantiu mais um ano de recursos para o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

"Este ano, nós já teríamos perdido R$ 900 milhões pela decisão do Congresso de como repartir os royalties do petróleo. O MCT, que tinha uma parcela assegurada de receita, teve ela [a parcela] diluída no Fundo Social, que ainda não está regulamentado, mas que jamais chegará ao que nós tínhamos. O [ex] presidente Lula manteve a participação e nos deu uma receita segura para 2011", disse o ministro, que teme perder recursos para a pesquisa e inovação a partir de 2012.

Mercadante participou de audiência pública no Senado, quando vai expor o Plano de Ação de seu ministério na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT).  Ele aproveitou a oportunidade para sensibilizar os senadores a evitarem a perda de recursos que deveriam ir para a ciência e tecnologia, mas que podem ir para outros setores.  "Estou alertando o Congresso. Fiz esse debate na Câmara e farei no Senado. Vou dizer que essa disputa é central para a ciência, tecnologia e inovação. Temos que encontrar uma saída que preserve os recursos para o setor."

O ministro enfatizou que o Brasil não pode cair na armadilha de se acomodar em ser apenas um grande exportador de commodities e precisa disputar o mercado mundial de tecnologia de ponta.  "O país hoje tem um momento excepcional. Os produtos agrícolas e o minério de ferro estão com preços excelentes e estamos virando exportadores de derivados de petróleo. Isso vai dar bem-estar, receita e superávit comercial para o Brasil. Mas o país tem que usar isso como uma janela de oportunidade. Não pode se acomodar nesse papel. Tem que desenvolver o setor de alta e média tecnologia."

Para exemplificar o desafio proposto, Mercadante disse que o Brasil precisa vender 21 mil toneladas de minério de ferro ou 1.742 toneladas de soja para importar uma tonelada de circuito integrado, que custa, a preços atuais, US$ 848 mil.  "O que é um circuito integrado? É inteligência, ciência, tecnologia. Nós temos que disputar esses setores de ponta e, para isso, é preciso investir, assegurando uma margem do pré-sal para o futuro do Brasil."

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Pois é... o município de Macaé responde por cerca de 80% da produção nacional de petróleo e é aquela roça decadente.  Se fosse em um país com governo de verdade e com uma população educada e consciente, o lugar seria mais luxuoso do que o Principado de Mônaco...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Brasil, o País do Presente (72): Agricultura de precisão

Quando selecionei esta notícia achei muito interessante o conceito de "agricultura de precisão" e logo imaginei como nós, designers, poderíamos nos inserir neste processo com a nossa expertise.

Instituto recebe recursos para desenvolver agricultura de precisão

O Centro de Inovações CSEM Brasil, de Belo Horizonte (MG), vai receber R$ 12,9 milhões do BNDES.  Os recursos serão usados para desenvolver sistemas tecnológicos para monitoramento agrícola e aparelhar laboratório de pesquisa em nanotecnologia, microssistemas e sensores voltados para as indústrias automobilística, aeronáutica, de semicondutores, entre outras.  A operação, aprovada no âmbito do Fundo Tecnológico (Funtec), envolve ainda investimentos na absorção de tecnologia e capacitação de profissionais.

O sistema destinado à agricultura de precisão, a ser desenvolvido pela CSEM Brasil, permitirá a integração de sensores, agregados a uma rede sem fio de transmissão de dados, distribuídos ao longo da área a ser monitorada.  Serão possíveis leituras precisas e automatizadas do comportamento de todos os aspectos físicos do campo e da lavoura, fornecendo dados consolidados da cultura.

O sistema proporcionará a redução dos custos de produção e aumento da produtividade da terra, reduzindo também o impacto ambiental causado pelo uso excessivo de fertilizantes e defensivos.  Entre os méritos do projeto, destacam-se o estímulo à pesquisa com a criação de infraestrutura moderna, a integração com as empresas do conhecimento gerado nas universidades e nos centros de excelência, além da capacitação de profissionais e estudantes em novas tecnologias em segmentos estratégicos.

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Embrapa participam do projeto. A UFMG foi contratada para participar do design e do desenvolvimento de um sensor multifrequência para aferição de umidade. A Embrapa deverá ser contratada para participar da execução de testes e ensaios em campo.  A tecnologia utilizada no projeto também permitirá o desenvolvimento, no Brasil, de soluções diferenciadas de encapsulamento de chips, além do desenvolvimento de sistemas híbridos, que possuem aplicação em diversas indústrias.

Constituído em 2006, o CSEM Brasil - pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos - resulta de negociações com o CSEM Suíça (Centre Suisse d'Eletronique et de Microtechnique). A partir da identificação de demandas de mercado, o CSEM Brasil atuará na transformação de micro e nano tecnologias em produtos e processos empresariais inovadores.  O CSEM Brasil tem como objetivo executar atividades de pesquisa científica e tecnológica aplicada e promover a interface entre o mercado e a comunidade científica, visando o desenvolvimento de tecnologias e produtos de alto valor agregado. O CSEM utiliza-se de laboratórios e equipamentos existentes nas universidades e centros de pesquisa de suas próprias instalações.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Brasil, o País do Presente (71): Maior programa mundial de estudos espaciais será realizado no Brasil

Hoje é meu aniversário de 47 anos e resolvi postar uma notícia de ponta relacionada com a nossa coluna semanal, que mostra as coisas boas que rolam no Brasil, a despeito do silêncio midiático.  Vamos lá!

Maior programa mundial de estudos espaciais será realizado no Brasil

Universidade Internacional do Espaço (ISU, na sigla em inglês) escolheu o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT) como sede do mais importante e abrangente programa de treinamento do mundo na área.  O SSP13 (Space Studies Program) vai atrair para São José dos Campos (SP) cerca de 120 estudantes de diversos países para aulas sobre engenharia e aplicações de satélites, política, gestão e legislação espacial, entre outros temas.  Serão nove semanas de estudos multidisciplinares, de 17 de junho a 17 de agosto de 2013.

"Esperamos um grande SSP no Brasil. Encontramos no Inpe instalações excelentes, nível de conhecimento técnico muito alto e a valorização dos estudos espaciais como condição para a melhoria da humanidade", declarou Michael Simpson, presidente da ISU, sobre a escolha do Inpe como sede do programa em 2013.

Embora possua um campus central na França, a cada ano a ISU elege instituições ao redor do mundo para realizar este programa.  "Estamos orgulhosos, pois o Inpe e a cidade de São José dos Campos terão a oportunidade de reunir especialistas do mundo todo, ao mesmo tempo em que se destacam as iniciativas brasileiras nas áreas de aplicações, engenharia e ciências espaciais, promovendo a cooperação internacional", comenta Gilberto Câmara, diretor do Inpe.

Fórum internacional para o intercâmbio de conhecimentos e ideias sobre desafios relacionados ao espaço, a ISU pretende desenvolver os futuros líderes da comunidade mundial no setor, fornecendo programas educacionais para estudantes e profissionais em um ambiente internacional, intercultural e interdisciplinar. Desde a sua fundação, em 1987, a ISU já formou mais de 3 mil estudantes de 100 países.

Além das aulas teóricas e práticas no Inpe, durante o SSP13 serão realizadas visitas técnicas a outras instituições e empresas privadas. Estão previstas ainda atividades abertas ao público em geral, como oficinas e workshops com a participação de astronautas e personalidades internacionais.  "Assim que tivemos a confirmação da escolha da sede pela ISU, começamos a organizar um comitê local formado principalmente por especialistas do Inpe e de órgãos parceiros que são ex-alunos do programa. Um de nossos compromissos é com o envolvimento da comunidade nas atividades", informa Antonio Yukio Ueta, assessor técnico do Inpe e responsável pelo comitê local do SSP13.

O SSP é um treinamento de altíssimo nível baseado no Princípio 3 I's da ISU: Internacional, Intercultural e Interdisciplinar. Um de seus principais objetivos é incentivar o desenvolvimento inovador do espaço para fins pacíficos, buscando o avanço do conhecimento e a melhora da vida na Terra. O programa possui três fases: Core Lectures, Departments e Team Project.

Core Lectures são as aulas teóricas e práticas dos sete departamentos da ISU: Engenharia de Sistemas, Ciências Físicas, Ciências da Vida, Espaço e Sociedade, Política e Lei, Aplicações de Satélites, Negócios e Gerenciamento. Esta fase inclui workshops, painéis e atividade multidisciplinares e, ao final, os estudantes são submetidos a um rigoroso exame.

A fase seguinte, Departments, consiste em tutoriais, visitas técnicas, atividades práticas e apresentações com foco específico de cada departamento. Por último, durante o Team Project (TP), os estudantes têm a missão de desenvolver e documentar um projeto temático.

O SSP já foi realizado nas seguintes cidades: Houston, Cambridge, Mountain View, Cleveland, Pomona e Huntsville (EUA); Estrasburgo e Toulouse (França); Toronto e Vancouver (Canadá); Barcelona (Espanha); Pequim (China); Adelaide (Austrália); Bremen (Alemanha); Viena (Áustria); Estocolmo (Suécia); Kitakyushu (Japão); Viña del Mar e Valparaíso (Chile); e Nakhon Ratchasima (Tailândia).



segunda-feira, 11 de abril de 2011

Brasil, o País do Presente (70): Energia eólica brasileira

Ao que parece estamos caminhando novamente no sentido de utilizar a tão abundante e desperdiçada matriz eólica brasileira.  Se fizermos investimentos sérios nela e em outras matrizes abundantes como a energia solar e a geotérmica, penso que deixaremos o pré-sal para abastecer necessidades mais nobres.  Fiz uma coleta de informações a respeito para vocês lerem e ponderarem...

Aprovada instalação de mais nove parques eólicos no Brasil
A diretoria do BNDES aprovou financiamento de R$ 790,3 milhões para a instalação de nove parques eólicos no Brasil.  Oito deles serão construídos no Ceará, com capacidade instalada total de 211,5 MW. O nono parque eólico, em Tramandaí, no Rio Grande do Sul, terá 70 MW de potência instalada.

O crescente apoio do Banco ao setor vem contribuindo para o aumento da capacidade de energia renovável na matriz energética brasileira.  Atualmente, os 51 parques eólicos em operação no Brasil possuem capacidade instalada de 937 MW.  Além destes, outros 18 projetos estão em construção, com mais 500,8 MW para entrar em operação ao longo de 2011, incluindo o parque eólico de Tramandaí.

As autorizações para investimentos em energia eólica cuja construção ainda não foi iniciada já atingem 3.600 MW, distribuídos por 134 projetos.  No BNDES, já foram assinados ou estão em processo de assinatura, incluindo as duas operações recém-aprovadas, 51 contratos de financiamento diretos e indiretos, no valor total de R$ 4,1 bilhões, para a implantação de 1.369 MW. Além desses, outras 44 operações estão em análise, demandando financiamentos da ordem de R$ 3,3 bilhões.

Os recursos agora aprovados serão destinados a oito sociedades de propósito específico (SPEs) constituídas pelo Grupo IMPSA em parceria com o Fundo de Investimento do FGTS - FI FGTS, exclusivamente para os projetos. O BNDES financiará, de forma indireta, R$ 562,6 milhões a serem repassados pela Caixa Econômica Federal.

Os parques, situados nos municípios de Acaraú, Itarema e Aracati, terão capacidade de 156 MW, 30MW e 25,5MW, respectivamente, e foram vencedores no segundo Leilão de Energia de Reserva de 2009.  Com isso, tiveram direito a assinar Contratos de Comercialização da Energia com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) por período de 20 anos, com preço médio de R$ 151/MWh ajustado anualmente pela variação do IPCA.

O valor reflete o aumento da concorrência entre os fabricantes de aerogeradores. Esse novo cenário pode ser atribuído à futura instalação de novos competidores no Brasil.  Os aerogeradores utilizados pelos Parques são credenciados pelo BNDES e fabricados na fábrica do grupo IMPSA, Wind Power Energia (WPE), no Complexo de Suape, em Pernambuco.


Tecnologia nacional cria rotor aerodinâmico para turbinas de energia eólica
Os empreendimentos são relevantes para os municípios em termos socioeconômicos. Vão criar 1,2 mil empregos diretos durante a construção e 2,5 mil indiretos, com efeito multiplicador de renda na região. Além disso, haverá aproveitamento da mão-de-obra local, evitando o desemprego, com treinamento e especialização dos empregados.

O Parque Eólico Elebrás Cidreira 1, no município de Tramandaí, está incluído no Proinfa, o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica, do governo federal, e receberá do BNDES R$ 227,7 milhões.  Toda a energia do Parque foi vendida para a Eletrobras por um prazo de 20 anos e deverá começar a ser entregue pelas distribuidoras a partir de março de 2011. Os investimentos serão realizados pela Elebrás Projetos S/A, do Grupo EDP.

O projeto, por se tratar de uma fonte de energia renovável, trará benefícios à população e à infraestrutura local, tais como reduzido impacto ambiental, sem a produção de resíduos de qualquer natureza, e ausência de emissão de gases de efeito estufa.  Trará, ainda, efeitos positivos para a economia local. Durante a fase de construção, serão criados 535 empregos diretos.



Brasil está desperdiçando seu potencial eólico

Mais de 71 mil quilômetros quadrados do território nacional, em sua quase totalidade na costa dos estados do Nordeste, contam com velocidades de vento superiores a sete metros por segundo, que propiciam um potencial eólico da ordem de 272 terawatts-hora por ano (TWh/ano) de energia elétrica.

Trata-se de uma cifra bastante expressiva, uma vez que o consumo nacional de energia elétrica é de 424 TWh/ano, aponta estudo publicado na Revista Brasileira de Ensino de Física, de autoria de pesquisadores do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).  "Os números do potencial eólico brasileiro foram estimados com os mesmos modelos de previsão de tempo e estudos climáticos. Como esses modelos são validados para locais específicos das diferentes regiões do país, esse potencial eólico pode estar subestimado", disse Fernando Ramos Martins à Agência FAPESP.

Mas, segundo ele, com as informações disponíveis atualmente, levando em conta todas as dificuldades inerentes aos altos custos da geração de energia eólica, é possível afirmar que apenas o potencial da energia dos ventos do Nordeste seria capaz de suprir quase dois terços de toda a demanda nacional por eletricidade.  "O problema é que, atualmente, o índice de aproveitamento eólico na matriz energética brasileira não chega a 1%. A capacidade instalada é muito pequena comparada à dos países líderes em geração eólica. Praticamente toda a energia renovável no Brasil é proveniente da geração de hidreletricidade", apontou.

Parte dos dados do estudo também foi extraída do Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, produzido pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) com o objetivo de fornecer informações para capacitar tomadores de decisão na identificação de áreas adequadas para aproveitamentos eólico-elétricos.  "Os locais mais propícios no país para a exploração da energia eólica estão no Nordeste, principalmente na costa do Ceará e do Rio Grande do Norte, e na região Sul", disse Martins.

Além de descrever a evolução do aproveitamento da energia eólica no mundo, os pesquisadores do Inpe trazem no artigo dados inéditos sobre a situação atual do uso desse recurso para geração de eletricidade em diferentes países.  Segundo o estudo, o setor de energia eólica tem apresentado crescimento acelerado em todo o mundo desde o início da década de 1990. A capacidade instalada total mundial de aerogeradores voltados à produção de energia elétrica atingiu cerca de 74,2 mil megawatts (MW) no fim de 2006, um crescimento de mais de 20% em relação ao ano anterior.

"Enquanto o Brasil explora menos de 1% de sua energia eólica, países como Alemanha, Espanha e Noruega utilizam por volta de 10%", disse Martins, lembrando que a conversão da energia cinética dos ventos em energia mecânica é utilizada há mais de três mil anos.  Em 2006, o Brasil contava com 237 megawatts (MW) de capacidade eólica instalada, principalmente por conta dos parques na cidade de Osório (RS). O complexo conta com 75 aerogeradores de 2 MW cada, instalados em três parques eólicos com capacidade de produção de 417 gigawatts-hora (GWh) por ano.

O pesquisador do CPTEC aponta ainda que, dentre as fontes energéticas que não acarretam a emissão de gases do efeito estufa, a energia contida no vento também demonstra potencial para atender à segurança do fornecimento energético no país.  "Políticas nacionais de incentivos estão começando a produzir os primeiros resultados, a exemplo do Proinfa [Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica]. Espera-se um crescimento da exploração desse recurso nos próximos anos no Brasil", disse Martins.

O Proinfa, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, foi criado em 2002 para a diversificação da matriz energética nacional. O programa estabelece a contratação pelas empresas de uma parcela mínima de energia elétrica produzida a partir de fontes renováveis, entre as quais energia eólica e a energia proveniente de pequenas centrais hidrelétricas.  Martins destaca ainda duas iniciativas do CPTEC que têm dado suporte científico à produção de informações sobre os recursos eólicos no território brasileiro. Entre os esforços mais recentes, explica, estão a base de dados do Projeto Sonda, um sistema de coleta de dados de vento operado e gerenciado pelo centro.


O objetivo do projeto, que tem dezenas de estações de coleta de dados eólicos com medidores instalados em diversos estados brasileiros, é disponibilizar informações que permitam o aperfeiçoamento e a validação de modelos numéricos para estimativa de potencial energético de fontes renováveis.  O levantamento dos recursos de energia eólica no Brasil também vem sendo realizado pelo projeto Solar and Wind Energy Resources Assessment (Swera), conduzido pela Divisão de Clima e Meio Ambiente do CPTEC, com financiamento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Toda a base de dados gerada até o momento pelo Sonda e pelo Swera, que teve sua segunda fase iniciada no começo de 2009, estará disponível para acesso gratuito no site dos projetos.  "Essas bases de dados são extremamente úteis para a definição de políticas junto ao setor energético nacional e para o desenvolvimento de projetos de pesquisa científica sobre a temática do aproveitamento de recursos energéticos. Os resultados obtidos até o momento demonstram o potencial do país no que diz respeito à disponibilidade dos recursos renováveis", afirmou Martins.

Além de apresentar uma revisão dos conceitos físicos relacionados ao emprego da energia cinética dos ventos na geração de eletricidade, o artigo descreve ainda os aspectos dinâmicos dos ventos e detalhes sobre a circulação atmosférica na Terra, incluindo os fatores que influenciam a velocidade e direção dos ventos nas proximidades da superfície.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Brasil, o País do Presente (69): Campinas terá seu terceiro parque tecnológico

Fiquei muito satisfeito ao saber dessa notícia, visto que precisamos muito investir em ciência e tecnologia para facilitar nossa caminhada como potência mundial emergente.  Agora precisamos é replicar esse exemplo por todos os estados do Brasil...

Campinas terá seu terceiro parque tecnológico

Autoridades do Ministério da Ciência e Tecnologia, empresários, pesquisadores e representantes de instituições de pesquisa estiveram presentes no lançamento da pedra fundamental de um novo parque tecnológico que será erguido junto ao Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer.

O objetivo do novo parque é viabilizar a sinergia entre empresas e entidades de pesquisa que atuem em setores tecnológicos de ponta em parceria com o CTI.  O Parque Tecnológico CTI-Tec terá 5000m2, financiados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT), com um investimento de mais de R$ 15 milhões.

Com cinco edifícios, estima-se que a Fase 1 do projeto possa abrigar até 16 empresas. O cronograma de obras prevê a conclusão das obras no primeiro trimestre de 2012.  Os editais para que as empresas interessadas possam integrar o parque já estão sendo elaborados e serão publicados ainda em 2011.

Conduzir projetos de P&D em parceria com o CTI será uma das condições primordiais para que as empresas se instalem no CTI-Tec.  Virgílio Almeida, Secretário de Política de Informática do MCT, apontou a importância da criação de um parque tecnológico em uma unidade de pesquisa do Ministério, lembrando que diferentemente das universidades, as instituições tecnológicas possuem maior integração com a indústria e o setor produtivo.

Já Jacobus Swart, diretor do CTI, ressaltou que o CTI-Tec promoverá um ecossistema favorável à inovação. "Vamos trabalhar conjuntamente com as empresas aqui instaladas, trocando informações que agregarão conhecimento ao instituto, e desenvolvendo produto finais de alta tecnologia para a indústria".  O CTI apoia diversas pequenas e médias empresas nacionais, por meio de prestação de serviços tecnológicos e de transferência de conhecimento técnico-científico. 

Em 2010, o centro interagiu com 135 empresas, realizando 635 serviços tecnológicos nas áreas de prototipagem rápida, análise de falhas e ensaios de confiabilidade em hardware, reparos e retrabalhos de displays, melhoria de processo e qualidade de software, aplicação de benchmarking industrial e produção de máscaras litográficas.

Todos os projetos junto ao CTI contam com o apoio na área de propriedade intelectual através da Coordenação de Inovação Tecnológica.  O CTI-Tec será o terceiro Parque Tecnológico de Campinas, que já conta com um já existente no CPqD e outro também em construção na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).  A região metropolitana da cidade é rica em universidades, instituições de pesquisa e indústrias de tecnologia. Campinas, isoladamente, é responsável por 1% do PIB brasileiro e responde por aproximadamente 15% de toda a produção científica nacional.

A região concentra cerca de um terço da produção industrial do estado de São Paulo, com destaque para as indústrias de alta tecnologia e o parque metalúrgico, sendo considerado a capital do Vale do Silício Brasileiro. Os 19 municípios da Região Metropolitana de Campinas abrigam mais de 10.000 empresas de médio e grande porte.

O pólo petroquímico de Paulínia, a poucos quilômetros de Campinas, é o maior do Brasil. Outra grande vantagem estrutural é o Aeroporto de Viracopos, o maior aeroporto de carga de importação/exportação da América Latina.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Brasil, o País do Presente (68): Biodiesel de Café?

É isso aí mesmo!  O nosso popular cafezinho pode, além de nos proporcionar deleite (perdoem o trocadilho infame) virar combustível para os possantes bólidos que trafegam por esse país de dimensões continentais.  Não acredita, então leia o texto abaixo!

Cientistas da USP produzem biodiesel da borra de café

Cientistas da USP demonstraram que é possível usar a borra de café - o que resta do café em pó depois que ele é coado - para a produção de biodiesel.  O processo consiste em extrair um óleo essencial da borra de café. Este óleo mostrou ser uma matéria-prima viável para a produção do biodiesel.  A produção do biocombustível a partir do resíduo foi testada pela química Denise Moreira dos Santos, em escala laboratorial.

O estudo concluiu que a técnica é adequada para a produção do biodiesel em pequenas comunidades, para o abastecimento de tratores e máquinas agrícolas, por exemplo.  "No Brasil, há um grande consumo de café, calculado em 2 a 3 xícaras diárias por habitante, por isso a produção de resíduo é intensa em bares, restaurantes, casas comerciais e residências.  "O óleo essencial, responsável pelo aroma do café, já é utilizado em química fina, mas sua extração diretamente de grãos de alta qualidade é muito cara", conta a professora.  A borra do café também contém óleos essenciais, que podem contaminar o solo quando o resíduo é descartado no meio ambiente.

O processo de obtenção do biodiesel é o mesmo adotado com outras matérias-primas.  "O óleo essencial é extraído da borra de café por meio da utilização de etanol como solvente," conta Denise. "Após a extração, o óleo é posto em contato com um catalisador alcalino, que realiza uma reação de tranesterificação com a qual se obtém o biodiesel."  As características dos ácidos graxos do óleo essencial do café são semelhantes aos da soja, embora estejam presentes em menor quantidade.

A partir de um quilo de borra de café é possível extrair até 100 mililitros de óleo, o que geraria cerca de 12 mililitros de biodiesel.  "No Brasil são consumidas aproximadamente 18 milhões de sacas de 60 quilos de café, num total de 1,08 milhões de toneladas, o que irá gerar uma quantidade considerável de resíduos," aponta a professora.

"Todo o experimento para obtenção de biodiesel foi realizado em escala laboratorial", explica Denise, que é professora do curso técnico de Química do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (CEETPS), em São Paulo. "O objetivo da pesquisa é mostrar aos alunos que é possível aproveitar um resíduo que é descartado no ambiente para a produção de energia".

Segundo a professora, a implantação do processo de produção do biocombustível em escala industrial dependeria de um trabalho de conscientização da população para não jogar fora a borra de café, que seria recolhida para extração do óleo.  "Sua utilização é indicada para pequenas comunidades agrícolas, que produziriam seu próprio biodiesel para movimentar máquinas", sugere.

Denise lembra que em algumas fazendas de café, a borra é armazenada no refrigerador para ser usada como fertilizante. "Entretanto, seu uso frequente pode fazer com que os óleos essenciais contaminem o solo", alerta. "O aproveitamento desse resíduo para gerar energia pode não ser uma solução mundial, mas está ao alcance de pequenas localidades".

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Ok, Obama, não precisa nos apoiar, nós conseguimos sozinhos...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Brasil, o País do Presente (67): Reator fotoquímico inovador

Em tempos de visita presidencial americana, que ao meu ver foi puro proselitismo comercial e diplomático, continuamos dando notícias sobre o que vem sendo feito de excepcional no Brasil e que repercute mais no exterior do que pela mídia bolorenta daqui. 

Mas antes dá só uma olhadinha nesse vídeo do 60 Minutes sobre a nossa querida terrinha e pense a respeito...






Reator fotoquímico brasileiro inova com tecnologia de LEDs
Reatores fotoquímicos são usados, entre outros, na investigação de reações fotoquímicas, nos estudos da fotossíntese artificial e da terapia fotodinâmica, técnica utilizada no tratamento do câncer.  A maior inovação do novo reator fotoquímico é a substituição das lâmpadas fluorescentes por LEDs, uma nova tendência em tecnologia que aumenta consideravelmente a eficácia luminosa do aparelho.

O equipamento nacional foi desenvolvido ao longo de três anos por João Fernando Possato, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, e Alzir Azevedo Batista, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).  "As vantagens oferecidas pelos LEDs são inúmeras, incluindo menor consumo de energia elétrica, maior durabilidade - os LEDs são até mil vezes mais duráveis do que as lâmpadas fluorescentes - menor geração de calor e, o mais importante, a seletividade luminosa que eles oferecem, permitindo selecionar eletronicamente o LED com pico de emissão luminosa ideal para a reação fotoquímica que se deseja irradiar", afirma Possatto.  Um reator convencional, fabricado na Inglaterra, chega a custar cerca de US$ 5 mil.

O reator convencional exigia que o controle de cada um dos fatores fosse manual: para diminuir ou aumentar a intensidade da luz era necessário reduzir ou aumentar a quantidade de lâmpadas no interior do reator, o que demandava tempo e trabalho. O tempo de funcionamento do aparelho também era cronometrado por ação humana, ou seja, ao fim da reação, o equipamento precisava ser desligado manualmente. "Para uma reação simples, de duas ou três horas, não há grandes transtornos, mas no caso de uma reação demandar doze horas, o que é comum, há problemas", explica Possatto.

Pensando nisso, os pesquisadores planejaram um reator inteligente, controlado eletronicamente.  Já que os LEDs têm a característica de permitir um maior controle do seu funcionamento, Possatto desenvolveu um sistema embarcado no reator, microcontrolado, com uma interface gráfica de fácil utilização para o usuário.

Esse sistema permite a programação eletrônica da intensidade da emissão de luz, a seleção da energia, o tempo de excitação luminosa e monitoramento da temperatura.  Outra vantagem dessa tecnologia é o menor impacto ao meio ambiente. Afinal, a substituição das lâmpadas incandescentes ou fluorescentes pelos LEDs, além de mais eficiência, causa um impacto menor no ambiente.

O aparelho inglês, convencional, é composto por um conjunto de lâmpadas fluorescentes que, por conter mercúrio, acabava contaminando o meio ambiente no processo de descarte.  "Os LEDs são considerados uma tecnologia limpa, reciclável, por isso mais seguros e compatíveis com o projeto Química Verde, que é uma tentativa de reduzir os contaminantes e trabalhar por uma química mais sustentável", explica o professor Batista.

O reator de LEDs está agora em fase de patenteamento e o próximo passo será a fabricação e a comercialização do reator fotoquímico. Os pesquisadores já foram procurados por empresas interessadas: "Estaremos prontos para começar a produção em cerca de seis meses, e estamos iniciando a etapa de procura por parceiros para essa produção," conclui o professor Batista.

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Já que o Obama não vai nos apoiar para que o Brasil conquiste uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU - aquele clubinho de faz de conta dos "amigos da OTAN" - vamos obter o mesmo com a nossa competência e levando outras nações conosco.  Afinal, se o negócio lá se denomina "Organização das NAÇÕES UNIDAS", não dá mais prá ficar só "na mão de meia dúzia", não é mesmo?  Aguardem os próximos anos...

segunda-feira, 14 de março de 2011

Brasil, o País do Presente (66): Laboratório de pesquisas marítimas

Findo o esquindô-lelê, voltamos ao mundo real e tocamos em frente o nosso barco, que aliás é um ótimo trocadilho para a notícia a seguir...

Brasil construirá laboratório marítimo em plataforma desativada

Uma das propostas em discussão é viabilizar a primeira plataforma oceânica brasileira, um laboratório em alto mar voltado para pesquisas científicas e tecnológicas.  A ideia foi apresentada aos pesquisadores pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, em simpósio promovido na sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em Brasília.

Estudos da Petrobras apontam para a possibilidade de aproveitamento da estrutura de plataformas de exploração de petróleo que estão sendo desativadas pela companhia, que podem ser convertidas para laboratórios científicos.  No laboratório serão feitas pesquisas marinhas de alto nível relacionadas às correntes oceânicas, vida marinha, biotecnologia e geologia, sobretudo geologia do petróleo, em apoio à exploração do pré-sal.

As discussões foram desenvolvidas a partir de três vertentes: Pesquisa e Desenvolvimento, Recursos Humanos e Aspectos Institucionais e Logística.  Ao final dos debates, o grupo chegou ao consenso de que um laboratório oceânico dessa natureza é importante para alavancar as pesquisas oceanográficas no Brasil, sendo um grande investimento, tanto do ponto de vista político-estratégico quanto científico.

Os cientistas prepararam uma série de sugestões, que serão apresentadas ao ministro como subsídio para desenvolvimento de pesquisas, formação e capacitação de recursos humanos em Ciências do Mar, utilizando a Plataforma Oceânica como base para os avanços das pesquisas.

Outra iniciativa para facilitar a coleta de dados sobre o mar é o Projeto Pirata, implantado desde 1997.  Trata-se de uma cooperação entre Brasil, Estados Unidos e França, que trabalha com um conjunto de boias oceânicas ancoradas no Atlântico Tropical, tendo no Brasil a coordenação do INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais), em parceria com a Marinha.

Os equipamentos mantêm registros diários dos valores de temperatura, de salinidade e de precipitação, dados utilizados para o estudo do clima e do oceano. "Essas boias são essenciais para entendermos de que forma o Oceano Atlântico Tropical afeta o clima do Brasil", ressalta o pesquisador titular do Inpe, Paulo Nobre.

O especialista reforça que o conhecimento na área é importante para se entender a influência do mar em ocorrências como grandes secas e inundações, cada vez mais intensas no País. "Essa variabilidade do clima sobre o Brasil é muito impactada pela dinâmica do Oceano Atlântico. O Oceano Atlântico era, até então, recentemente, um vazio de dados e de conhecimento, então essas boias visam sanar essa falta," sustenta.

Os dados são coletados pelas boias a cada hora e transmitidos por satélites brasileiros e europeus. As informações são processadas e disponibilizadas na internet, na página do Inpe e de outras instituições nos Estados Unidos e na França, e enviadas a centros de meteorologia para serem utilizados para as previsões de tempo e de clima.

No Brasil, o projeto é estruturado através do Comitê Nacional do Projeto Pirata, que conta com a presidência do Inpe e a participação da Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha do Brasil, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), entre outros.


A novidade é que o Projeto Pirata começa a trabalhar na consolidação e capacitação dos laboratórios de calibração de sensores na construção das boias no Brasil.  "Esse é um processo que, até então, vinha sendo feito pela NOAA (na sigla em inglês - Administração Oceânica e Atmosférica Nacional) nos Estados Unidos, e agora nós estamos dando mais esse passo que é para que todo o processo das boias - coleta dos dados, retirada anual do mar para calibrações - sejam feitas no Brasil", informa Nobre.  Os novos rumos do projeto, os investimentos e a operacionalização também já foram discutidos em uma outra reunião no Ministério da Ciência e Tecnologia.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Brasil, o País do Presente (65): A Revolução dos Emergentes

Ok, meus queridos leitores, eu sei que é Carnaval.  Mas isso não é motivo para interromper nossa coluna mais querida e olhar apenas para as folias de Momo, certo?  Leiam o texto a seguir e reflitam, passada a ressaca momesca, sobre as importantes informações nele contidas.
A revolução dos emergentes

Em meio a tantas especulações sobre a crise econômica e sua repercussão no Brasil, a VOCÊ S/A foi conversar com o embaixador Marcos de Azambuja, negociador com notável atuação internacional. A partir de sua experiência profissional, ele mostra, nesta entrevista, como pensa o Brasil de hoje, a crise, as novas gerações que estão chegando ao poder.

E foi além, ao falar sobre o papel do Estado momentos antes de Barack Obama salvar a General Motors e os jovens iranianos saírem às ruas pedindo mais liberdade. Marcos de Azambuja sinaliza o futuro com otimismo, sem euforia, levando em conta a história e a capacidade de criação e de renovação das novas gerações.

Homem do mundo, ele atuou como embaixador na Argentina e na França, foi chefe da Delegação do Brasil para Assuntos de Desarmamento e Direitos Humanos e coordenador da Conferência Rio 92. Hoje, é vice-presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e autor de textos e palestras. Especialista em desarmamento e desenvolvimento sustentável, governança corporativa e integração regional, direitos humanos, Antártica e política espacial, ele ainda tem tempo de participar, entre outros, dos conselhos da PSA (Peugeot-Citroën) e da Confederação Nacional do Comércio.

Qual a melhor maneira de encarar a crise – esta e, provavelmente, outras que virão?
A idéia da crise embute dois conceitos: o de gravidade, do contrário não seria uma crise, e o de brevidade, porque toda crise, por definição, é passageira, transitória. Mas não se pode fazer o jogo da crise. Ou seja, as pessoas têm de focar no pós-crise.

Pensar, primeiro, no que fazer quando ela começar a perder força e, depois, estar preparado para quando o mundo se reorganizar. Esta é uma crise grave, tem uma duração que não sei prever, mas depois dela surgirá um mundo novo, com todas as promessas e possibilidades do que é novo. No entanto, no curto prazo, há turbulências, as oportunidades serão vistas a partir do médio prazo.


Que mundo novo é esse?
A crise permite a reorganização da vida internacional. O que estava estratificado passa a ficar em suspensão. Então, para um país como o Brasil, que ambiciona ser re-hierarquizado, ir para um lugar mais alto na pirâmide do poder, a crise se mostrou uma oportunidade.

Por ser emergente, o Brasil tem condições de aproveitar a crise para mudar seu patamar de inserção internacional e sair mais alto do que entrou nessa pirâmide — o que era impensável décadas atrás.


O senhor acha que a chamada Geração Y consegue ter uma visão equilibrada assim?
É da natureza do jovem o sentido de urgência, a vitalidade, a pressa, a ambição. Não se pode pedir ao moço que ele seja outra coisa se não moço. Isso seria negar sua própria condição. O que a nova geração deve levar em conta é que o tempo tem sempre a mesma velocidade.

Há períodos em que pouca coisa acontece e o tempo parece andar mais devagar, e há períodos em que as coisas andam muito depressa. A crise é mais um acelerador do que um retardador. Portanto ela traz a oportunidade de sua superação.


Ter seguido o modelo americano de industrialização foi o que permitiu ao Brasil estar melhor do que outros países da America Latina. Parece contraditório neste momento de crise gerada pelos Estados Unidos?
É verdade. A Argentina, por exemplo, sempre teve uma influência muito mais européia do que americana. Há três países na nossa região que têm a marca do dinamismo americano acelerado muito incorporada: México, Chile e Brasil. O Brasil tem uma cultura vocacionada a melhorar, a ir pra frente.

Somos uma versão tropicalizada dos Estados Unidos. Temos muitas diferenças, é verdade. Mas em comum temos o fato de sermos grandes nas dimensões territorial e demográfica, na multiculturalidade e na multirracialidade. Somos animais de mesmo tamanho e de mesma vocação política. Mas o Brasil não é uma réplica americana. Soubemos incorporar aspectos dos valores que inspiraram a sociedade americana com naturalidade.


De quais aspectos do modelo americano o senhor fala?
Da ascensão e mobilidade verticais. Nos dois países é possível vir de baixo e subir a pirâmide social sem ser freado. Ambos são países de oportunidades. Temos também em comum a mitologia do futuro e do otimismo — somos duas sociedades que acreditam que o amanhã vai ser melhor, mesmo que circunstancialmente o momento seja ruim, como agora. A turbulência não afeta a nossa visão, somos jogadores globais.

O Brasil não tem grandes cartas para jogar, mas temos fichas em todas as mesas. A nós interessa negociar com África, Ásia, Europa. Não há um tabuleiro em que o Brasil não seja um jogador. E para o jovem que chega ao poder nas empresas a idéia é essa: o Brasil está abrindo portas para que essa geração tenha condições de operar em todas as latitudes.


Existe um glamour que cerca a possibilidade de se fazer uma carreira internacional, ao mesmo tempo que isso gera uma tensão no executivo. Afinal, o brasileiro gosta de sair do Brasil?
Primeiro, nós temos um país tão grande que boa parte dos brasileiros não quer sair daqui. Tendemos a olhar para o nosso próprio umbigo. Segundo, nós falamos uma língua que não é universal. Terceiro, somos criados com uma idéia de que o Brasil se basta, e esse ufanismo é muito nosso. Então temos uma permanente tensão entre o brasileiro internacional e aquele que vive exclusivamente a realidade nacional.

Mas o número de brasileiros que se interessam pelo mundo – política, comércio, negócios, exportação -- é crescente. Tempos atrás o Brasil era um país que não vendia nada. Nem o café nós saíamos vendendo. Eram os grandes operadores que vinham até aqui comprar a nossa mercadoria.


O Estado brasileiro pode aproveitar os jovens executivos de empresas privadas que sabem operar internacionalmente?
Os concursos públicos estão aí para isso, para captar os melhores. Porém, o papel do Estado é o de prover a sociedade de moldura institucional democrática, aberta e estável, sem interferir diretamente no processo. Tem de possibilitar ao profissional trabalhar num país onde a ordem institucional funcione bem, com regras do jogo confiáveis e com uma macroeconomia racional, para que a sociedade possa ir pra frente.

Não sou a favor de um Estado máximo, nem mínimo. Sou pelo Estado necessário. Tenho medo tanto de Estados omissos quanto dos imperativos. Eles não podem impedir que a nova geração vá pra frente naturalmente.


Somos um país que sempre se vê muito mal. Quais são as virtudes da sociedade brasileira?
Ser flexível e aberta, ser apta a incorporar, a aproveitar e a reformular o que vem de fora. Tudo o que não somos é um país rígido. Aqui é permitido um dinamismo social indispensável para que pudéssemos entrar num ciclo virtuoso de uns anos pra cá: primeiro acertamos a mão no processo político com o restabelecimento da democracia no final dos anos 80, depois no processo macroeconômico, com o Real e a racionalização da economia.

E agora com a política inteligente de inclusão social, que incorporou numa base de prosperidade e de riqueza real um segmento da sociedade que estava muito abaixo da classe média, que eu considero a classe revolucionária brasileira. E vejo essa revolução dos emergentes com imenso prazer, pois o Brasil passou a ter um novo contingente de atores sociais.


O senhor fala dos governos de Fernando Henrique e Lula?
Futuramente eu acho que a história não separará Lula de Fernando Henrique, pois um é desdobramento do outro. Eles ajudaram a reconstruir o país na base da racionalidade e da civilidade. É claro que nem sempre se acerta com a racionalidade, mas ela dá a possibilidade de escolher as melhores ferramentas para o acerto. E a civilidade é a tolerância de uns com os outros, regra que permite que a sociedade civil opere com tranqüilidade e harmonia.


Muitos presidentes de empresas estão entusiasmadíssimos com o imenso mercado chinês. O senhor acredita na China como o império que vai substituir os Estados Unidos?
Eu não sou um bom profeta. Sou melhor como historiador, porque vejo com mais clareza o passado do que o futuro. Mas a China me interessa muito e acho que ainda há deficiências na área da organização social: tem déficits democráticos e de direitos humanos, ambos calcanhares de Aquiles, dívidas a resgatar. Mas o fato central é que nos últimos anos a China é o exemplo mais brilhante de dinamismo econômico, e o Brasil tem que explorar cada vez mais as parcerias com esse país.

Outro fato novo no cenário internacional é a ajuda econômica que a China tem dado aos Estados Unidos. A China é uma simbiose com os Estados Unidos — ela poupa muito e exporta muita e os Estados Unidos não poupam nada e importam muito. Então, de certa maneira, nós estamos assistindo a um casamento estranho de duas potências: uma que absorve tudo o que a outra faz e a outra que investe tudo em papéis do Tesouro Americano.

Por isso o interesse de ambas as nações estão muito ligados. Não pode haver uma China próspera sem um Estados Unidos próspero. É uma relação benigna, não é perigosa.


O senhor acredita que a China traz novos paradigmas para o mundo?
A China é como uma moeda — tem cara e coroa. Há uma China que produz na gente um grande otimismo. Incorporar 500, 600 milhões de pessoas numa sociedade de consumo é um impacto extraordinário. Ela tem técnicas de produção e produtividade eficazes. Então, parabéns à China. O outro lado: mais de 800 milhões de chineses estão vivendo fora disso, no campo, nas pequenas aldeias, estão fora do jogo, da produção, da civilização urbana. Há uma China das luzes e outra das trevas — e ambas coexistem. E o mesmo processo se dá na Índia.


Há semelhanças com o Brasil?
Entre os Bric, o Brasil fez melhor o dever de casa do que os outros: já incorporou as populações rurais às cidades e até por isso temos o problema do caos urbanos. Mas a ciência e a tecnologia na China e na Índia estão mais adiantadas do que no Brasil. No entanto, a nossa sociedade é mais harmoniosa do que as dos outros Bric.


As conseqüências do crescimento econômico e tecnológico global acelerado são os danos ao meio ambiente. O senhor vê soluções?
Eu não sou um apavorado ambiental, sou um preocupado ambiental. As duas grandes bandeiras das gerações atuais são preocupação com os impactos ambientais e com os direitos humanos As pessoas querem qualidade de vida com sustentabilidade. Elas querem melhorar sem a ameaçar a própria sobrevivência.

Eu não sou tão pessimista. Acho que a humanidade tem aceitado bem os desafios de cada momento. É que se acreditava que os recursos eram mais limitados do que realmente são. Acho a capacidade de criação humana mais veloz do que a de destruição dos recursos físicos. Nós vamos encontrar, pouco a pouco, maneiras de fazer mais e melhor causando menos danos ao planeta.


Mas existe um pavor em relação a esta questão.
Não quero que a geração que chega agora ao poder já venha hipotecada: não podemos fazer isso. Estamos às vésperas de novas revoluções industriais, científicas e tecnológicas tão grandes — informática; genética humana, vegetal e animal; telecomunicações. Estamos recriando o mundo. Ser jovem hoje é melhor do que quando eu era moço, porque as fronteiras estão mais amplas.


O senhor acha que os jovens de hoje têm dificuldade de obedecer hierarquias?
Hierarquia sugere premiação dos melhores. Não é possível imaginar uma sociedade em que o mérito, o talento, o esforço, o estudo e a capacidade de iniciativa não tenham uma premiação diferenciada. Mas não pode haver hierarquia ilegítima, dissociada do bem comum e da solidariedade. Então, os jovens querem evitar as hierarquias rígidas, autoritárias, baseadas em classes sociais ou no sexo das pessoas.


E querem também inventar a roda?
Não! É que tudo pode ser melhorado, redesenhado. O mundo não está acabando, e sim começando, principalmente em campos como genética. Por isso as novas gerações não devem se preocupar com os caminhos até aqui percorridos, mas com os novos rumos que vão ter de percorrer.

As oportunidades são ilimitadas para quem tiver imaginação, conhecimento, energia e vitalidade, porque só com inspiração não se constrói um mundo novo. A crise traz essa possibilidade, mas ainda estamos presos a um mundo que foi redesenhado em 1944, em Bretton Woods, nos Estados Unidos, onde foi criado o FMI. Serviu bem, impulsionou um surto de crescimento, mas essa bananeira já deu seu cacho e agora temos de pensar nas oportunidades que o Brasil tem de exportação de ciência e tecnologia, antes impensáveis.

O G 20 está ai pra isso. Para redesenhar o mundo. Mas parece que ainda temos uma conta que não fecha, para dar um salto qualitativo. Tem muita gente cursando pós-graduação ou MBA em busca de informações e conhecimentos que deveriam ter adquirido na graduação. A educação a que você se refere foi a que me formou, que era elitista.

Na minha época existiam menos universitários no Brasil do que há hoje somente na USP. Houve a democratização de ensino e certos parâmetros foram adiados. Ou seja, antigamente havia pressa em educar bem para jogar logo as pessoas no mercado de trabalho. Hoje dá para alongar o processo de aprendizado. Esse fato faz parte do processo de crescimento do próprio país.


Não teria a ver com a ditadura militar?
O problema da ditadura é que ela não foi uma etapa de inteligência da história nacional.  Ela foi um período medíocre. Conservadora no mau sentido. Ela não tinha processos e instrumentos dentro dela mesma que lhe possibilitassem pressentir o que seria necessário no futuro.

Ela não tinha uma visão real do que era o Brasil e do seu potencial. Ela desconfiava do novo, do jovem e do que era contestatório. E o progresso vem das novas gerações, de quem tem dinamismo. Você não pode ter a criatividade tolhida por um temor político, pelo medo de errar. É da natureza do regime autoritário oprimir a inteligência e desconfiar do que é novo. A inteligência causa desordem porque se permite pensar — e o desafio assusta.


As velhas ideologias foram abandonadas pelos jovens. Hoje, existe alguma ideologia reinante?
Caiu a ideologia do socialismo real, ou seja, o comunismo de Estado provou-se ineficaz. E não há nada mais convincente do que o fracasso. Mas o mundo não pode viver sem ideologias. O ser humano quando jovem procura grandes sistemas que ordenem o todo. Então, surgiram a ideologia ambiental, a dos direitos humanos, em que a salvação não se dá pelo coletivo e sim pelos direitos de liberdade individuais, e um certo espiritualismo difuso, pois mistura ingredientes de várias religiões, principalmente as orientais.


O que mais fascina o senhor na nova geração?
A procura da felicidade pessoal, e não coletiva, como no socialismo. Depois, a ascensão pessoal pela busca de oportunidades. E por fim a busca de uma vida sexual e afetiva. Os jovens substituíram ideologias que consideraram caducas por outras que acharam operacionais e eficazes. Eles saíram das ideologias coletivas e impostas para as ideologias individuais e voluntárias.


A diplomacia é uma boa carreira? Afinal, com tantos organismos internacionais que procuram resolver os impasses por meio de acordos para evitar as guerras, os diplomatas tomaram o emprego dos generais.
Quando as guerras se acabam os diplomatas se sentam. Eles entram quando o jogo militar se esgota. E agora, depois das armas atômicas, quando a própria hipótese de guerra militar se torna impossível, pois a destruição seria irremediável, então entra a diplomacia, que é uma infinita conversa de botequim [risos]. É sentar, conversar, conversar e ter paciência e conversar de novo. Diplomacia é um exercício interminável -- não de ter razão, mas de dar razão ao outro. Ela é uma acomodação de interesses, e não de triunfo de uma idéia sobre a outra.

SEM LIMITES PARA ENSINAR / MOYA - ESCOLA DE AVENTURA

CRIATIVO E INQUIETO (uma combinação muito interessante...) Quando eu me mudei do Rio de Janeiro para Brasília, em 2016 , imaginava ...