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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Mundo do Futuro, hoje (63): Dando nó na luz

A galera de antanho tinha uma expressão muito peculiar para definir alguém com grande capacidade de resolver problemas: dar nó em fumaça. Claro que era apenas um eufemismo, mas o que vou mostrar a seguir é real, por mais incrível que pareça.






Cientistas dão nó na luz
Cientistas conseguiram pela primeira vez dar um nó na luz. E não um nó em uma fibra óptica ou qualquer meio por onde a luz esteja passando, mas um nó em um feixe livre e puro de luz.  A proeza parece mais notável em razão do senso comum de que a luz sempre viaja em linha reta. De fato é isso o que acontece na maior parte das vezes. Mas frequentemente não significa sempre.

"Em um raio de luz, o fluxo de luz que viaja através do espaço é semelhante ao fluxo da água que flui em um rio. Embora ela frequentemente flua em uma linha reta - saindo de uma lanterna, de uma fonte de laser etc. - a luz também pode fluir em turbilhões e redemoinhos, formando estruturas no espaço chamadas vórtices ópticos," explica o Dr. Mark Dennis.

Dennis, da Universidade de Bristol, na Inglaterra, foi um dos responsáveis pelo feito de dar nós na luz, que contou ainda com a participação de seus colegas das universidades de Glasgow e Southampton. O experimento foi publicado neste domingo na revista Nature Physics.
A compreensão precisa das propriedades da luz, permitindo seu controle a ponto de lhe dar nós, tem implicações importantes para a tecnologia dos raios laser, usados em uma ampla gama de indústrias, na medicina, nas telecomunicações e em outras pesquisas científicas.  Mas, para entender os nós na luz, é preciso retornar aos vórtices óticos. Ao longo dessas "linhas" - desses redemoinhos de luz - a intensidade da luz é zero, o que significa que não há iluminação, fica tudo escuro. Toda a luz ao nosso redor é repleta dessas linhas escuras - porém, por serem escuras, nós obviamente não podemos vê-las.

É possível criar vórtices óticos artificialmente e de forma controlada usando hologramas, que direcionam o fluxo de luz.  Os pesquisadores britânicos empregaram a Teoria dos Nós, um ramo da matemática inspirado nos nós que amarram e embaraçam cordas e cadarços de sapato, para criar hologramas especialmente projetados para dirigir os vórtices ópticos, fazendo-os criar nós não de cordões, mas de luz.
Com isto, além dos interesses na área do laser e da fotônica em geral, a nova pesquisa demonstra uma aplicação física de um ramo da matemática anteriormente considerado completamente abstrato.

"O sofisticado holograma necessário para este experimento de 'amarrar' a luz demonstra uma capacidade de controle óptico extremamente avançada, que sem dúvida poderá ser usada em dispositivos a laser no futuro," diz o Dr. Miles Padgett, que coordenou os estudos.  "O estudo dos vórtices ópticos começou com o Lord Kelvin por volta de 1867, em sua busca por uma explicação dos átomos", acrescenta Dennis. "O nosso trabalho abre um novo capítulo nessa história".

Aí você pode me perguntar qual aplicações práticas tal malabarismo pode nos trazer. E eu respondo: leia o texto a seguir e ponha a sua imaginação para funcionar...



Processador de luz fará cálculos simultâneos usando cores diferentes
Do outro lado do Atlântico norte, pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, descobriram novos comportamentos da luz no interior de cristais fotônicos que poderão ser explorados para a construção de processadores ópticos que superam largamente os atuais processadores eletrônicos. E com a vantagem de não superaquecerem.

"Descobrimos que, ao esculpir um vácuo artificial específico no interior de um cristal fotônico, podemos controlar inteiramente o estado eletrônico dos átomos artificiais dentro desse vácuo", diz Xun Ma, que fez a descoberta sob a orientação do Dr. Sajeev John.  "Esta descoberta poderá viabilizar a construção dos computadores fotônicos, que são [potencialmente] mais de cem mais rápidos do que seus equivalentes eletrônicos, sem os problemas de dissipação de calor e outros gargalos atualmente enfrentados pela computação eletrônica," diz Ma.

Os pesquisadores estavam tentando entender o chaveamento óptico, uma etapa fundamental para a construção de um transístor que funcione inteiramente com luz, em contraposição aos transistores atuais, que funcionam com base na passagem de corrente elétrica.  Vários grupos de cientistas já demonstraram a viabilidade dos transistores ópticos. No início de 2009, pesquisadores suíços apresentaram um transístor totalmente óptico com excelentes perspectivas.  Mas, como a área é de fronteira, ainda não está claro qual será a solução tecnológica que sairá vencedora. Outros avanços recentes incluem a comunicação nanofotônica no interior de um chip e até um mais versátil transístor a laser, que possui uma saída elétrica e outra óptica.

Ao tentar construir sua própria versão de uma chave liga-desliga que funcione inteiramente com luz, os pesquisadores canadenses depararam-se com um novo e inesperado mecanismo de chaveamento óptico. A descoberta exigiu a correção de uma das mais fundamentais equações da óptica quântica, conhecida como Equações de Bloch.

Usando rotas com poucos nanômetros de largura, os pesquisadores fizeram com que a luz passasse por um ponto de "vácuo."  "Um vácuo para a luz não é completamente vazio e pode até mesmo ser esvaziado ainda mais. Não se trata de um vácuo no sentido tradicional," explica John.  Ao passar por esse vácuo óptico, os pesquisadores verificaram que o comportamento da luz depende do seu comprimento de onda - da sua cor - variando abruptamente de uma cor para outra.

Neste vácuo, o estado de cada átomo - ou ponto quântico - pode ser manipulado com feixes de laser, cujas funções são determinadas pela sua cor. A variação nas cores permite a mudança do átomo de um estado excitado para um estado de baixa energia em um trilionésimo de segundo.

"Estes pontos quânticos podem, por sua vez, controlar outros feixes de pulsos ópticos, permitindo o processamento óptico de informações," diz Ma - tudo o que é necessário para que os feixes ópticos cruzados funcionem como um transístor.  Esse novo mecanismo permite que transistores ópticos totalmente integrados, na escala dos micrômetros, executem operações lógicas, usando canais de múltiplas frequências, em trilionésimos de segundo, com níveis de potência na faixa dos microwatts, cerca de um milionésimo da energia necessária para alimentar uma lâmpada comum", resume John.

A operação com múltiplas frequências de luz, referidas pelo pesquisador, significa que, ao contrário dos circuitos eletrônicos atuais, que têm seu funcionamento baseado na passagem de um único "canal de energia" - o próprio fluxo da corrente elétrica - um processador fotônico baseado no fenômeno agora descoberto poderá operar simultaneamente com inúmeros canais de luz, com cores diferentes, elevando exponencialmente a capacidade de cálculo.

A demonstração é, por enquanto, apenas uma prova de conceito, realizada em condições de laboratório. Os cientistas não se arriscam a prever quanto tempo levará para que os "computadores de luz" tornem-se uma realidade. 

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Depois que, no ano retrasado, os cientistas conseguiram criar uma espécie de processador usando gotas d'água, fico na expectativa das próximas novidades, sempre imaginando como integrá-las nas linhas de pesquisa de meu interesse. E aí, designers, vamos inovar?

Crise de enxaqueca faz britânica falar com sotaque chinês

Crise de enxaqueca faz britânica falar com sotaque chinês
Uma mulher britânica está sendo tratada por fonoaudiólogos por ter passado a falar inglês com sotaque chinês depois de sofrer uma grave crise de enxaqueca.  Sarah Colwill, técnica em informática de 35 anos, foi diagnosticada com a chamada Síndrome do Sotaque Estrangeiro, um mal raríssimo que resulta de danos na parte do cérebro que controla a fala e a pronúncia.

O médico John Coleman, especialista em fonética da Universidade de Oxford, que está acompanhando Colwill, disse que, em geral, a síndrome é provocada por derrames ou lesões cerebrais.
Mas ela acredita que seu problema começou após uma fortíssima dor de cabeça, que a obrigou a chamar uma ambulância.  "A telefonista e os paramédicos que me atenderam comentaram que eu estava com um sotaque chinês, apesar de eu nunca ter ido à China e ter vivido toda a minha vida no sul da Inglaterra", contou Cowill a jornais britânicos.

Cowill, que mora em Plymouth com o marido e duas enteadas, agora está fazendo tratamento de fonoaudiologia para tentar perder o sotaque chinês e recuperar o seu timbre original.  "Estou falando em um tom muito mais agudo, desafinado. Quando ligo para meus amigos, muitos batem o telefone na minha cara pensando que estou passando trote", afirmou. "É muito frustrante." "Quero minha voz de volta, mas não sei se vou conseguir", disse.

Especialistas acreditam que existam menos de 20 pessoas em todo o mundo sofrendo do mesmo problema.  O primeiro caso registrado foi o de uma mulher atingida durante um bombardeio na Noruega, em 1941, que passou a falar com norueguês com sotaque alemão.

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Taí uma boa explicação para as crendices que afirmam que certas pessoas "falam línguas" (e o que falariam, rins?)...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O Mundo do Futuro, hoje (69): Novidades da Internet - parte 04 - Internet das coisas

Dando continuidade ao papo da terça passada, leiam mais este artigo e ponderem.  Daí vamos dar uma considerada na possibilidade de uma imersão mais intensa em ambientes virtuais e em paralelo termos a Internet como algo além dos dispositivos que consideremos como tradicionais hoje.  O resultado?  Pois é...


Internet das Coisas ganha linguagem e site de aplicativos

Até agora, a Internet tem sido uma arena reservada para as pessoas.  Mas agora mais e mais objetos físicos estão sendo conectados à Internet: lemos e-mails em nossos celulares, nossos medidores de eletricidade podem ser lidos automaticamente, monitores de pulso e tênis de corridas publicam informações sobre nossas atividades diárias diretamente nos nossos blogs.




Os eletrodomésticos e os sistemas das nossas casas inteligentes são os próximos da fila.  Um despertador não está mais limitado a tocar uma campainha - ele pode também ligar a máquina de café, acender as lâmpadas do quarto e ser programado pela Internet.  O fato é que, cada vez mais, os objetos que as pessoas usam no seu dia a dia têm capacidade para serem conectados à Internet.  Mas o que é necessário para garantir que a Internet das Coisas opere da forma mais eficiente possível?

Há grandes desafios. Um deles é encontrar soluções efetivas para que produtos diferentes trabalhem em conjunto ou, pelo menos, em harmonia.  Atualmente não existem ferramentas padronizadas ou plataformas de distribuição nesta área.  É nisto que está trabalhando um grupo de pesquisadores noruegueses.  Em um projeto de pesquisa chamado Infraestrutura para Serviços Integrados (ISIS - Infrastructure for Integrated Services), eles criaram uma plataforma para desenvolvimento e distribuição de aplicativos pela Internet das Coisas.  A plataforma inclui uma ferramenta de programação para desenvolvedores, chamada Arctis e o site ISIS Store, para download de aplicativos, inspirada na Apple Store.

Já há vários aplicativos para download gratuito no site, mas os desenvolvedores acreditam que a plataforma inteira só irá decolar se os usuários começarem a concordar em pagar por eles - isto é essencial para que os desenvolvedores se interessem em "programar coisas".  Tudo começa com uma nova linguagem de programação, voltada para fazer programas para as coisas da Internet das Coisas. 
A linguagem Arctis foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia.


"Objetos 'inteligentes' e aplicativos do dia a dia frequentemente precisam ser conectados a diferentes sensores e outros componentes e serviços de comunicação. Ao mesmo tempo, eles precisam responder rapidamente às mudanças e as ações dos usuários. Isto requer um controle muito bom da concorrência no sistema, o que pode ser difícil de conseguir com a programação normal," explica Frank Alexander Kraemer, um dos desenvolvedores da linguagem Arctics.  O Dr. Kraemer acredita que a ferramenta irá tornar mais fácil o processo de criação de novas aplicações, de sua adaptação às aplicações existentes e da atualização de software quando necessário.  "A criação de um aplicativo simples com Arctis pode ser tão fácil como encaixar dois blocos de montar, mas aplicativos mais avançados também podem ser criados, dependendo do que você está precisando," continua o pesquisador.

Para que esses aplicativos e os próprios 'objetos inteligentes' conversem entre si os pesquisadores criaram o ICE (ICE Composition Engine).  "É o sistema colaborativo ICE que irá reger a coisa toda e permitir que os objetos falem uns com os outros," explica Martin Reidar Svendsen, outro membro do grupo.  O ICE pode tanto gerenciar a comunicação entre objetos em sua casa quanto manter o controle de todas as atualizações de software e hardware.

O sistema é instalado usando um modem, um decodificador ou um adaptador, fornecendo ao usuário um gateway local que garante que a Internet das Coisas continue a funcionar mesmo quando o usuário estiver offline.  Todo o projeto tem um direcionamento eminentemente prático: o protótipo está sendo bancado pela empresa de telecomunicações norueguesa Telenor, que pretende fazer com que a ideia decole imediatamente.

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Que tal pensarmos um fórum para debater esses assuntos, hein designers?

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O Mundo do Futuro, hoje (68): Novidades da Internet - parte 03 - Rede baseada na Natureza

Numa época de fervilhante pensamento ecológico e cuja evolução tecnológica caminha a passos exponenciais, nada como combinar ambas as vertentes para obtermos uma inovação que poderá beneficiar o mundo inteiro.

Internet precisa imitar natureza para acompanhar super crescimento

A internet precisa de uma revisão geral.  A opinião é do prof. Antonio Liotta, da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na Holanda.  Liotta acredita que a solução reside nas redes inteligentes capazes de aprendizagem, inspiradas em parte pela natureza, o que inclui as formigas, as abelhas e o cérebro humano. 

O tráfego de dados na Internet cresceu por um fator de 15.000 nos últimos 15 anos. Mas, ao longo desse mesmo período, não houve nenhuma atualização significativa da própria internet: os pacotes de dados ainda são transportados do mesmo jeito, seguindo fórmulas que, segundo Liotta, dificilmente poderiam ser chamadas de inteligentes.  Mas isso precisa mudar rapidamente, diz ele, porque o crescimento da internet será ainda maior no futuro próximo por causa de tendências como a emergência dos vídeos em HD, da computação em nuvem e da "Internet das Coisas".

Ao longo dos quinze anos estudados por Liotta, o número de usuários da internet passou de 36 milhões para 2 bilhões.  Como a população da Terra se aproxima dos 7 bilhões de pessoas, isso significaria uma queda na taxa de crescimento futuro da internet?  Não, simplesmente porque a grande horda de futuros novos usuários da internet não consistirá de pessoas, mas de coisas.  Equipamentos e sistemas serão cada vez mais conectados. E os PCs e smartphones de hoje em breve serão seguidos pelos carros, geladeiras, termostatos, sensores médicos, sistemas de segurança e até mesmo brinquedos, para citar apenas alguns exemplos.

Isso vai transformar a internet naquilo que já está sendo chamado de a "Internet das Coisas", onde os usuários serão objetos com identificação única.  Com isto, o número de dispositivos conectados atingirá rapidamente a casa dos bilhões, levando a novos fluxos de dados de tamanho fenomenal.  Isto virá se somar a todo o tráfego extra de dados causado pelo aumento do uso de streamings de vídeo de alta qualidade - sem contar o aumento do número de usuários que passam a postar vídeos, devidamente munidos de suas câmeras HD.

Há também a tendência para a nuvem de computação: pessoas e empresas não mais comprarão hardwares e softwares caros, eles usarão sistemas de terceiros aos quais estarão conectados pela internet.   Apenas um exemplo disto são todas as ferramentas oferecidas pelo Google. Como resultado, o tráfego de dados que anteriormente esteve restrito aos muros de sua casa ou escritório será cada vez mais transportado através da internet.

Mas até agora só falamos sobre fatores de crescimento de coisas que já conhecemos, adverte Liotta.  Quem saberia falar sobre as novas aplicações que ainda estão por surgir, trazendo com elas um tráfego de dados ainda maior? - apenas como lembrete: há sete anos, o YouTube não existia.  Liotta então se expressa mais claramente: os protocolos de rede que controlam o tráfego de dados hoje, tanto em sentido literal quanto figurado, pertencem ao século passado.  Logo se alcançará um ponto quando eles já não conseguirão lidar com o crescimento do tráfego de dados.

Para o pesquisador, a internet já é atualmente muito mais complexa do que o cérebro humano. Mas o protocolo que ela usa é muito mais simplório. Por exemplo, todos os pacotes de dados na internet são tratados da mesma forma: um streaming de vídeo têm exatamente a mesma prioridade que um e-mail.  E, enquanto não importa muito se um e-mail levar um minuto para chegar ao seu destino, uma diferença de menos de um segundo em um fluxo de vídeo é suficiente para causar irritação.  Um problema adicional é que o transporte de dados está longe de ser perfeito: atualmente, 1 em cada 10 pacotes de dados nunca chega ao seu destino, e tem de ser reenviado.

Então as coisas têm que mudar. Mas como?  Liotta acredita que a solução está nas "redes cognitivas" redes inteligentes, capazes de aprendizagem.  Uma das coisas das quais ele tira sua inspiração é o conhecimento sobre as redes biológicas e neurais, que são o resultado de milhões de anos de evolução.  Por exemplo, um fator comum entre as redes evoluídas naturalmente é a utilização de percursos curtos, para que os dados não precisem passar por mais do que um punhado de nós para chegar ao seu destino.  Pode-se recorrer a diferentes domínios do conhecimento para criar melhores protocolos de rede. A auto-regulação, ou "redes autonômicas" é uma delas.  Um bom exemplo é o sistema nervoso autônomo humano, que controla as funções fisiológicas inconscientes, sem necessidade de qualquer intervenção consciente - a respiração e os batimentos cardíacos, por exemplo.

Outra fonte é a "aprendizagem de máquina", em que os sistemas são programados de tal forma que eles aprendem a desempenhar melhor as suas funções através de tentativa e erro.  Outra área na qual as soluções podem ser encontradas é nas redes biologicamente inspiradas.  Como a natureza organiza as redes? Um exemplo é a maneira pela qual as abelhas e formigas são capazes de navegar. E a maneira pela qual todos os vagalumes entram em sincronia, acendendo ao mesmo tempo. Estes também são exemplos de estruturas de rede.

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Quando me lembro de um certo episódio, ocorrido em 2000, quando disse em um restaurante da COPPE que um dia teria o meu próprio canal de vídeo pela Internet, alguns engenheiros caíram na risada - um deles, literalmente, sentou no chão para rir - e hoje o que temos aí a disposição de qualquer um?

Então considere com atenção as possibilidades que se desenham, inclusive aquelas que para uma mente menos flexível possam parecer impossíveis.  Se você tiver essa postura poderá adquirir vantagens nas mudanças que estão por vir.  Lembrem-se: quem vê o invisível pode fazer o impossível.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O Mundo do Futuro, hoje (67): Novidades da Internet - parte 02 - Recorde de velocidade!

Enquanto que por aqui a Banda Larga ainda é uma anedota, em outros países a coisa vem sendo levada muito a sério.  Torço para que sirva de incentivo para o Governo Federal realmente investir e administrar o que lhe compete para que toda a população brasileira possa usufruir de algo que é indispensável para a consolidação do pensamento de inovação que vem sendo apresentado à sociedade.

Batido recorde mundial de velocidade na transmissão de dados

Cientistas do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, na Alemanha, conseguiram codificar dados a uma taxa de 26 terabits por segundo, em um único feixe de laser, transmiti-los a uma distância de 50 km, e então descodificá-los corretamente.  Este é o maior volume de dados já transportados por um único feixe de raio laser.  O processo desenvolvido pelo grupo permite transmitir o conteúdo de 700 DVDs em apenas um segundo, ou transmitir até 400 milhões de chamadas telefônicas ao mesmo tempo.

Com este experimento, a equipe do professor Jürg Leuthold bateu seu próprio recorde de velocidade de transmissão de dados, obtido em 2010, quando eles superaram o limite mágico de 10 terabits por segundo.  O novo sucesso do grupo foi obtido graças a um novo processo de decodificação de dados.  O método de decodificação opto-elétrico é baseado em um cálculo puramente óptico, a fim de quebrar a alta taxa de dados em taxas de bits menores, que podem ser processadas eletricamente.

A redução óptica inicial das taxas de bits é necessária, já que não existe nenhum método de processamento eletrônico disponível para uma taxa de dados de 26 terabits por segundo.  Para codificar os dados, a equipe usou a técnica chamada multiplexação por divisão de frequência ortogonal (OFDM: orthogonal frequency division multiplexing), um processo que tem sido usado com sucesso em comunicações móveis. 
"Nosso resultado demonstra que os limites físicos ainda não foram ultrapassados mesmo com taxas extremamente elevadas de dados," disse Leuthold.

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Ok, agora vamos somar essa faixa de transmissão com a capacidade exponencial de processamento e, voilá!, olha a tão sonhada capacidade de criarmos mundos virtuais com a qualidade de Matrix já batendo na nossa porta...


Sistema T.AR.D.I.S. INOVA Design Fundamental (T menos 3)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O Mundo do Futuro, hoje (66): Novidades da Internet - parte 01 - ZumbiNet

Deparei-me recentemente com essa notícia e a reparto com vocês, para que tenham a possibilidade de desenhar uma imagem mental do que é - ou pode ser - o ciberespaço onde cada vez mais viveremos, trabalharemos e nos divertiremos.

Descoberta rede de computadores zumbis praticamente indestrutível

Especialistas em segurança descobriram uma rede de "computadores zumbi" - também chamada de "botnet" - que infectou mais de 4 milhões de computadores e é quase "indestrutível".  A rede "botnet" - termo que define uma série de computadores infectados e controlados remotamente por meio de um vírus - conhecida como TDL, tem como alvo as máquinas que usam o sistema operacional Windows e é muito difícil de ser detectada e fechada.

O código que sequestra os computadores para o uso nessa rede se esconde em locais em que os programas de segurança raramente fazem buscas. Além disso, a rede é controlada com um sistema de criptografia criado exclusivamente para ela. Cerca de 4,5 milhões de computadores foram infectados por esta rede "botnet" nos últimos três meses, depois do surgimento de uma quarta versão do vírus TDL.  Recentes fechamentos de outras redes semelhantes fizeram com que os controladores da rede TDL a tornassem mais difícil de investigar.

Os pesquisadores Sergey Golovanov e Igor Soumenkov fizeram uma análise detalhada do vírus e escreveram um relatório para a companhia de segurança Kasperky. Segundo eles, as mudanças do TDL-4 fizeram com que essa versão do vírus seja a "ameaça mais sofisticada da atualidade".  "Os donos do TDL estão, essencialmente, tentando criar uma botnet 'indestrutível' que é protegida contra ataques, competidores e companhias de antivírus", escreveram os especialistas.

Recentes operações recentes e bem-sucedidas de companhias de segurança online e de ciberinvestigadores alvejaram as redes "botnet". Com isso, o nível de envio de spam caiu cerca de 75%, segundo análises da Symantec.  No caso das redes "botnet", além de permitir o uso remoto dos computadores infectados, os controladores dessas redes também roubam informações dos computadores das vítimas ou usam esses computadores para enviar spam ou fazer outros ataques.

O vírus TDL, por sua vez, se espalhou por meio de sites com armadilhas e infecta um computador ao explorar seus pontos vulneráveis. O vírus foi encontrado em sites de pornografia e filmes piratas, além de sites que deixam os usuários guardar vídeos e arquivos de imagem.  A maioria das vítimas do vírus (28%) está nos Estados Unidos, mas há também usuários infectados na Índia (7%) e na Grã-Bretanha (5%). Cerca de 3% foram encontrados na França, na Alemanha e no Canadá.

"Para todos os interesses e propósitos, (a TDL-4) é muito difícil de remover", afirmou Joe Stewart, diretor de pesquisa na Dell SecureWorks. "É, definitivamente, uma das 'botnets' mais sofisticadas que existe."  No entanto, toda a sofisticação da TDL-4 pode ajudar na tentativa de derrubá-la, segundo os pesquisadores da Kaspersky, que encontraram problemas em seu código complexo.  Os problemas permitem que os pesquisadores sondem as bases de dados, para saber quantas infecções do TDL-4 ocorreram, e também ajudam os especialistas a investigar quem são os criadores da rede.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Brasil, o País do Presente (82): Embrapii vai criar rede nacional de inovação para indústria

Vejam só que notícia alvissareira!  Parece que desta vez vamos mesmo engrenar uma quinta e mandar ver na highway do mundo desenvolvido. Já estava mesmo na hora do pequeno capital, aquele que entrava tudo com pequenos caixotes de mascates biscateiros, sair de cena e deixar a "gente grande" tocar o apito.

Embrapii vai criar rede nacional de inovação para indústria

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, assinou com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) um memorando de intenções para a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Industrial (Embrapii).  Criada nos moldes da Embrapa, a nova empresa buscará promover a inovação na indústria com base em um projeto-piloto, para o qual foram convidados a participar o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), do Rio de Janeiro, e o Senai da Bahia.

O projeto da Embrapii conta ainda com parceria com o Instituto Fraunhofer, da Alemanha, que mantém 60 centros focados em inovação e desenvolveu metodologia específica para a avaliação dos processos de inovação.  Na Alemanha, o governo controla o Instituto Max Planck, que coordena inúmeros laboratórios científicos de ponta. A ponte com a indústria, que cuida das inovações tecnológicas, é feita pelo Instituto Fraunhofer, também com diversos centros especializados.

A iniciativa da Embrapii foi anunciada durante o 4º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, realizado pela CNI em São Paulo.  A ideia da Embrapii é lastreada no sucesso da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que mantém 90 centros de pesquisa e construiu com isso uma vocação para aumentar a competitividade e eficiência do Brasil na agricultura.  "Nós precisamos criar uma instituição semelhante para a indústria brasileira", afirmou Mercadante em entrevista após a assinatura do memorando.

O ministro disse que a Embrapii parte da experiência de centros de excelência que já vêm fazendo um trabalho voltado à inovação, com foco no atendimento das demandas da indústria.  "O IPT, em São Paulo, faz um trabalho importante nessa área", afirmou. "Nós já estamos trabalhando com o IPT na área de gaseificação do etanol, que é uma das vertentes para aumentar a eficiência energética desse combustível", disse Mercadante.

O projeto da Embrapii conta com orçamento de R$ 30 milhões este ano para aplicação em custeio, segundo o ministro, valor que corresponde à participação do governo federal.  Mas o modelo de financiamento dos projetos de inovação contará com aporte de recursos da iniciativa privada e dos Estados. A necessidade de coalizão de recursos entre as partes ocorre porque a missão da nova empresa será atender à demanda de inovação da indústria, diretamente interessada na atuação da nova empresa.

A Embrapii funcionará como uma rede nacional de tecnologia que criará padrões para a certificação dos institutos e centros de pesquisa. Mercadante espera envolver até 30 institutos de pesquisa do País na expansão do modelo.  "Nós vamos buscar desempenho e resultados, queremos que os institutos ajudem a captar recursos privados para a inovação", afirmou.

Mercadante também disse que os projetos serão remunerados pelos resultados efetivamente apurados. Segundo antecipou o ministro, a Embrapii provavelmente será uma empresa pública de capital aberto, com predominância do setor privado na governança.  O diretor-presidente do IPT, João Fernando Gomes de Oliveira, disse durante a assinatura do memorando que o desenvolvimento da Embrapii será iniciado por meio de processo piloto: "No momento, estamos formalizando a parte contratual".

Oliveira acredita que em poucos meses o sistema estará funcionando. "A ideia é a de uma conexão melhor entre academia e empresa", afirma. A Embrapii vai colaborar para estabelecer uma ponte sobre os hiatos entre universidades e institutos de pesquisa e as empresas "com metodologia que envolve um contrato de gestão e dá flexibilidade para operação".  Além da área de biocombustíveis, que hoje é fundamental em inovação, a Embrapii deverá atuar com bionanotecnologia, energia fotovoltaica e eólica, tecnologia da informação e química verde, entre outras.

Neste último setor, por exemplo, já há uma tendência de substituição da nafta por combustíveis limpos, processo que é fundamental para o sequestro de carbono, permitindo agregar valores de sustentabilidade à indústria.

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Tudo indica que, nos próximos anos, poderemos ter resultados tão fantásticos no setor industrial quanto temos no de agronegócio, que graças à EMBRAPA assumiu a vice-liderança mundial na produção de alimentos.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O Mundo do Futuro, hoje (64): Pele robótica

E vamo que vamo, avançando na tecnologia ao nível da Ficção Científica!  Já pensou usar uma dessas em substituição ao Botox?  Forever young, baby!!!



Pele robótica é construída célula por célula
Um pesquisador alemão apresentou as primeiras "células" de um novo conceito de pele artificial para robôs.   O objetivo é fornecer informações táteis para um robô e, assim, completar a sua "percepção", sobretudo a sua visão artificial, suprida pelos "olhos" das câmeras.

Tal como acontece com a pele humana, quando tocada, a pele artificial poderá, por exemplo, simular um ato reflexo do robô, fazendo-o afastar-se, ou gerar um movimento espontâneo, fazendo com que a máquina use seus olhos-câmera para procurar e identificar a fonte de contato.



Esse tipo de comportamento é especialmente importante para robôs assistentes, ajudantes robóticos de pessoas idosas ou mesmo de robôs exploradores, ajudando a reconhecer novos ambientes. A peça central da nova pele robótica é uma placa hexagonal de circuito impresso de 5 centímetros quadrados, que faz as vezes de uma célula da pele artificial.  Para simular o sentido do tato, cada placa contém quatro sensores infravermelhos, que detectam qualquer coisa que se aproxime a menos do que 1 centímetro.

"Nós, portanto, simulamos o toque", explica Philip Mittendorfer, da Universidade Técnica de Munique. "Isso corresponde a um toque suave nos pêlos em nossa pele." Há também seis sensores de temperatura e um acelerômetro em cada placa hexagonal.  Isso permite que a máquina registre com precisão o movimento dos seus membros individuais, por exemplo, de seus braços e, assim, saiba quais partes do seu próprio corpo acabaram de se mover - úteis quando os membros robóticos são movidos por um impacto ou por uma ação externa.

"Nós tentamos integrar várias modalidades sensoriais diferentes no menor espaço possível," explica o engenheiro. "Além disso, é fácil expandir as placas de circuito para incluir outros sensores, por exemplo, sensores de pressão."  A ideia é miniaturizar as placas, que poderão então ser colocadas lado a lado, formando uma pele com uma estrutura em formato de favo de mel.  Os sinais de cada uma das células dessa pele robótica serão enviados para o computador central do robô, que fará as vezes do seu cérebro, por meio das células adjacentes.  Isso permitirá que os sinais viagem por rotas alternativas se alguma conexão falhar.

Por enquanto, está pronto apenas um pequeno pedaço da pele robótica. Estes 15 sensores, no entanto, pelo menos um em cada segmento de um braço robótico, já mostram que o princípio funciona.  Apenas um tapinha leve é suficiente para fazer o braço robótico reagir.  O próximo passo é cobrir inteiramente a superfície do braço robótico com as células sensoriais, formando uma pele artificial completa, dando ao robô uma sensação completa de toque, mesmo no escuro.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Brasil, o País do Presente (81): Brasileiros recebem patente por sistema de distribuição de filmes HD

Blog: Martelo do Archanjo : / Power On

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Marcos Archanjo v.1.01.03 : / Power On


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Queridos leitores,

Após um mês de recesso de férias, estamos de volta com o ciclo de postagens sobre as coisas fantásticas que vem acontecendo ao redor do mundo e que a mídia xexelenta não mostra, por estar mais afeita a desgraças, tramas novelescas e quetais.

Abrindo nosso cardápio deste semestre, mais uma notícia alvissareira sobre o que nós, brasileiros, estamos fazendo de bom em diferentes áreas do conhecimento.


Brasileiros recebem patente por sistema de distribuição de filmes HD

Assistir vídeos na tela do computador com qualidade de vídeo HD.  Este é o diferencial do GloVe (Global Vídeo Environment), um sistema inovador de distribuição de vídeo digital sob demanda, em grande escala, que já rendeu duas patentes internacionais para a Coppe, ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).



Desenvolvida pelos pesquisadores do Laboratório de Computação Paralela (LCP), a tecnologia inédita de administração e compartilhamento de vídeos é capaz de atender a um número ilimitado de pessoas, simultaneamente, com exibição individualizada.  Desenvolvido sob a coordenação do professor Cláudio Amorim, o GloVe pode ser instalado tanto em redes locais como na internet.

Atualmente, a tecnologia para vídeo sob demanda em grande escala é baseada em solução de hardware.  Já o GloVe inova ao ser uma solução inteiramente criada em software, capaz de reduzir o custo de investimento por cliente, de 100 a 200 vezes, em comparação às soluções disponíveis no mercado.

"É uma excelente alternativa. Além das vantagens técnicas e econômicas, a nossa tecnologia inibe a pirataria, proporcionando maior segurança ao fornecedor de conteúdo," garante Cláudio Amorim.  Para colocar em prática a tecnologia, pesquisadores do Laboratório de Computação Paralela da Coppe, criaram a empresa BrStreams que, em 2006 ingressou na Incubadora de Empresas da instituição.

"Tornamos essa tecnologia um produto que já está disponível. As aplicações do sistema são variadas e os clientes potenciais são as distribuidoras de filmes, as redes de TV que distribuem conteúdo pela internet, ou mesmo as universidades que oferecem cursos de educação à distância", explica Lauro Whately, diretor da BrStreams.  O sistema já foi disponibilizado para o projeto Orla Digital, que oferece acesso gratuito à internet, banda larga, via wi-fi, aos frequentadores das orlas de Copacabana, Ipanema e Leblon.

Claudio explica que a proposta é disponibilizar conteúdo de qualidade para o usuário, seja de âmbito cultural, educacional e de entretenimento, com qualidade de imagem idêntica à transmitida pelas emissoras de TV.  A forma de distribuição do conteúdo é uma das inovações que traz uma série de vantagens para o usuário. No caso de redes locais, por exemplo, um vídeo fica geralmente hospedado no servidor central. Caso o vídeo seja popular e milhares de pessoas acessem tal conteúdo a todo instante, há riscos de lentidão na transmissão ou mesmo de interrupções.

Com o GloVe, esses problemas são praticamente eliminados, porque o sistema recicla o fluxo e redistribui o conteúdo para os usuários.  "Ao acessar o vídeo, ele será transmitido a partir da memória do servidor local, e não mais exclusivamente do servidor central onde se encontra armazenado. A nossa metodologia permite que inúmeros servidores tenham o mesmo conteúdo mantido em suas respectivas memórias, sem ocupar muito espaço, e que o mesmo seja distribuído, de forma orquestrada, sem saturar a capacidade de transmissão. Também se aplica a infra-estrutura de grande escala, como internet, exigindo pouco investimento", explica Lauro.

As duas patentes do GloVe foram concedidas pelo escritório de patentes dos EUA (USPTO), em 2009 e 2010.  A equipe do Laboratório de Computação Paralela da Coppe já havia conquistado uma patente internacional, em 2007, também concedida pelo USPTO, para um sistema de relógio global distribuído para clusters de computadores.  No momento, mais três sistemas desenvolvidos no laboratório da Coppe aguardam concessão no INPI e no escritório de patentes dos EUA e da Europa.

Cláudio Amorim chama atenção para o fato de que as três patentes foram concedidas na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). "Uma raridade no Brasil, que ainda está muito distante de países como Japão e EUA, que têm dominado o registro de patentes e a propriedade intelectual neste setor", ressalta o professor.

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E vamo que vamo, pq isso é só o começo.  Um beijo do Anjo e é muito bom estar de volta!




segunda-feira, 11 de julho de 2011

AVATAR Bossa Nova & Jazz Lounge - desenvolvimento

Blog: Martelo do Archanjo : / Power On
Sistema T.A.R.D.I.S. INOVA Design Fundamental : / Power On


Estamos entrando no ar em caráter extraordinário para informar que a decoração do novo clube Avatar Bossa Nova & Jazz Lounge, no Second Life, já está quase concluída.  Esta é uma produção do INOVA Design Fundamental, que funcionará como o ponto de encontro do Projeto Yellow Submarine - Conclaves Criativos no Ciberespaço (Bar Cuba Libre), sediará virtualmente o coletivo de design CMYK, oferecerá exposições de design e artes plásticas (inclusive dos trabalhos do coletivo "Artistas em Processo" sob a batuta do meu Mestre e amigo Ricardo Newton) e outras traquinagens que se avizinham, como bailes com grandes artistas do metaverso.

Estamos quase prontos.  Daqui a pouco a gente volta, um beijo do Anjo!






Sistema T.A.R.D.I.S. - INOVA Design Fundamental: (T MENOS QUATRO)


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Blog: Martelo do Archanjo : / Shutting Down

Sistema T.A.R.D.I.S. INOVA Design Fundamental : / Shutting Down

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Mundo do Futuro, hoje (63): Médicos implantam prótese que ‘cresce’ em menina no Texas




Médicos implantam prótese que ‘cresce’ em menina no Texas

Uma menina de 9 anos foi a primeira paciente de câncer no Texas, nos Estados Unidos, a se beneficiar de um procedimento médico que permite que a prótese de um osso "cresça" sem que sejam necessárias novas cirurgias.  Morgan LaRue foi diagnosticada com osteossarcoma (um tipo de câncer que afeta os ossos) em dezembro passado e, depois de passar por quimioterapia, foi operada para a retirada de um tumor em março no Texas Children's Cancer Center, do Texas Children's Hospital, em Houston.

No lugar do osso, os médicos colocaram uma prótese de metal que pode ser estendida magneticamente, sem a necessidade de cirurgia. Isso vai evitar que a menina passe por cerca de 10 novas cirurgias para aumentar a prótese e manter a perna esquerda da mesma altura que a direita.  Apesar de a técnica desenvolvida por médicos britânicos ser amplamente utilizada na Europa, ela ainda não foi aprovada pelas autoridades de saúde americanas, e a família de Morgan teve que pedir uma autorização especial para adotar o procedimento. Até hoje, apenas 15 pacientes passaram pelo procedimento nos Estados Unidos.
Sem a autorização, o seguro médico da menina não pagaria os custos do tratamento, nem o valor da prótese. A prótese é feita especialmente para cada paciente.

Nesta semana, ela foi ao hospital pela primeira vez desde a operação para estender a perna magneticamente.  Ao colocar a perna em uma espécie de cilindro magnético, os médicos conseguiram estender a prótese sem ter que fazer qualquer intervenção cirúrgica.  "A diferença que esta prótese faz para a Morgan é incrível", disse o cirurgião Rex Marco, que realizou a operação. "A qualidade de vida dela será muito mais alta do que se ela tivesse que realizar cirurgias constantemente."

"Morgan já passou por muito tratamento para seu câncer", disse sua oncologista Lisa Wang, "e isso vai impedir que ela passe por novas e desconfortáveis cirurgias".  O osteossarcoma é o tumor maligno ósseo mais comum na infância. Normalmente ele afeta ossos dos membros e ocorre na segunda década da vida.
Entre 60% e 70% das crianças com osteossarcoma localizado (sem evidências de que tenha se espalhado) sobrevivem à doença, depois do tratamento.  "Morgan sempre manteve a atitude de 'eu vou vencer isso', mesmo quando passou por uma série de sessões de quimioterapia e outros procedimentos médicos", disse a mãe dela, Ashley LaRue.  "Ela tem sido impressionante. Estamos muito felizes porque ela não vai precisar passar por outras cirurgias apenas para estender suas pernas."


terça-feira, 28 de junho de 2011

O Mundo do Futuro, hoje (62):Biocomputadores!!!


Essa me deixou num estado contemplativo, imaginando quais seriam seus desdobramentos e como nós, designers, poderemos nos beneficiar e interagir com eles...

Biocomputadores terão velocidade determinada pelo alimento disponível
Pesquisadores da Universidade de Kent, no Reino Unido, divulgaram avanços importantes no campo da computação biológica.  Segundo eles, a computação feita por organismos vivos tem alguns limites fundamentais na velocidade de processamento - mas esses limites podem ser manipulados controlando-se a quantidade de alimentos disponíveis para esses computadores biológicos.

O campo da computação molecular nasceu das tentativas de utilizar os componentes de organismos vivos - principalmente os genes - para rodar cálculos matemáticos no interior de células vivas.  Hoje, a eletrônica molecular também está avançando com moléculas inertes - orgânicas ou não - o avanço mais recente nesta área foi a criação do primeiro transístor molecular.

Isto causou uma divisão nesta área de pesquisas, fazendo com que os estudos com organismos vivos inaugurassem uma nova especialidade, chamada de computação biomolecular.  Atualmente, a maioria dos trabalhos em computação biomolecular é teórica, embora os primeiros avanços práticos já tenham sido apresentados, incluindo a criação de um compilador para biocomputadores e formas naturais de ler os resultados das computações.

Os usos futuros da tecnologia incluem computadores que poderão ser usados para liberar medicamentos no interior do corpo humano de forma autônoma, conforme encontrem determinadas condições ou tipos de células, como as células de um tumor.  Como computadores, biológicos ou não, estão sempre associados com velocidade de processamento, Dominique Chu e Radu Zabet resolveram explorar as possibilidades reais das "máquinas vivas" preconizadas pela biocomputação.

"Nossa pesquisa demonstra que a velocidade dos biocomputadores moleculares é fundamentalmente limitada pela sua taxa metabólica, ou seja, pela sua capacidade de processar energia. Uma de nossas principais conclusões é que um computador molecular deve equilibrar um trade-off entre a velocidade com que a computação é realizada e a precisão do resultado," explica o Dr. Chu.

"No entanto, um computador molecular pode aumentar tanto a velocidade quanto a confiabilidade de uma computação aumentando a energia que ele investe nos cálculos. Com relação aos computadores biomoleculares, quando falamos de energia, estamos falando de fontes de alimento," explica ele.  Estas conclusões representam limitações para o uso dos computadores biomoleculares no interior do corpo, por exemplo, onde a quantidade de alimento nem sempre pode ser controlada com precisão.

Por outro lado, os experimentos in vitro poderão acelerar as taxas das computações observadas nos ambientes naturais dos computadores biológicos, bastando para isso injetar mais energia no sistema - ou seja, mais alimento.  Os organismos vivos desempenham funções em vários níveis diferentes que podem ser exploradas para a execução de computações. Os exemplos vão desde o sistema nervoso complexo dos animais superiores, até as proteínas individuais.  Entender os limites de eficiência de cada um desses níveis é importante para que os cientistas possam centrar seus estudos em mecanismos mais promissores.
"Este é um dos primeiros trabalhos a analisar os limites fundamentais sobre os limites de velocidade dos biocomputadores moleculares", disse ele.

O Dr. Chu afirma que o estudo é importante também para a computação em geral e mesmo para o entendimento do funcionamento dos sistemas biológicos.  Segundo ele, além das implicações teóricas e práticas para o campo das máquinas moleculares, o estudo mostra o quanto ainda precisamos compreender sobre o próprio funcionamento dos seres vivos, que exploram as potencialidades de cálculo de uma forma que a ciência ainda não compreende totalmente.  Essa compreensão deve se aprofundar, se quisermos de fato reproduzir as capacidades de computação e de decisão observadas mesmo nas unidades mais básicas das moléculas e das células vivas.

"Nossos resultados são potencialmente de grande importância teórica e prática. Muito trabalho resta a ser feito para compreender suas implicações para o campo da computação molecular, mas também para a nossa compreensão dos princípios de design do mundo vivo," conclui ele.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Brasil, o País do Presente (80): As múltiplas interfaces entre ciência, tecnologia e sociedade

Esta matéria deve ser lida com atenção e seguida de reflexão, pois aponta algo muito importante para a nossa sociedade e para o futuro do Brasil não só como o "Gigante das Américas" mas principalmente pela sua futura posição de liderança no mundo.

As múltiplas interfaces entre ciência, tecnologia e sociedade

Polêmicas públicas recentes a respeito de temas ambientais (novo Código Florestal), científicos (uso de células tronco para pesquisa) e econômicos (modelo de exploração do petróleo do pré-sal) possuem um traço em comum.  Todos estão fortemente relacionados a desenvolvimentos científicos e tecnológicos, ou representam desafios à capacidade brasileira de articular sua ciência e tecnologia (C&T) às necessidades estratégicas do país.

Pensar tais temas demanda abordagens inovadoras, que não separem aspectos técnicos de variáveis sociais, culturais, econômicas ou históricas.  Esse desafio vem sendo enfrentado por pensadores associados ao campo emergente de pesquisas denominado CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade).  Apesar de cada vez mais relevante no mundo todo, tal abordagem ainda é relativamente pouco utilizada no Brasil. O contexto brasileiro atual, no entanto, demanda cada vez mais esse tipo de reflexão, e deixar de fazê-la é uma opção arriscada.

A recente discussão altamente polarizada em torno do novo Código Florestal brasileiro é exemplar da falta de articulação estratégica entre nossas capacidades científicas e o debate público a respeito de nossos recursos naturais.  Enquanto o texto tramita pelo Congresso, a Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciência (ABC) alertaram, por meio de nota, que nunca foram chamadas a participar do debate em torno do código.  Clamam, nesse mesmo comunicado, por um período mais longo de discussões antes da aprovação final da medida, para que seja elaborado e aprovado um código florestal "com base científica e tecnológica considerando aspectos jurídicos não punitivos e com equidade econômica, social e ambiental".


Esse pedido não é banal, pois envolve a construção de um diálogo ampliado em torno das formas pelas quais deveríamos explorar nossos vastos recursos naturais; tanto para a agricultura, área na qual o Brasil já é uma grande potência mundial, quanto para fins mais ligados à exploração sustentável e às preocupações ecológicas.  Nossa imensa biodiversidade, por exemplo, poderia ser fonte de novos conhecimentos em áreas tão distintas quanto biocombustíveis a, cosméticos e medicamentos. Essa lista poderia ser expandida em muito, caso houvesse investimento estratégico em pesquisas direcionadas a buscar formas sustentáveis de exploração das nossas terras e florestas.

A ausência, no debate legislativo, de importantes instituições ligadas à C&T, que além de tudo são financiadas em boa parte pelo próprio Estado, sugere um dilema a ser explorado: em um contexto de crescimento econômico, quando o Brasil busca firmar-se como país mais justo e mais desenvolvido, podemos abrir mão de debater amplamente o uso presente e futuro de nossos recursos naturais?

Essas polêmicas, além disso, podem ser reduzidas às suas dimensões estritamente "ambientais", "científicas" ou "econômicas"? Essa redução não estaria impedindo uma compreensão mais complexa da multiplicidade de fatores que estão em jogo nessas polêmicas, cujo desenrolar é decisivo para nosso futuro?  Discute-se muito no Brasil, e não sem razão, a importância de se investir mais em educação, além de se buscar o crescimento econômico sustentado através de um crescimento da nossa capacidade inovadora.

O que é ainda pouco debatido, no entanto, é a interface entre a dinâmica da C&T e os problemas socioculturais e econômicos a ela relacionados. Esse vácuo é especialmente nocivo quando temos, como agora, temas de extrema relevância na pauta nacional sendo discutidos em chaves simplistas, excluindo vozes de extrema relevância em favor de acordos políticos de curto prazo.

O campo de estudos CTS vem se configurando em uma arena interdisciplinar na qual tais questões são explicitadas de forma sofisticada, podendo contribuir em muito para o debate em torno de problemas na interface entre C&T e sociedade.  O campo congrega desde sociólogos, antropólogos, historiadores, até economistas, filósofos, e cientistas políticos, articulando, em suas pesquisas, a C&T a problemas sociais, culturais e econômicos.

Desde a compreensão de como o conhecimento científico é produzido e demarcado da não-ciência, até a forma como é mobilizado nas mais distintas dinâmicas sociais e políticas, estudiosos da área de CTS vêm contribuindo sistematicamente com reflexões sobre como a sociedade e a C&T constroem-se mutuamente; bem como esse processo, fortemente disputado, precisa ser melhor compreendido.  Ou seja, nossas opções em termos de como organizamos a C&T são, ao mesmo tempo, opções sobre que tipo de sociedade queremos.

Buscamos gerar riquezas na Amazônia a partir de atividades que são intensivas em tecnologia, criando uma dinâmica econômica mais sustentável? Ou optamos por usos de baixa tecnologia, que além de tudo dependem de desmate em grande escala, gerando danos ambientais e perda de recursos genéticos que ainda nem conhecemos?  Devemos investir em laboratórios para conhecer e gerar riquezas a partir da nossa biodiversidade, ou optamos por não interferir nas lógicas coloniais de ocupação destrutivas que herdamos? 
Buscamos conhecer como nossas populações nativas se relacionam com o meio natural, ou ignoramos esses saberes tradicionais?


Ou seja, nenhuma dessas questões é simplesmente científica, tecnológica ou social: essas esferas são sempre interrelacionadas.  Desde pelo menos os anos 1970, a problemática ambiental vem se destacando como uma preocupação de governos, movimentos sociais e meios acadêmicos. O problema da poluição, a perda de biodiversidade, o aquecimento global e mais recentemente o desenvolvimento sustentável como forma de superar a pobreza, têm sido tópicos de destaque no movimento ambientalista e além dele. Muitos desses temas já foram inclusive incorporados às preocupações correntes de políticos, consumidores, e até mesmo da cultura popular.

Não coincidentemente, os estudos CTS tiveram seu início associado em parte às preocupações ambientais. Novas tecnologias, como a nuclear, cuja promessa era a de ampliar a disponibilidade de energia limpa, rapidamente se mostraram também fontes de novos e graves problemas, cuja solução está longe de ser encontrada. Grandes desastres nucleares, como Chernobyl (na antiga União Soviética) e, mais recentemente, em Fukushima (no Japão), explicitam de forma dramática a inextrincabilidade entre questões ambientais, sociais e de C&T.

Os desastres ocorridos na região serrana do Rio de Janeiro, por exemplo, foram causados tanto por uma ausência de planejamento urbano e de ocupação do solo, áreas em que o Brasil possui capacidade científica, quanto por uma ausência de sistemas de alerta que poderiam ter evitado um grande número de mortes. Diversas situações semelhantes acontecem, em menor escala, praticamente todos os anos.  Por que, ainda assim, o conhecimento científico e o planejamento urbano não dialogam de forma mais próxima, de forma a evitar tais desastres? A compreensão de tais dilemas requer uma atenção tanto para o "social" quanto para o "científico e tecnológico".

Os recentes investimentos feitos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) na compra de um supercomputador (Tupã), a fim de melhorar as previsões do tempo, sinalizam na direção de uma preocupação maior com o uso da C&T para usos socialmente relevantes, como a prevenção de desastres naturais.  O Inpe vem sendo também importante na política de combate aos desmatamentos ilegais, fornecendo informações a respeito de focos de desmatamento cada vez mais detalhados e em tempo real, possibilitando a articulação entre instituições como o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), a Polícia Federal e o sistema judiciário no combate à destruição de florestas.

O exemplo do desmatamento é relevante por dois aspectos: primeiro, demonstra a importância de investimentos em sistemas de C&T cada vez mais complexos. O Brasil deve ter um programa espacial e a capacidade de construir e lançar satélites, pois eles possuem aplicações importantes nas áreas militar, ambiental e de telecomunicações. Segundo, demonstra a urgência em debater os rumos sociais, éticos e políticos dos novos investimentos em C&T.  Uma tecnologia como a do sensoriamento remoto, por exemplo, pode ser usada para vigilância de fronteiras, mapeamento ou na detecção de queimadas ilegais. Os usos dessas tecnologias dependem das prioridades estabelecidas socialmente, e a difusão dos benefícios que tais usos geram dependem da forma como são desenvolvidos, organizados e utilizados.
O debate sobre o novo Código Florestal mostra, infelizmente, a ausência dos nossos cientistas em discussões fundamentais para o futuro do país. Mostra também a pouca relevância atribuída ao pensamento sobre a C&T e sua articulação com a sociedade.  A ausência de reflexão em uma área tão relevante como a do meio ambiente, por exemplo, tem consequências imprevisíveis e irreversíveis: a biodiversidade, uma vez extinta, não tem como ser recuperada.

O investimento sistemático em inovação tecnológica deve ser acompanhado, portanto, do investimento em áreas como a de CTS, como forma de construir pontes entre desenvolvimentos na C&T e os mais diversos problemas sociais que o país enfrenta.  A exploração de petróleo no pré-sal, a proteção e uso sustentável de nossas florestas, o nosso programa espacial, o desenvolvimento de novos biocombustíveis, entre tantos outros desafios do presente (mas que ajudarão a orientar nossas opções de desenvolvimento futuro), precisam de uma reflexão que consiga agregar, de forma interdisciplinar, conhecimentos de uma diversidade de áreas de especialização.

Além disso, essas questões carecem de um pensamento estratégico, para que possam gerar não apenas ganhos econômicos momentâneos e localizados, mas que auxiliem na construção de uma sociedade mais justa e democrática, envolvendo a exploração sustentável do meio ambiente e a redução de desigualdades sociais centenárias.  O tipo de sociedade que desejamos depende, em grande medida, da C&T desenvolvida, agora e no futuro.

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Com essa postagem encerramos as publicações deste semestre sobre o avanço brasileiro em diversas áreas.  No início, parecia que eu falava sozinho ou que era membro de uma seleta confraria de meia dúzia de sonhadores, que enxergava coisas maravilhosas num mundo onde a mídia só apresenta porcaria.  Pois bem, o panorama agora mudou e cada vez mais a população começa a perceber que o País do Futuro tornou-se o País do Presente.

Que os investimentos em Educação possam se efetivar e formar eleitores com clareza de raciocínio capazes de impulsionar as transformações sociais tão necessárias em nosso País.  E que movimentos de ativistas como o Anonymous se tornem cada vez mais fortes e presentes, forçando os (des)governos a adotar uma política de transparência total em suas ações.

Em agosto nós voltamos com mais novidades alvissareiras!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O Mundo do Futuro, hoje (61): Nanotecnologia aciona nervos e move membros paralisados




Nanotecnologia aciona nervos e move membros paralisados
Cientistas da Universidade Case Western, nos Estados Unidos, conseguiram controlar os músculos de um paciente com paralisia total, em estado inconsciente, enviando pulsos de eletricidade diretamente para seus nervos. Matthew Schiefer e seus colegas conseguiram um nível de precisão sem precedentes ao atuar diretamente sobre as células dos nervos, sem precisar atuar diretamente no cérebro.

O experimento pode marcar o início de uma técnica que, no futuro, poderá permitir que pacientes paralisados, mesmo os tetraplégicos, recuperem a capacidade de controlar seus músculos, podendo sentar-se na cama ou até mesmo voltar a andar.  Quando uma lesão na espinha quebra a conexão que traz os comandos de movimentação do cérebro, através dos nervos, até os músculos, os nervos situados depois do ferimento ficam inertes, como fios elétricos sem energia.

O que os cientistas estão fazendo é conectar minúsculos fios diretamente a esses nervos desenergizados, permitindo o envio de comandos de forma artificial para movimentar os músculos.  O desenvolvimento da nanotecnologia está permitindo a fabricação de fios cada vez mais finos e sua conexão de forma precisa, permitindo selecionar músculos individuais para serem ativados através de comandos artificiais gerados por computador.

Nesta pesquisa, os cientistas demonstraram a possibilidade de controle preciso dos quatro músculos necessários para que uma pessoa possa ficar de pé, o que por si só seria um avanço sem precedentes para um paciente hoje totalmente paralisado sobre uma cama. O segredo do sucesso do experimento é um novo tipo de eletrodo, chamado FINE (Flat Interface Nerve Electrode) - eletrodo plano de interface com os nervos, em tradução livre.

Esses novos eletrodos permitem uma melhor conexão com as fibras nervosas ao comprimi-las, sem qualquer dano ao nervo, evitando o mal contato típico das conexões entre equipamentos eletrônicos e tecidos biológicos.  Até agora havia duas abordagens para conectar os eletrodos aos nervos. A primeira utiliza minúsculas agulhas que perfuram os nervos. Esta técnica garante uma boa conexão, mas danifica os nervos.
A segunda técnica consiste em um anel que prende as fibras nervosas. Apesar de não danificar os nervos, o anel atinge apenas as fibras nervosas que entram em contato com ele. Ao não alcançar as fibras internas, a conexão é ruim.

Os eletrodos planos apresentaram o melhor resultado, não danificando os nervos e, ao comprimir os nervos, transformando-os em uma espécie de fita, consegue conexão com um grande número de fibras nervosas, obtendo uma conexão ainda melhor do que as as nanoagulhas.  Em um outro conjunto de experiências, os eletrodos foram implantados temporariamente sobre os nervos de sete pacientes submetidos a uma cirurgia de rotina na coxa.  Pulsos elétricos com apenas 250 microssegundos de duração foram utilizados para ativar os músculos que estendem o joelho e flexionam a articulação do quadril quando uma pessoa se levanta. Cada músculo foi ativado de forma seletiva e independente.

Os pulsos não foram suficientes para dobrar as articulações, mas os resultados sugerem que pulsos mais longos deverão estimular os músculos para fornecer força suficiente para suportar o peso do corpo.  Agora os cientistas estão solicitando autorização às autoridades de saúde para fazer um teste em larga escala da nova técnica, envolvendo um maior número de pacientes e objetivando o controle muscular mais preciso.
Os resultados desses experimentos promissores foram publicados no  Journal of Neural Engineering.

terça-feira, 21 de junho de 2011

O Mundo do Futuro, hoje (60): Nova tecnologia permite que cegos "vejam" emoções

Há algumas semanas eu postei informações sobre dispositivos que se propõem a superar deficiências visuais.  Agora me chega essa traquinagem que achei bastante inteligente e promissora, mostrando que os limites podem e devem sempre ser revistos e ampliados, para o benefício da humanidade.

Nova tecnologia permite que cegos "vejam" emoções
Sem a visão, é impossível interpretar as emoções faciais - ou, pelo menos, é assim que se acreditava até hoje.  Agora, pesquisadores desenvolveram uma espécie de código Braille para as emoções, que permite que os cegos "enxerguem" as emoções dos outros.  "A tecnologia cria possibilidades totalmente novas de interações sociais para os deficientes visuais," diz o Dr. Shafiq ur Réhman, da Universidade de Umea, na Suécia, um dos criadores da nova técnica.

A falta do sentido da visão pode ser muito limitante na vida diária das pessoas. A limitação mais óbvia é certamente a dificuldade de se movimentar.  Mas pequenos detalhes do dia a dia, que as pessoas com visão normal nem questionam, também são perdidos.  Um desses detalhes é a capacidade para captar as expressões faciais das pessoas com quem se está interagindo.  As expressões faciais fornecem informações sobre as emoções das pessoas e são importantes na comunicação. Um sorriso, ou um levantar de sobrancelhas, por exemplo, pode mudar completamente o sentido de uma frase.

A falta das informações fornecidas pelas expressões faciais cria barreiras às interações sociais. 
"As pessoas cegas compensam as informações que a visão não lhes dá com outros sentidos, como o som. Mas é muito difícil entender emoções complexas apenas a partir da voz," diz Réhman.

Para ajudar a resolver esse problema, o grupo de pesquisas de Réhman desenvolveu uma nova tecnologia baseada em uma web câmera comum, um aparelho eletrônico do tamanho de uma moeda e um "mostrador táctil" que fica em contato com a pele do usuário.  Esse conjunto é suficiente para dar ao deficiente visual a capacidade de interpretar as emoções humanas.

A informação visual captada pela câmera é transformada em padrões vibratórios que são passados para o usuário por meio do mostrador táctil.  "As vibrações são ativadas sequencialmente para fornecer informações dinâmicas sobre que tipo de emoção a pessoa está demonstrando e a intensidade da emoção," explica o pesquisador.  O primeiro passo para usar a tecnologia é aprender os padrões das diferentes expressões faciais.

Na fase de treinamento, o deficiente visual usa um mostrador táctil maior, instalado no espaldar da cadeira. Ele ouve o nome da emoção e outras características, como a intensidade da emoção, e faz a associação com o padrão vibratório que está sentindo.  O principal foco da pesquisa foi caracterizar as diferentes emoções e encontrar uma forma de apresentá-las. Para isso, os pesquisadores usaram os mais recentes avanços da engenharia biomédica e da visão artificial por computador.

A possibilidade de transformar informações visuais em informações tácteis se mostrou tão promissora que os cientistas já estão pensando em utilizar a tecnologia em outras áreas.  "Nós demonstramos com sucesso como a tecnologia pode ser implementada em um telefone celular para passar informações sobre um jogo de futebol e sobre as emoções humanas, tudo usando as vibrações do aparelho. Esta é uma forma interessante de otimizar a experiência dos usuários de celulares," diz o pesquisador.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Brasil, o País do Presente (79): Frente Parlamentar da Pesquisa e Inovação é lançada

Por enquanto não podemos esperar muito, visto que a maioria dos parlamentares não é apta nem para gerenciar pastelaria, embora saibam butinizar o erário como ninguém.  Mas já é um avanço.  Quem sabe nas futuras gerações tenhamos técnicos, gestores e cientistas a ocupar os cargos eletivos em todas as esferas de governo?

Frente Parlamentar da Pesquisa e Inovação é lançada

A nova Frente Parlamentar da Pesquisa e Inovação (FPPI) foi lançada nesta quarta-feira no Senado Federal.  Composta por mais de 200 parlamentares de todo o país, a frente tem o objetivo de contribuir para o aprimoramento da legislação federal com foco na Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), assim como promover a alocação de recursos orçamentários para o setor.

A Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica Industrial (Abipti) responderá pela secretaria executiva da frente, que será coordenada pelo deputado federal Paulo Piau (PMDB-MG). A Abipti representa mais de 200 entidades de pesquisa, desenvolvimento e inovação.  "Nossas prioridades são os marcos legais e a tentativa de desburocratizar o processo de desenvolvimento de C&T, seja para o desenvolvimento de pesquisas, aplicação de recursos e registro de patentes", disse Piau.

A FPPI (Frente Parlamentar da Pesquisa e Inovação) será uma associação suprapartidária com pelo menos um terço de membros do Poder Legislativo Federal, destinada a promover o aprimoramento da legislação federal sobre pesquisa e inovação.  Um dos objetivos é que a instância se estabeleça como um canal permanente de comunicação com as organizações que debatem a inovação tecnológica e as pesquisas científicas.  "A Frente ajuda a dialogar com os parlamentares para que o país entenda que o futuro depende do avanço da ciência, tecnologia e inovação. Só assim o Brasil dará um salto em direção à quinta ou sexta economia do mundo", disse o Ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

A frente organizará a agenda legislativa da pesquisa e da inovação e buscará promover e intervir no desenvolvimento de políticas públicas, visando o fortalecimento da pesquisa e maior desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil. A FPPI se propõe ainda a lidar com a manutenção de um canal permanente de comunicação com as organizações que formam a cadeia brasileira de pesquisa e inovação; o fortalecimento e a consolidação da presença e do posicionamento dessas entidades no Congresso Nacional; e a promoção da alocação de recursos orçamentários e financeiros para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.  Apesar de tantas propostas, a única ação concreta anunciada durante o lançamento foi a divulgação de um email para contato, criado em um sistema gratuito de correio eletrônico: frentepesquisaeinovacao@hotmail.com.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O Mundo do Futuro, hoje (59): Câmeras 3D para celular


Em 2009 eu conversava com alguns amigos sobre o futuro da filmagem 3D e de como ela estaria disponível em breve para o consumidor final.  Mais uma vez ouvi risadas histriônicas, daquelas que já torraram a minha paciência, sempre emitidas por bugres ignaros que se acham o máximo mas não passam de embusteiros.  Resultado: olhaí a prova de que eu apontava para algo óbvio...

Câmeras 3D para celular
Está vendo essa pecinha aí de cima? É a primeira câmera 3D para celular. Ela foi inventada pela Sharp, tem mais ou menos 5 cm de comprimento e grava filmes 3D em alta definição (720p). A ideia é que os celulares tenham essa câmera e uma tela autoestereoscópica, ou seja, que gera o efeito tridimensional sem o uso de óculos especiais. Você poderia filmar em 3D e ver o resultado, também em 3D, no próprio celular.

Muito legal. A tela também é fabricada pela Sharp, que desde o ano passado já vende um celular 3D no Japão – e, dizem, deve fornecer a tela do Nintendo 3DS, um videogame portátil.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O Mundo do Futuro, hoje (58): Sobre Energia (8)

Plásticos condutores podem derrubar preços dos painéis solares
Uma nova técnica de fabricação de plásticos condutores de eletricidade, pode ser um caminho promissor para reduzir o custo de fabricação de painéis solares e para viabilizar a fabricação de inúmeros outros gadgets mais cômodos de se usar.

Os plásticos translúcidos, maleáveis e capazes de conduzir eletricidade como se fossem metais representam uma alternativa de baixo custo ao óxido de índio-estanho, o caríssimo material utilizado atualmente nos painéis solares.  "Os polímeros condutores [plásticos] estão por aí há bastante tempo, mas processá-los para fabricar alguma coisa útil degrada sua capacidade de conduzir eletricidade," afirma Yueh-Lin Loo, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. "Nós descobrimos como evitar esse inconveniente. Nós podemos moldar o plástico em formas úteis, mantendo sua alta condutividade."

A área da eletrônica orgânica é promissora tanto para a produção de novos tipos de dispositivos eletrônicos quanto para o desenvolvimento de novas formas de produção das tecnologias existentes.
Mas ela tem sido prejudicada pela "misteriosa" perda de condutividade que ocorre quando esses plásticos à base de carbono - daí o termo "orgânico" - são moldados. Agora, o grupo internacional de pesquisadores descobriu que dar flexibilidade aos plásticos condutores tem um efeito oposto sobre sua estrutura atômica, aprisionando-a em blocos rígidos que impedem que a corrente elétrica flua.

Assim que desvendaram a origem do problema, Loo e seus colegas desenvolveram uma maneira de relaxar a estrutura do plástico tratando-o com um ácido depois que o material já foi moldado na forma desejada.
Usando esta técnica, eles construíram um transistor de plástico, o componente fundamental da eletrônica, usado para amplificar os sinais eletrônicos e para funcionar como uma chave liga-desliga para a corrente elétrica.

Os eletrodos do transístor foram depositados sobre a superfície de silício por uma técnica de impressão, de forma similar à que uma impressora jato-de-tinta utiliza para depositar a tinta sobre o papel - com a diferença de que a "tinta" usada era o polímero condutor de eletricidade.  Atualmente, a eletricidade gerada pelas células solares plásticas, ou orgânicas, é coletada por um fio metálico transparente, feito com óxido de índio-estanho. O condutor deve ser transparente para que a luz solar possa passar através dele e atingir os materiais que realmente absorvem os fótons.

"Ser capaz de essencialmente pintar circuitos eletrônicos é algo muito significativo. Você poderia distribuir os plásticos condutores em cartuchos, como se vende hoje tinta da impressora, e você não precisa de máquinas exóticas para imprimir os padrões," disse Loo, ressaltando que isso torna a fabricação em série de circuitos eletrônicos tão rápido e barato quanto imprimir um jornal.  Isso permitiria, por exemplo, uma dupla redução no custo das células solares - tanto pela sua fabricação em rolos, em alta velocidade, quanto pela substituição do óxido de índio-estanho por um plástico de custo muito mais baixo.

Esse óxido é um subproduto da mineração de outros metais, e vem tendo sua demanda extremamente elevada nos últimos anos porque ele é essencial para a fabricação de telas planas, seja para televisores, telefones celulares ou outros aparelhos. Isto tem praticamente contrabalançado todos os avanços técnicos na fabricação de células solares, impedindo que seus preços caiam.  "O custo do óxido de índio-estanho está subindo rapidamente," disse Loo. "Para reduzir os custos das células solares orgânicas, temos de encontrar um substituto para ele. Nossos plásticos condutores deixam a luz solar passar, tornando-se uma alternativa viável."

Os pesquisadores afirmam que os plásticos condutores também podem substituir outros metais caros usados em outros dispositivos eletrônicos, como nas tão esperadas telas flexíveis e enroláveis.  Além disso, os cientistas estão começando a explorar a utilização dos plásticos condutores na fabricação de sensores biomédicos capazes de mudar de cor se uma pessoa tiver uma infecção.  Por exemplo, esses plásticos passam de amarelo para verde quando expostos ao óxido nítrico, um composto químico produzido nas infecções de ouvido que ocorrem tão frequentemente em crianças.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Brasil, o País do Presente (78): Observatório Nacional inaugura centro de pesquisa geofísica

Observatório Nacional inaugura centro de pesquisa geofísica

O Observatório Nacional (ON), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, inaugura nesta sexta-feira o primeiro Pool de Equipamentos Geofísicos do Brasil (Peg-Br), o que leva a instituição a situar-se entre os principais centros de geofísica do mundo.  As medições geofísicas para estudos geológicos incluem dados tridimensionais (profundidade) que mapeiam uma determinada região. "A gente consegue mapear de forma indireta, não invasiva, o interior da terra. Conhecer grandezas físicas do interior da terra," explica Sérgio Fontes, diretor do Observatório Nacional.

A densidade, a condutividade elétrica, a variação das ondas provocadas pelos terremotos são algumas dessas grandezas. "Tudo isso a gente pode mapear. Com implicações para recursos naturais e energéticos," afirma.  De acordo com a Lei do Petróleo, 1% da receita bruta dos poços gigantes da Petrobras e de outras operadoras do setor de petróleo e gás tem de ser aplicada em pesquisas, sendo metade nos centros de estudos das próprias empresas e metade em instituições nacionais. O Peg-Br foi construído com esses recursos, que somaram R$ 14 milhões, pagos pela Petrobras.  Fontes esclareceu, porém, que o projeto não se destina a atender somente a estatal. Os recursos passam a ser da instituição, no caso o Observatório Nacional.

"Não é só no interesse da Petrobras que o pool atua. Atua em qualquer pesquisa de interesse do Brasil, com fins não comerciais," disse. O projeto está disponível para pesquisadores das instituições que integram a Rede de Estudos Geotectônicos, coordenada pela Petrobras.  O Peg-Br já conta com mais de 30 projetos concluídos ou em andamento. Sergio Fontes destacou, entre os projetos a cargo do Observatório Nacional, a Rede Sismográfica do Sul e Sudeste do Brasil (Rsis) e a Rede Brasileira de Observatórios Magnéticos (Rebom). Os projetos receberam investimentos de R$ 6,1 milhões da Petrobras e de R$ 1,2 milhão da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), respectivamente.

Embora o Brasil não seja um país de grande atividade sísmica, o diretor do ON disse que ocorrem sismos de magnitude entre três e quatro graus na escala Richter nas regiões pesquisadas, que precisam ser monitorados. "O fato de a gente monitorar ajuda na formulação de políticas públicas".  Fontes acrescentou que a rede do Sul/Sudeste está localizada em uma área que apresenta a maior população do país. Outro ponto de destaque é que as informações que essas medidas contínuas fornecem permitem entender muito mais sobre o interior da terra e ver o que existe em profundidades elevadas, acima de 100 ou 200 quilômetros, explicou. Os sismógrafos são capazes de detectar sismos que ocorrem em qualquer local do mundo.

Os estudos referentes às redes sismográficas das demais regiões brasileiras estão sendo desenvolvidos pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Nordeste) e pelas universidades de São Paulo e de Brasília. "A idéia é que o ON centralize o banco de dados com todas as estações," disse Fontes.  Entre agosto e setembro deverão ser concluídas as instalações e até o fim do ano a rede nacional deve entrar em funcionamento pleno, quando serão feitos boletins regulares da atividade sísmica no país.

A Rede Brasileira de Observatórios Magnéticos (Rebom) conta hoje com quatro observatórios implantados. Esse número será elevado para oito.  A rede terá ainda 12 estações itinerantes, instaladas entre o Tocantins e o Amapá. Sergio Fontes lembrou que o campo magnético da terra serviu muito, no passado, para os navegadores, que utilizavam instrumentos como a bússola em seus deslocamentos pelos mares.

Da mesma forma, o campo magnético ajuda nos estudos sobre o interior da terra, permitindo conhecer a condutividade elétrica, a suscetibilidade magnética.  "São parâmetros de grandezas físicas que nos ajudam também a entender o que está ocorrendo com o planeta, que é dinâmico. E nos ajuda também com relação aos recursos energéticos, naturais", concluiu.

Mais informações sobre o laboratório podem ser obtidas no endereço www.pegbr.on.br.




quinta-feira, 9 de junho de 2011

O Mundo do Futuro, hoje (57): Sobre geração de energia (7)



Borracha que gera energia poderá alimentar marcapassos e celulares

Engenheiros da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, desenvolveram folhas de borracha flexíveis capazes de gerar eletricidade a partir do movimento.  As folhas flexíveis poderão ser utilizadas na fabricação de acessórios, roupas e sapatos, aproveitando os movimentos naturais do corpo, como a respiração e o caminhar, para alimentar marcapassos, telefones celulares e outros equipamentos portáteis.

O material, composto por nanofitas de cerâmica incorporadas em folhas de borracha de silicone, gera eletricidade quando flexionado - um fenômeno conhecido como piezoeletricidade.  A ideia não é nova e já existem vários protótipos de nanogeradores que exploram a energia biomecânica e de vários tipos de músculos artificiais baseados no mesmo princípio.

Recentemente, foi vencido um grande desafio para o aproveitamento prático das vibrações de frequência variável da natureza na geração de eletricidade.  Mas esta é a primeira vez que os pesquisadores conseguem combinar com sucesso as nanofitas de titanato-zirconato de chumbo (PZT), um material cerâmico que é piezoelétrico, com o silicone, que é flexível, barato e biocompatível, já sendo utilizado em implantes e outros dispositivos médicos.

Dentre os vários tipos de materiais piezoelétricos, o PZT é o mais eficiente que se conhece até hoje, sendo capaz de converter 80% da energia mecânica aplicada a ele em energia elétrica.  O PZT é 100 vezes mais eficiente do que o quartzo, outro material piezoelétrico," explica Michael McAlpine, que liderou o projeto. "Você não gera tanta energia assim ao caminhar ou respirar, então você vai querer aproveitá-la da forma mais eficiente possível."

Os pesquisadores primeiro fabricaram as nanofitas de PZT - tiras tão estreitas que 100 delas colocadas lado a lado cabem em um espaço de um milímetro. Em um processo separado, eles incorporaram essas fitas em folhas de borracha de silicone, criando o que eles chamaram de "chips de piezo-borracha".  O uso do silicone faz os cientistas acreditarem que será muito mais fácil utilizar a sua piezo-borracha em dispositivos práticos, inclusive implantados no corpo humano.  "Os novos dispositivos geradores de eletricidade poderiam ser implantados no corpo para alimentar dispositivos médicos perpetuamente, e o corpo não os rejeitará," disse McAlpine.

Mas esta é só uma previsão, e o uso prático do novo material terá que ser antes avaliado pelas autoridades de saúde, devido principalmente à presença da cerâmica PZT. Nenhuma avaliação desse tipo foi feita nesta pesquisa.  Mas o uso externo do material não impõe tantas restrições. Tênis e sapatos feitos com a borracha piezoelétrica, por exemplo, poderão aproveitar os movimentos de uma caminhada ou de uma corrida para recarregar o celular ou alimentar o tocador de MP3. O mesmo poderia ser feito com coletes que utilizem o movimento do tórax durante a respiração.

Além de gerar eletricidade quando é flexionado, o oposto também é verdadeiro: a piezo-borracha flexiona quando uma corrente elétrica é aplicada sobre ela.  Isso abre possibilidades para outros tipos de aplicações, como seu o uso em equipamentos médicos de microcirurgia, afirma McAlpine, sempre de olho na área médica.  Essa ação mecânica faz a piezo-borracha funcionar como um atuador, uma espécie de músculo artificial, de grande interesse na área de robótica, por permitir a construção de robôs mais leves, menores e com menor consumo de energia.

"A beleza [deste material] é que é tudo escalável," afirmou Yi Qi, coautor da pesquisa. "Conforme avançarmos na fabricação dessas borrachas, seremos capazes de fazer folhas maiores e maiores, capazes de gerar mais e mais energia."

SEM LIMITES PARA ENSINAR / MOYA - ESCOLA DE AVENTURA

CRIATIVO E INQUIETO (uma combinação muito interessante...) Quando eu me mudei do Rio de Janeiro para Brasília, em 2016 , imaginava ...