segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Série Especial - Brasil, o País do Presente (19): Painéis solares




Em mais um capítulo da série que mostra um Brasil que o Brasil desconhece, temos agora uma nova solução para a questão energética, vinda da Unicamp.

Unicamp cria conversor para ligar painéis solares à rede elétrica
Engenheiros da Unicamp criaram o primeiro conversor eletrônico brasileiro capaz de conectar painéis solares diretamente à rede elétrica, o que deverá inaugurar uma nova etapa no aproveitamento da energia solar no país.

O conversor eletrônico de potência trifásico tem um grau de eficiência de 85%. Os primeiros testes foram realizados entre dezembro e janeiro no Laboratório de Hidrogênio (LH2) da Unicamp, onde já funciona uma planta-piloto de geradores alternativos conectada à rede da CPFL Paulista.

De acordo com Ernesto Ruppert Filho, que desenvolveu o conversor juntamente com seu colega Marcelo Gradella Villalva, não se tem notícia até o momento de nenhum outro conversor eletrônico similar no Brasil.

O protótipo foi testado com êxito numa instalação de painéis solares com capacidade de 7,5 kW. "Este conversor substituiu plenamente, durante o período de testes, os três conversores eletrônicos monofásicos adquiridos da empresa alemã SMA, que estão atualmente ligados a esses painéis solares", afirmou o professor. Diante dos resultados promissores, o próximo passo é buscar parceiros interessados na industrialização do conversor.

Ainda que o protótipo tenha consumido R$ 15 mil, os pesquisadores calculam que, em escala industrial de produção, o conversor poderá alcançar um custo final aproximado de R$ 10 mil.

"Existem alguns componentes que poderiam custar muito menos, caso já estivéssemos em escala industrial. Se compararmos o custo final de R$ 10 mil com o custo do conversor importado, isso significa uma redução de um terço. É realmente muito vantajoso nacionalizar essa tecnologia," assegurou o pesquisador.

Villalva explica que todas as fontes renováveis de energia necessitam de algum tipo de conversor eletrônico de potência para permitir o aproveitamento adequado da energia elétrica produzida.
Os painéis solares fotovoltaicos geram energia elétrica na forma de corrente contínua, diferente da rede elétrica, que possui corrente alternada. O papel do conversor é transformar a corrente da forma contínua para a alternada.

Não existem equipamentos nacionais com esta finalidade para uso com painéis fotovoltaicos, o que causa uma dependência de tecnologia importada, como é o caso dos conversores alemães instalados no LH2. "Por este motivo resolvemos desenvolver um equipamento nacional. Atingimos a eficiência de 85%, no entanto o objetivo agora é chegar aos 90% para alcançar a tecnologia alemã," diz Villalva.

Além do elevado custo dos painéis solares fotovoltaicos, ainda não se criou no Brasil a cultura da geração distribuída de energia. "Isso não foi ainda devidamente regulamentado para pequenos produtores," afirma o pesquisador. Nos países mais avançados é possível ter em casa um painel solar e um conversor eletrônico gerando energia junto com a rede elétrica.

A tendência mundial aponta para o uso de geradores alternativos - sejam solares, a células de combustível ou mesmo biogás - em escala residencial. O eventual excesso de energia gerada, depois de suprida a demanda da própria residência, poderá ser comercializada com as concessionárias de energia.

O conversor agora fabricado na Unicamp oferece o suporte tecnológico para que essa realidade possa começar a ser construída no Brasil. "Se não tivermos um produto próprio com tecnologia nacional, vamos continuar importando dos Estados Unidos e da Alemanha. Portanto, o gargalo está na tecnologia cara dos painéis, na inexistência de um mercado que force o barateamento dessa tecnologia no país e, por último, a ausência de tecnologia nacional de conversores eletrônicos." garantiu Villalva.

Além disso, o pesquisador menciona a necessidade de uma política de incentivo às fontes alternativas de energia. Há diversos projetos de lei tramitando no Legislativo a esse respeito. Quando realmente aprovados, o Brasil terá condições de se tornar um país com uma matriz energética inteiramente à base de energia limpa.

"No estado atual, isso não existe. Existem pequenos projetos, porém isolados. Não há uma massificação da energia alternativa limpa e isso é uma coisa desejável porque dispomos de muito sol e vento", disse. A energia eólica no Brasil tampouco depende apenas do vento.

Em nível mundial, a líder em tecnologia na área de energia solar é a Alemanha, onde já estão instalados 6.500 MW de geração fotovoltaica, o que significa metade da energia produzida pela hidrelétrica de Itaipu.
Com níveis de irradiação solar superiores aos da Alemanha, o Brasil ainda tem uma geração de energia solar praticamente desprezível em sua matriz energética.

O fato de ter energia hidráulica em abundância também tem contribuído muito para a falta de investimentos em usinas de geração solar e energia eólica. Em termos de meio ambiente, contudo, a energia solar é claramente superior. A hidroeletricidade, mesmo considerada limpa, inunda grandes áreas agricultáveis e tem forte impacto sobre as populações locais.

Ruppert afirma que, na Europa e nos Estados Unidos, a utilização de geradores de energia elétrica conectados à rede secundária de distribuição por pequenos consumidores individuais já é uma realidade.

A tecnologia de pequenos conversores para painéis solares fotovoltaicos é amplamente empregada e divulgada nesses países. Consumidores são incentivados e subsidiados por agências governamentais para a instalação de sistemas de geração residenciais conectados à rede elétrica.

Painéis solares e conversores eletrônicos para a conexão com a rede são produtos facilmente encontrados no comércio e acessíveis ao grande público nos países desenvolvidos.

Além das vantagens para o usuário, que passa a gerar sua própria energia, módulos fotovoltaicos com pequenos conversores eletrônicos de potência descentralizam o processamento da energia, diminuem custos e reduzem o risco de todo o sistema elétrico.

Pequenos conjuntos de geradores fotovoltaicos podem ser instalados em qualquer ambiente em que haja incidência de raios solares, sem demandar áreas específicas, podendo ocupar telhados ou paredes.

"A integração dos painéis solares com a arquitetura predial é hoje uma prática comum e que rende bons resultados estéticos, ambientais e econômicos, pela energia elétrica gerada e pela redução dos custos de construção. Os módulos fotovoltaicos podem ser utilizados como elementos de acabamento arquitetônico, tornando seu uso ainda mais interessante", disse Ruppert.

Esses módulos podem ser instalados em quaisquer tipos de construções, como residências, condomínios, escolas, creches, hospitais e outros locais públicos, uma vez que não há grandes restrições de espaço para instalação e não há emissão de ruídos, resíduos, ou qualquer tipo de poluição.

No caso brasileiro, o professor aponta que o melhor aproveitamento da energia solar depende basicamente de dois fatores. Primeiro, da regulamentação e da atitude do governo para abraçar a geração fotovoltaica. E, segundo, do interesse da iniciativa privada em fazer os investimentos.
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Queridos leitores, que tal começarmos a nos articular para fomentar o desenvolvimento de pesquisas similares em outras universidades além da Unicamp? E, ao mesmo tempo, usarmos todas as ferramentas de comunicação digital para pressionar o governo federal e seus similares estaduais e municipais a abraçarem a causa? Com a nossa participação, essa e outras questões serão resolvidas, num espaço de tempo muito menor do que se pensa. Lembrem-se do caso da lei da ficha limpa...

domingo, 8 de agosto de 2010

Série Especial - It's Music! (13): Yakety Yak

Eu sempre achei essa música meio maluquete, mas gosto mesmo assim, além dela me lembrar alguns queridos amigos que há muito não vejo.

A gravação original é de 1958, com direito a chiados, estalidos e outros sons sobrenaturais. Discotecário, desliga o hi-fi que a bolacha é monaural!

E ainda tem uma versão em alemão. Papa-fina, tia Maria! Pega o tio Joca e simbora rodopiar no salão!!!


The Coasters - versão mono



The Coasters







Billy Sanders - Jackety Jack(Yakety Yak), 1958, Germany

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Série Especial - O Outro Mundo (15): Second Life como ferramenta de Educação

Todo mundo sabe que tenho um apreço muito grande pelo uso de mundos virtuais na Educação. Abaixo, posto um vídeo sobre o documentário "A Era do Videogame", da Discovery Channel, que dá um panorama interessante sobre diversos aspectos desses mundos onde nossos sonhos podem se materializar, mesmo que virtualmente.


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Operação Sorriso: Cirurgia para crianças com lábio leporino e fenda palatina


Queridos leitores,
Abro hoje um espaço especial para a divulgação desse programa, que pode auxiliar milhares de crianças. Parabéns aos organizadores da "Operação Sorriso" pela maravilhosa iniciativa!


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Série Especial - O Mundo do Futuro, hoje (16): Algodão que gera energia


Eis aqui mais uma inovação que vai causar mudanças profundas nos hábitos da população, bem como a transformação de produtos e serviços em breve.

Algodão que conduz eletricidade tece primeiras roupas multifuncionais
Em um futuro próximo, quando você for escolher uma camiseta ou outra peça de roupa, ou mesmo roupas de cama, poderá não ser a grife, a cor, ou nem mesmo a estampa, o que lhe fará decidir entre um modelo e outro.

Você poderá estar interessado, por exemplo, em uma camiseta de algodão que possa monitorar seus batimentos cardíacos, sua frequência respiratória e sua pressão arterial. Ou talvez analisar as toxinas liberadas pelo seu suor.

Mas haverá opções. Como roupas que coletam a luz solar ou geram energia a partir do movimento do seu corpo para recarregar seu celular ou seu iPod. Que tal então uma fronha que monitore suas ondas cerebrais? Ou um lençol que o aqueça ou refrigere de acordo com a temperatura ambiente?

Estas possibilidades ainda estão no futuro, mas um futuro cada vez mais próximo, graças ao trabalho da equipe do professor Juan Hinestroza, da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos.

Hinestroza e seus colegas já haviam recoberto fibras sintéticas com nanopartículas, criando tecidos funcionais que podem ser utilizados para fabricar uma roupa antibacteriana que protege contra gripes, resfriados e até poluição. Agora eles adotaram um enfoque mais naturalista, e decidiram trabalhar com fios de algodão.

O resultado são fibras naturais de algodão capazes de conduzir eletricidade tão bem quanto fios de metal da mesma espessura, sem perder a flexibilidade e a leveza que dão o conforto das roupas de algodão.

Segundo os pesquisadores, a tecnologia funciona tão bem que simples nós são capazes de completar um circuito elétrico funcional. Para demonstrar isto, eles produziram uma roupa de algodão feita com as fibras funcionalizadas que captura energia solar e a fornece a um dispositivo qualquer, como um recarregador de celular, por exemplo.

A roupa que gera energia foi apresentada ao público em março, durante o Cornell Design League Fashion Show, um evento promovido pela própria universidade. A tecnologia para transformar as fibras de algodão em fios elétricos consiste no seu revestimento com nanopartículas condutoras de eletricidade.

"Nós agora podemos ter seções de um tecido de algodão fabricado por técnicas convencionais que sejam condutoras, abrindo um leque impensável de aplicações," diz Hinestroza, que chegou aos resultados por meio de uma colaboração com colegas das universidades de Bologna e Cagliari, na Itália.

Segundo o pesquisador, o tecido feito com as novas fibras de algodão, além de conduzir eletricidade, mantém sua flexibilidade, sua leveza e é igualmente confortável. "Tecnologias anteriores já obtiveram a condutividade [em tecidos] mas as fibras resultantes tornam-se rígidas e pesadas. Nossa nova técnica deixa nossos fios totalmente adequados para o processamento normal dos tecidos, com a tecelagem, a costura ou até o bordado".

Para demonstrar que a tecnologia já superou a fase da teoria, Abbey Liebman, pesquisadora do laboratório de Hinestroza, projetou uma camiseta que utiliza células solares flexíveis que geram eletricidade, disponibilizando-a em um recarregador USB fixado na cintura da roupa.

A energia gerada é suficiente para alimentar um telefone celular ou um tocador de MP3. E não há fios metálicos conectando as células solares e nem ligando-as ao recarregador USB - somente fios de algodão desenvolvidos com a nova técnica. "Em vez de fios convencionais, nós estamos usando nosso algodão condutor para transmitir a eletricidade, de forma que nossos fios condutores se tornam parte da roupa," conclui Hinestroza.

Outras tecnologias rumo às "roupas inteligentes" incluem nanofibras que geram energia do movimento, biossensores para monitorar o estado de saúde e monitores de saúde ultrafinos e flexíveis.

O algodão parece mesmo estar em alta junto à alta tecnologia. Há poucos meses, pesquisadores construíram um biochip com linha de costura, feito com agulha de costura e fios de algodão, capaz de realizar exames de laboratório.

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Penso que pesquisas e eventos de Design deste tipo deveriam começar a surgir e crescer aqui no Brasil, não é mesmo?

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Espaço e tempo estão entrelaçados em nossa mente


Alguns dos documentários que vou usar em aulas e outras atividades que em breve você saberá do que se trata, vão falar do tempo. Dentre os objetivos está o desenvolvimento da percepção temporal e de como podemos usar isso em nosso favor. O texto a seguir é uma introdução, a partir de uma pesquisa, de como o assunto será tratado.

Espaço e tempo estão entrelaçados em nossa mente
O espaço e o tempo estão entrelaçados em nossos pensamentos, assim como eles estão no mundo físico. Mas a relação entre eles é diferente na Física e na mente humana.
Durante séculos, os filósofos têm debatido exatamente como essas dimensões estão relacionadas em nossos pensamentos. E parece que essa relação é mais profunda e começa mais cedo do que se imaginava.

Para estudar exatamente como se dá essa relação, um grupo de cientistas resolveu estudá-la em crianças, quando ela ainda não foi afetada pelo aprendizado e pela cultura. De acordo com o artigo publicado no exemplar de Abril da revista Cognitive Science, a capacidade das crianças em entender o tempo é inseparável do seu entendimento do espaço.
Para estudar a relação entre o espaço e o tempo nas mentes em desenvolvimento das crianças, os pesquisadores mostraram-lhes filmes de corrida de dois caracóis ao longo de caminhos paralelos. Cada corrida tinha diferentes distâncias ou durações diferentes.

As crianças tinham que julgar ora o aspecto espacial de cada corrida - dizendo qual animal percorreu uma distância maior - ora o aspecto temporal - apontando qual animal correu por mais tempo. Ao julgarem a distância, as crianças não tiveram nenhum problema em ignorar o tempo. Mas, quando lhes foi pedido para julgar o tempo, elas mostraram dificuldade em ignorar a dimensão espacial do evento.
Os caracóis que se moveram por uma distância maior foram incorretamente apontados como tendo viajado por mais tempo. Ou seja, as crianças utilizam a distância física para medir a passagem do tempo.

Na maioria dos idiomas ocidentais, é difícil falar sobre o tempo sem utilizar conceitos e palavras que se referem ao espaço. Todos entendem quando se fala sobre "reuniões curtas" ou "férias longas".
Será que a confusão das crianças é resultado do uso corrente de palavras que têm significados tanto espacial quanto temporal? Para evitar essa confusão, os cientistas fizeram os experimentos com crianças gregas. Os gregos utilizam um tipo diferente de vocabulário espacial para o tempo, descrevendo o tempo como se ele se acumulasse em um espaço tridimensional, em vez de considerá-lo como se estendendo ao longo de um espaço linear.
Em grego, foi possível formular perguntas naturalmente, evitando palavras ambíguas, como "longo" ou "curto". Desta forma, as respostas das crianças não foram geradas por confusões superficiais no texto - elas refletem ligações conceituais profundas entre o espaço e o tempo.

Se o tempo é avaliado em relação ao espaço, será que nossa mente captura intuitivamente a mesma relação entre essas dimensões defendida pela física moderna? "Einstein fez uma pergunta semelhante ao psicólogo infantil, Piaget", afirma Daniel Casasanto, do Instituto Max Planck de Psicolinguística, na Holanda, que fez a pesquisa juntamente com seus colegas das universidades Aristóteles de Tessalônica, na Grécia e Stanford, nos Estados Unidos.
"Mas é pouco provável que nossas intuições sobre o tempo sejam formadas por algo tão contraintuitivo quanto a relatividade de Einstein," afirma ele. Ao contrário, esta pesquisa mostra uma relação diferente. Na física, o espaço e o tempo são teorizados como sendo mutuamente inseparáveis.
Na mente, no entanto, eles são separados de forma assimétrica. As crianças podem pensar sobre o espaço independentemente do tempo, mas parece que elas não podem conceituar tempo independentemente do espaço.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Série Especial - Brasil, o País do Presente (18): Imitar e Inovar é interessante para o Brasil

Retomo essa série especial com uma entrevista de conteúdo importantíssimo. Gostaria que vocês lessem com atenção e depois refletissem no quanto tais informações podem ser relevantes no processo inovador de que tanto precisamos por aqui.

De quebra, uma notícia alvissareira: é tão grande a quantidade de novidades que vem acontecendo aqui no Brasil que simplesmente não tenho mais espaço, neste ano, para incluir nenhuma nova notícia nesta coluna. Só que a enxurrada continua...

Como não sou maluco de deixar tanta coisa boa de fora ou esperando meses para se tornar de conhecimento de vocês, visto que os meios tradicionais de comunicação não estão nem aí para coisas boas e relevantes à Nação, decidi que no mês de setembro vou publicar, no mínimo uma notícia desta série todos os dias, em comemoração aos 188 anos de independência do Brasil.

E agora, com vocês, Glauco Arbix!

Entrevista com Glauco Arbix, pós-doutor pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts

"A inovação é chave em todo o mundo. É uma peça fundamental para que as empresas cresçam rapidamente. Pesquisas indicam que as empresas que inovam pagam melhores salários, dão melhores condições ao funcionário, valorizam mais o tempo de trabalho e a experiência de seus trabalhadores".

Essa é uma das principais conclusões do professor Glauco Arbix. Em entrevista à IHU On-Line, realizada por telefone, Arbix analisa a relação entre o imitar e o inovar e a noção de propriedade intelectual na era da economia do conhecimento. Para ele, quando se "copia" uma ideia adequando-a a uma nova realidade e necessidade há um processo de inovação. "Não estou falando da cópia vulgar, a cópia significa se basear num processo que já está dado e faz acontecer de tal forma que algo de novo surge", explica.

O filósofo Glauco Arbix é doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo e pós-doutor pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts e pela London School of Economics and Political Science. Atualmente, é professor na USP.

IHU On-Line – Porque a ideia do “imitar e inovar” é interessante para ao Brasil?
Glauco Arbix – A inovação é chave em todo o mundo. É uma peça fundamental para que as empresas cresçam rapidamente. Pesquisas indicam que as empresas que inovam pagam melhores salários, dão melhores condições ao funcionário, valorizam mais o tempo de trabalho e a experiência de seus trabalhadores.

As empresas inovadoras contratam funcionários com maior tempo de escolaridade e, do ponto de vista da própria economia, elas são as mais dinâmicas, as mais aptas e as que, provavelmente, vão se transformar, ou podem se transformar, em exportadoras.

Quando trabalhamos no Brasil com inovação se percebe que, muitas vezes, tanto os empresários, quanto os órgãos públicos ou as Universidades, a palavra em si tem diferentes sentidos. Em todo país é muito forte a tradição que vê a inovação como uma atividade de alta tecnologia, que está identificada com as áreas da alta engenharia, com avanços tecnológicos que marcam época, com habilidades que dependem de cientistas e laboratórios.

No entanto, o Brasil tem mais de dez milhões de empresas, e a maioria delas não tem laboratório, engenheiros, mestrandos ou doutorandos etc. Eu já assisti palestras que falavam que há empresas nos Estados Unidos que investem dois bilhões de dólares por ano em seus laboratórios, departamentos de pesquisa e desenvolvimento.

Isso nós não fizemos no Brasil. Qual empresa daqui pode, investir 1 ou 2 bilhões de dólares? São raras as empresas do mundo que fazem isso. Então, a minha preocupação, assim como a de todos os pesquisadores aqui do observatório da inovação da USP, é exatamente mostrar que há níveis diferenciados de inovação.

Temos inovações muito radicais, que é aquela que marca época, como a Internet, a Televisão, o Rádio. Mas, ao mesmo tempo, temos inovações tão ou mais revolucionárias que não utilizaram praticamente nada de tecnologia, por exemplo, no começo do século passado um proprietário de uma empresa de automóveis, chamado Henry Ford, desenvolveu um sistema de montagem dos automóveis que revolucionou o mundo da indústria, que não foi a mesma depois dele.

Veja, ele não inventou a porca, a ruela, a correia, a base em cima da qual as peças eram levadas até os trabalhadores. Ele juntou tudo isso e teve a ideia de aproveitar melhor a capacidade de trabalho de seus funcionários, utilizando uma ideia muito antiga. E foi só isso que ele fez? Não, ele fez isso e aumentou os salários de seus funcionários e, com isso, praticamente triplicou o valor de mercado deles. Assim, a indústria nunca mais foi a mesma, não somente as empresas de automóveis, mas tudo que é industrial passou a utilizar das formas que o próprio Ford inventou.

IHU On-Line - E como podemos trazer esse exemplo para hoje?
Glauco Arbix - Um exemplo da era informatizada: uma empresa como a Apple, que é uma das empresas mais inovadoras do mundo, fez o Ipod e o NanoPod que foram um sucesso estrondoso, que é objeto de desejo de uma parcela gigantesca da juventude, todo mundo quer um aparelho desses, só que tem um problema: A Apple Steve Jobs e seu Iphone não foi a primeira, não foi a segunda a fazer esse tipo de produto.

Ela entrou bem depois no mercado e não foi a inventora do MP3, nem do aparelho que lê arquivos MP3. Eu acompanhei uma palestra do presidente da Apple, Steve Jobs, uma personalidade muito forte e polêmica, e o que vou repetir eu escutei dele:

“Vocês pensam que a Apple inventou esse display do Ipod? Não! Isso foi desenvolvido, em grande parte, pela Secretaria da Energia dos Estados Unidos. Vocês pensam que a Apple inventou a bateria de lítio, que dá uma durabilidade de capacidade de desenvolver as músicas? Isso não é verdade. Quem desenvolveu isso foi o Ministério da Defesa. Então, o que a Apple fez? Ela combinou um conhecimento já dado de uma forma inteligente”.

Essa última frase é muito marcante, porque ela é bastante elucidativa para o Brasil. Enquanto ficamos sonhando com essa ou aquela invenção, deixamos de incentivar milhares de avanços e inovações. Enganam-se aqueles que acham que desenvolver pequenas mudanças não é uma atividade nobre.

Vou radicalizar no exemplo: uma inovação menor, vamos chamar assim, é aquela que não é de ruptura para o mundo, é quando uma empresa brasileira consegue “tropicalizar” um produto ou uma ideia que já existe fora. Ela não inventou nada, porém adaptou, mostrou, acomodou, fez adequações às realidades brasileiras, arriscou, fez diferente. A empresa está copiando? Praticamente, mas copiar é fácil? Nem um pouco!

Poucas áreas da economia brasileira trabalham na fronteira do conhecimento. Nós somos um país que ainda tem um longo caminho a percorrer no campo das ciências, da tecnologia, dos sistemas de produção. Agora, se nós acharmos que tudo o que precisamos de inovação só vai ser dirigido e orientado por um grupo seleto e restrito de empresas, estaremos julgando a esmagadora maioria das empresas do país que querem e se dispõem a evoluir.

Essa discussão sobre inovação e imitação tem um impacto muito forte para a universidade brasileira, para o conjunto das empresas, associações de empresários e, fundamentalmente, para as políticas públicas.

IHU On-Line – Qual é a contribuição das universidades nesse sentido?
Glauco Arbix – As universidades brasileiras vêm de uma tradição muito forte na área da pesquisa, e temos pesquisas de qualidade no país. Mas, ao mesmo tempo, podemos e devemos avançar muito mais no que diz respeito ao relacionamento e sintonia com os esforços que o país vem fazendo para se desenvolver.

Não tem nada a ver com quebrar a ideia da autonomia. A universidade tem que ser autônoma, o conhecimento tem que se basear na curiosidade, na intuição e disposição do pesquisador. Tudo isso é chave para descobrirmos novos caminhos e gerar novos conhecimentos.

Mas isso em absoluto está em contradição com o esforço para trabalhar em conjunto com os agentes econômicos públicos e privados para que eles se capacitem mais e consigam absorver mais o conhecimento para, exatamente, produzir mais e melhor. O grande beneficiário disso será a população. A universidade precisa entrar em sintonia com a economia, sem abandonar a sua pauta de pesquisa e o seu ritmo.

IHU On-Line – A partir dessa ideia de “imitar e inovar”, como o senhor situaria a propriedade intelectual?
Glauco Arbix – A propriedade intelectual é um regime que permite você preservar, por um determinado período, um certo monopólio de uma ideia brilhante que se teve. A ideia básica daquelas que estão ligadas à propriedade intelectual é a seguinte: eu invisto e, por um período, tenho que me beneficiar e obter vantagens a partir do reconhecimento daquilo que produzi.

Quando se discute a propriedade intelectual, o que está em jogo é que a partir de um certo momento quem apresentou um produto ou um processo ou um serviço e conseguiu trazer a luz um bem com características novas para o mercado, economia e para a vida está conferindo uma série de vantagens por um espaço de tempo. Depois disso, o monopólio passa a ser de domínio público.

Quando falamos num processo de imitação e inovação, devemos entender que ao imitar, podemos simultaneamente inovar, fazer diferente. Não estou falando da cópia vulgar, a cópia significa se basear num processo que já está dado e faz acontecer de tal forma que algo de novo surge.

IHU On-Line – O senhor acha que a economia do conhecimento pode gerar uma nova divisão do trabalho?
Glauco Arbix – Aquilo que é chamado de economia do conhecimento pode ter várias interpretações. Tomando uma dela, isso é, a ideia de que estamos caminhando para uma sociedade em que o conhecimento cada vez faz mais parte dos processos de produção e dos serviços, é evidente que vamos ter uma relação completamente diferente no mundo do trabalho e no lugar em que os países e economias ocupam no conceito das relações.

Se não avançarmos da imitação para a inovação, não elevarmos nosso padrão de qualidade educacional da população, vamos estar muito mal nesse novo momento. Esse novo momento significa que os países que avançaram mais vão ocupar um lugar completamente distinto dos outros. Com isso, teremos uma nova divisão do trabalho. Estaremos, portanto, mais uma vez jogados para a periferia.

Como não é isso que está ocorrendo, os países em desenvolvimento tem se expressado de uma maneira distinta, nós estamos tendo a possibilidade de quebrar essa ideia de periferia que sempre nos marcou e, realmente, abrir uma era nova. Nesse sentido, os trabalhadores mais qualificados vão ter mais possibilidade de ocupar melhor o cenário do mundo da economia do conhecimento.

Desse ponto de vista, é possível que tenhamos um reordenamento, interno e externo, dos países, das economias, das pessoas, dos grupos novos sociais que emergem para ocupar um lugar diferente e melhor.
Fonte: Envolverde/IHU On-Line

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Agora reflitam sobre como podemos usar esse conceito de imitação-inovação para desenvolvermos novas soluções em Design para o Brasil. Em breve, apresentaremos aqui um novo canal para discutirmos essas relações, ideias e soluções.

domingo, 1 de agosto de 2010

Série Especial - It's Music! (13): Precious and Few

Olá, queridos leitores!

Estamos de volta com a nossa programação normal, depois de cerca de um mês de recesso, onde muitas surpresas foram preparadas.

Em nossa coluna dominical de boas músicas, apresento o clássico "Precious and Few", na sua versão original (Lettermen) e na versão top 10 (Climax). De quebra, um videoclip em machinima para vocês curtirem.

Dá corda aí no gramofone, vovó! E pega o vovô prá dar aquela pirueta no salão!!!


Lettermen






Climax





Um filme com a letra, prá você acompanhar:





Machinima by pewmanfustudios

terça-feira, 20 de julho de 2010

Martelo do Archanjo no Twitter!

E eis que estou a piar virtualmente! Agora o blog ganha mais um canal de divulgação e espero tê-los por lá, queridos leitores, a acompanhar minhas traquinagens.

O link é @marteloarchanjo. E vamo que vamo!

Um beijo do anjo!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Dia histórico para o livro digital

Quando eu comecei a falar da revolução do livro digital, há uns dois anos, para variar fui taxado de doidivanas. No ano passado, quando ministrei uma palestra no UniFOA sobre o uso de novas tecnologias para o incentivo à leitura, novamente apresentei um panorama do que já estava acontecendo (veja bem: não estava dando uma de vidente ou futurólogo, apontava o que existia e os rumos que as projeções para os próximos ano, baseadas em fatos e não em achismos) e ali fui melhor compreendido por aqueles que viriam a ser meus alunos e colegas de trabalho.

Eis que então a Amazon.com nos brinda com uma notícia alvissareira: a venda de livros digitais vem superando em até 80% a venda de seus similares físicos, de capa dura, no site da livraria. E com isso, seu Kindle e outros leitores digitais ganham mais notoriedade e impulso. Vejam a notícia a seguir.

Esta segunda-feira (19/07/2010) ficará marcada na história dos livros – se eles continuarem a existir no futuro. A Amazon.com, uma das maiores livrarias dos Estados Unidos, anunciou que nos últimos três meses as vendas de livros para o seu e-reader, o Kindle, superou as vendas de livros de capa dura.

No período, disse a Amazon, foram vendidos 143 livros para Kindle para cada 100 livros de capa dura – incluindo livros em papel que não têm edição para Kindle. O ritmo da mudança é acelerado, segundo a Amazon. Nas últimas quatro semanas as vendas de livros digitais chegaram a 180 para cada 100 exemplares de capa dura.

A Amazon oferece 630 mil títulos para Kindle, uma pequena fração dos milhões de livros vendidos pelo site. Amantes de livros estão de luto pela morte das obras impressas, com seu peso e seu cheiro de mofo e precisam de um choque de realidade, disse Mike Shatzkin, fundador e executivo-chefe da Idea Logical Co., que aconselha editores de livros sobre as mudanças digitais. “Esse foi um dia que viria, que tim de vir”, disse ele.

Shatzkin prevê que dentro de uma década, menos de 25% dos livros vendidos serão versões em papel. A mudança na Amazon é “impressionante quando você considera que vendemos livros de capa dura por 15 anos e Kindle há 33 meses”, disse o presidente da livraria, Jeffrey Bezos, em um comunicado.

Ainda assim, os livros impressos estão longe da extinção. As vendas devem crescer 22% este ano, de acordo com a American Publishers Association. Os dados não incluem os e-books gratuitos para Kindle, do qual existem 1,8 milhão, originalmente publicados antes de 1923 (livros de domínio público porque seus direitos autorais expiraram).

A Amazon não divulgou as vendas de brochuras comparadas com a de e-books, mas elas ainda superam a de livros digitais. A grande surpresa, disse Shatzkin, é que a vendas de e-book suplantaram a de livros de capa dura durante o período em que o Kindle enfrentou uma séria ameaça competitiva.

O iPad, da Apple, que começou a ser vendido em abril, oferece um dispositivo para leitura e tem sua própria loja de livros. Mesmo assim, as vendas do Kindle também cresceram a cada mês durante o trimestre, segundo a Amazon.

A venda de e-books quadruplicou este ano. A Amazon afirmou que suas vendas foram além da taxa de crescimento. Uma das razões é que donos de iPad e outros aparelhos podem comprar livros para Kindle e lê-los em computadores, iPhones, iPads, Blackberrys e telefones com o software Android.

A taxa de crescimento de vendas do Kindle triplicou depois que a Amazon abaixou o preço do aparelho no final de junho para 189 dólares (custava 259 dólares). No mesmo período, a Apple vendeu 3 milhões de iPads.

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Eu sou um dos entusiastas do livro impresso, do cheiro de papel velho et cetera et al. Tenho mesmo esse vínculo emocional com as obras físicas, mas já sei há um bom tempo que rumos as novas tecnologias estão imprimindo no mundo, logo tenho me reposicionado em relação a diversos projetos para ficar o máximo possível na crista da onda, como se dizia na saudosa década de 1960.

E você, querido leitor, como anda a sua visão de mundo? Cartas para a redação!

domingo, 4 de julho de 2010

O chilique do Salomão

Ok, meus queridos leitores, eu sei que o dia da Birinight Oil é no sábado, mas não pude esperar até o próximo para postar esse vídeo aqui, do menino de doze anos que deu um chilique com a derrota do Brasil e já está conquistando uma baita audiência no YouTube.

Eu sempre tive (e ainda tenho!) nojo de gente mimada, não só por serem insuportáveis na fase presente mas também pelos adultos lambões que se tornam, mas o garoto é tão comédia que não pude me furtar a compartilhar com vocês esse acepipe humorístico.

Prá mãe dele, fica uma sugestão: já que é visível que o petiz não foi bem educado, tenha mais atenção daqui prá frente, pois mimado desse jeito ele não vai ser muito bem quisto pelo mundo afora.

Com vocês, o mais patriota de nossos torcedores: Salomão!


sexta-feira, 2 de julho de 2010

Série Especial - O Brasil na Copa 2010 (05): Deu caldo de cana!

E finalmente a seleção capenga do anão com cara de porco espinho misturado com javali desdentado rapou fora, tomando uma "piaba" da Holanda depois de estar ganhando o jogo. Excelente resultado, que recompensa com honestidade um trabalho ruim que vinha sendo realizado, dentro e fora de campo.

Vamos torcer para o Felipão assumir o posto e acertar os ponteiros para o evento vindouro, que vai transformar o país do presente em uma super festa!

Agora é tirar um cochilo para amainar a chateação, torcer amanhã pela Alemanha e esperar a próxima copa, que será no Brasil-il-il!!!

Série Especial - O Brasil na Copa 2010 (04): Brasil X Holanda

E hoje, o escrete do porco espinho com cara de javali desdentado enfrenta a Holanda. Será o confronto Cana de Açúcar contra a Laranja Mecânica, vamos ver se vai rolar caldo de cana ou laranjada.

Que fique registrado para a posteridade e além: até o presente momento, achei esse time uma porcaria! Se ganharmos a Copa, será por uma questão de resultados favoráveis frutos de esquemas táticos que funcionaram, não pelo futebol arte que nos caracteriza no cenário esportivo mundial.

Enfim, desde já aguardo ansiosamente a Copa de 2014, aqui no Brasil-il-il!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Recesso de férias!

Prezados leitores,

A partir desta data, entramos em recesso devido às férias escolares de meio de ano. Nesse ínterim, vou preparar novas matérias para o nosso retorno, em agosto.

Para não deixar vocês sem atrações no decorrer do período, farei postagens extras eventualmente, principalmente sobre o NDesign 2010 (em Curitiba) e sempre que a seleção brasileira jogar nesta Copa do Mundo. Vamos torcer para atingir o pódio e trazer o Hexa para casa, se bem que eu preferia que fossemos vencedores aqui, na Copa de 2014.

Muito obrigado pela sua audiência e um beijo do anjo!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Série Especial - O Mundo do Futuro, hoje (15): Os computadores começam a entender a Arte!


Aproveitando o post de ontem, sobre o blog "Espaço Imoral", dedicado às Artes, encerramos hoje o ciclo de postagens deste primeiro semestre de 2010 com uma inovação relacionada e que muito deverá nos ajudar nos anos vindouros.
Os computadores começam a entender a arte
Os computadores já podem detectar com precisão a composição de cores de uma imagem e fazer algumas medições estéticas - alguns pesquisadores já afirmam ter programas capazes de detectar padrões de beleza feminina.

Mas será que os computadores já são capazes de compreender a arte e diferenciar uma pintura artisticamente relevante de um monte de rabiscos de um pintor principiante?
Uma equipe de pesquisadores espanhóis e alemães afirma estar a caminho disso. Eles desenvolveram algoritmos matemáticos que podem tirar conclusões sobre o estilo artístico de uma pintura.
"Nunca será possível determinar matematicamente com precisão um período artístico e nem a reação humana a uma obra de arte, mas nós podemos detectar tendências," explica Miquel Feixas, um dos autores do estudo, publicado na revista Computers and Graphics.
Os pesquisadores da Universidade de Girona e do Instituto Max Planck demonstraram que determinados algoritmos de visão artificial permitem que um computador seja programado para "entender" uma imagem e diferenciar entre estilos artísticos com base em informações pictóricas de baixo nível.

Informações pictóricas de baixo nível incluem aspectos como a densidade das pinceladas, o tipo de tinta e de tela e a composição da paleta de cores. O estudo mostra que o cálculo da "ordem" da imagem - a análise dos pixels e da distribuição de cores, assim como da composição e da diversidade de cores - pode representar determinadas medições estéticas.
Não é o suficiente para enquadrar automaticamente uma pintura em um determinado período histórico, mas é o bastante para auxiliar em programas de computador dedicados à análise, classificação e busca em bancos de dados de imagens e coleções digitalizadas de museus.
Os pesquisadores vão partir agora para desenvolver programas especialistas nesse tipo de busca e em sistemas para uso em quiosques interativos, auxiliando os usuários de museus e galerias de arte.

O ser humano usa também informações de médio e de alto níveis para compreender a arte.
As informações de nível intermediário diferenciam entre determinados objetos e cenas que aparecem em uma imagem, bem como como o tipo de pintura (paisagem, retrato, natureza morta etc.). Informações de alto nível levam em conta o contexto histórico e o conhecimento que se detém sobre os artistas e as tendências artísticas.
Os primeiros trabalhos que procuravam sistematizar a compreensão da arte, foram feitos em 1933, quando o matemático George D. Birkhoff tentou formalizar a noção de beleza por meio de uma medição estética definida como a relação entre a ordem e a complexidade.
Depois disso, o filósofo Max Bense converteu essa noção em uma medida de informação baseada na entropia (desordem ou diversidade). Segundo ele, o processo criativo é um processo seletivo ( "criar é selecionar") dentro de uma gama de elementos (uma paleta de cores, sons, fonemas, etc.).

Segundo Bense, o processo criativo pode ser visto como um canal para a transmissão de informações entre a paleta de cores e o artista e os objetos ou características de uma imagem. Este conceito é largamente utilizado para analisar a composição e a atenção visual - o destaque ou a projeção - de uma pintura.
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E aí, será que vão inventar algo para avaliar um bom Design também? Cartas para a redação!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Espaço Imoral

Ok, ok, eu sei que o nome suscita pensamentos picantes, mas batiza um espaço dedicado às Artes, recomendado pela minha querida amiga Adriana Almeida, da Rede RPG, e que recebe hoje um post de boas vindas aqui do blog, além de ter sido incluído na seleta lista de "Blogs High Level".

O endereço para o lugar de traquinagens artísticas é http://bronx1985.wordpress.com/.

Já que amanhã estaremos encerrando o ciclo de postagens desse primeiro semestre de 2010, nada melhor do que apontar para vocês algo que terá uma relação bastante estreita com as nossas atividades do segundo semeste, após o recesso de férias.

Aproveitem sem moderação!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Série Especial - Brasil, o País do Presente (17): Tecnologia brasileira captura moléculas de CO2 e gera produtos


Ok, eu sei que hoje tem jogo da seleção, conforme já conversamos em outro post. Mas dada a atuação pífia do escrete canarinho (essa é velha!) e para dar continuidade a esta série que mostra quanta coisa fantástica está ocorrendo aqui no Brasil, eis mais um post para vocês. Aproveitem sem moderação!

Tecnologia brasileira captura moléculas de CO2 e gera produtos
Uma tecnologia de baixo custo, desenvolvida no Brasil, permite capturar moléculas de gás carbônico e, além de impedir que elas sejam lançadas na atmosfera pelas indústrias, transforma a poluição em potencial em insumos com valor de mercado.
O dispositivo central da tecnologia tem a marca da simplicidade. Ele é formado por pequenas esferas cerâmicas, de cor branca e medindo menos de meio centímetro de diâmetro. Quando colocadas nos sistemas de exaustão das indústrias, essas esferas são capazes de absorver até 40% do dióxido de carbono (CO2) expelido pelas chaminés.
A tecnologia, desenvolvida na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) já está sendo transferida para a iniciativa privada, para início de comercialização. A implantação ainda irá exigir estudos de engenharia para cada tipo de indústria onde a tecnologia será implantada.
Outro item de destaque é que a pesquisa levou apenas dois anos, do seu início até a fase de transferência de tecnologia para o setor privado, abrindo novas perspectivas em um campo considerado bastante complexo em todo o mundo.

O CO2 - um dos gases responsáveis pelo efeito estufa - desafia cientistas em busca de uma solução eficiente e viável economicamente para capturá-lo e armazená-lo. "Realizamos investigações exaustivas em relação ao CO2. Diversas fábricas utilizam filtros que retêm material particulado, mas não evitam o lançamento do dióxido de carbono.
Outras tecnologias, como injetar o gás para extrair petróleo, enterrando-o nos poços vazios, e a produção de uma "árvore artificial" que absorva CO2, são consideradas de custo elevado", observa o professor Jadson Cláudio Belchior, do Departamento de Química da UFMG e um dos autores do projeto, junto com Geraldo de Lima, também professor do mesmo Departamento.
Eles estimam que a nova tecnologia, além de abrir oportunidades econômicas no mercado de créditos de carbono, poderá propiciar lucro até dez vezes superior ao valor investido na preparação da cerâmica - e isso para apenas um dos insumos gerados no processo de reciclagem.

O estudo dos pesquisadores da UFMG baseia-se na fixação do gás carbônico por meio das esferas cerâmicas. Instaladas no sistema de exaustão das indústrias, elas interagem, por processo químico e em altas temperaturas, com o dióxido de carbono. "Ao entrarem em contato com esse material, as moléculas são capturadas por meio de reações químicas no estado sólido", explica Jadson Belchior. Ele compara as esferas com uma mala carregada de CO2. Tão logo fiquem saturadas, elas sofrem outro processo, responsável por extrair o CO2 absorvido. A composição das esferas é mantida em sigilo.
De acordo com os professores, um dos diferenciais da tecnologia é permitir o reaproveitamento das esferas e das moléculas sequestradas. Experimentos iniciais em laboratório indicam que o material pode ser reutilizado até dez vezes. Quanto ao CO2, ele se torna insumo para a panificação ou para uma série de compostos orgânicos nas indústrias de plásticos, cerâmica, têxteis e química; e na fabricação de inseticidas, corretivos de solos, papel e sabão.

A aparente simplicidade da tecnologia desenvolvida necessitou, no entanto, de certa "coragem" dos autores em descerrar o que eles denominam mitos da literatura científica. "Todos os registros indicavam que o material que utilizamos, submetido a uma determinada temperatura, não seria efetivo para absorver CO2", relata Geraldo Lima. No entanto, com equipamentos mais modernos e sofisticados, foi possível refinar os resultados e verificar os erros. "Investigamos as melhores composições de materiais absorvedores que seriam adequadas às faixas de temperatura estudadas", acrescenta o professor.
Um dos desafios para aumentar a capacidade de fixação do dióxido de carbono nas esferas consiste em torná-las resistentes e, ao mesmo tempo, porosas o suficiente para permitir uma maior penetração do CO2 em sua estrutura. Isso significa que, se o processo de compactação das esferas não for adequado, a absorção ficará restrita à sua superfície.
Conforme explicam os pesquisadores, o problema tem sido contornado utilizando-se agentes expansores, cuja função é gerar poros no interior da estrutura das bolinhas cerâmicas.
Novos estudos pretendem aumentar a eficiência de absorção em até 60%. "Devido à complexidade dessa fase do projeto, necessitamos ampliar a equipe com pessoal qualificado - pós-doutores, técnicos e alunos de pós-graduação - para garantir os resultados esperados", ressalta Geraldo Lima.

A proposta do trabalho surgiu por iniciativa do empresário André Santos de Rosa, interessado em investir em tecnologias produzidas por universidades. "O mundo está atrás de conhecimento para captura de carbono e essa tecnologia apresenta uma das soluções para o problema do aquecimento global", diz ele. Sua empresa, a Amatech, financiou a primeira etapa do projeto.
A patente nacional para o dispositivo foi depositada em março deste ano, por meio da Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT) da UFMG. Nessa primeira fase, a titularidade é dividida entre a Universidade e a Amatech. O próximo passo do projeto é aumentar a capacidade de absorção da cerâmica e desenvolver novos insumos a partir do gás - etapa que também será apoiada pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes) e pela Fapemig.

Série Especial - Brasil na Copa 2010 (04): Brasil X Chile

E lá vamos nós de novo!

Depois daquele jogo porcaria na última sexta, que me obrigou a acordar de madrugada para poder assistir, chegamos às oitavas de final e vamos encarar o Chile. Se ganharmos, me esbaldarei num destes locais de manifestações públicas, caso contrário ficarei em casa rindo da cara do Dunga (o que é difícil, pois o cara além de feio tem um jeito prá lá de antipático).

Se o pior acontecer, teremos também o tão esperado "Calaboca Galvão!" melhor implementado, visto que quase ninguém vai querer assistir aos demais jogos e o chato verbo-besteirágico vai ficar falando suas asneiras sem a repercussão atual.

Dá-lhe, Jabulâââââni!

domingo, 27 de junho de 2010

Série Especial - It's Music! (12): To sir with love

Estamos chegando ao final deste período letivo, que para mim foi muito prazeroso. Então, para homenagear os meus queridos alunos, com quem tanto me divirto e cresço junto, deixo essa "homenagem invertida", mas do fundo do coração. Amo vocês!





Aqui, o trecho do filme, do qual sou fã desde criança:




E para terminar, os créditos de encerramento do filme "Ao Mestre com Carinho" (To Sir with Love):



Sou um cara afortunado, pois na minha formação acadêmica tive vários mestres de quem sempre me lembro e reverencio com carinho, tomando-os como exemplo para um dia, quem sabe, poder estar no mesmo nível. A vocês, meus eternos e queridos mestres, o meu muito obrigado!

E a vocês, meus queridos alunos, o meu muito obrigado também e um beijo do anjo!

Agora é curtir a Copa do Mundo, as férias, o NDesign em Curitiba e voltar cheio de vapor para o segundo semestre de 2010!

sábado, 26 de junho de 2010

Série Especial - Birinight Oil (13): Chico Xavier, o maior ghost writer da história



Chico Xavier, o maior ghost writer da história
Chico Xavier nasceu numa cidadezinha no interior de Minas Gerais e desde pequeno começou a ver fantasmas porque a TV de sua casa tinha uma imagem horrível. Um dia, Chico viu sua mãe com outro homem, mas ela garantiu que não tinha ninguém na sala. Quando o pequeno Chico contou ao pai o que tinha visto, sua mãe assegurou que Chico andava vendo coisas.

A verdade é que Chico via mesmo pessoas que não existem. Certa vez o garoto afirmou ter visto um político honesto e, evidentemente, ninguém acreditou.

O menino Chico estudou apenas até o Ensino Fundamental e não fez o Ensino Médium. Com o tempo, Chico continuou a ter visões. No início, via apenas vultos. Quando sua mediunidade melhorando, os fantasmas foram ficando cada vez mais nítidos, até que ele passou a ver espíritos em Full HD. Chico cresceu e virou uma espécie de Paulo Coelho: é autor de muitos Best Sellers, mesmo sem saber escrever.

Chico recebia pombas-giras, tranca-ruas e uma série de outros espíritos. Era um trabalho extenuante. Quando o espírito de um preto-velho o pegava , Chico ficava com muitas dores nas costas. Ganhou fama internacional. Antes de virar filme, Chico Xavier trabalhou na indústria cinematográfica. Destacou-se como o autor de Ghost, do outro lado do mundo, e Gasparzinho, o fantasma camarada.
Além do cinema, Chico também fez sucesso na música e compôs “Cálice”, “Vitrines” e outros sucessos. Prestou grande serviço ao público, identificando funcionários-fantasma em Brasília. Foi grande amigo de Alan Kardec, que jogou pelo Vasco da Gama.

Polêmico, Chico foi o grande nome do espiritismo no país, religião que hoje está decadência, já que por aqui o espiritismo de porco é o que reina. Mas sua grande marca é pouco conhecida. Como lembra o jornalista Maurício Meireles, Chico foi um visionário. Ele foi o inventor dos óculos 3D.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Série Especial - Brasil na Copa 2010 (3): Brasil X Portugal

E hoje vamos encarar os lusos! Mais uma vez antecipo a postagem do blog devido ao horário da peleja, que será às 11 horas pelo horário de Brasília. Apesar de já estarmos classificados para as oitavas de final, não tenho a menor confiança no time do gaúcho-porco-espinho-anão (ou será outra combinação de elogios?), vamos ver no que vai dar.

Saboreando um caldo verde, vou acompanhar o corre-corre-atrás-da-bola e torcer pela seleção canarinho, apesar do carinho com os portugueses, povo supimpa a quem muito admiro, principalmente pela sua inserção acadêmica no campo da realidade virtual.

E vamo que vamo, ó pá!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Jogo gratuito para celular é melhor que correr na esteira, diz cientista


Jogo gratuito para celular é melhor que correr na esteira
Walk n' Play é o nome de um novo jogo de exercícios desenvolvido por cientistas da Universidade de Houston (EUA) e que ajuda a contar quantas calorias você queimou em um determinado dia.
O jogo foi desenvolvido para o celular iPhone, é gratuito, e já está disponível no App Store, da Apple. Ele permite que um usuário compita com outro usuário ou contra um simulador e vai mostrando as calorias queimadas de acordo com o andamento do jogo.
"Você simplesmente mantém o iPhone preso ao seu pulso ou o leva no bolso conforme você faz normalmente e ele grava cada pequeno movimento que você faz - seja andar ou subir uma escada - e traduz isto em calorias queimadas," diz o professor Ioannis Pavlidis. "O jogo funciona em um ciclo de 24 horas e condensa tudo diariamente."

Já existem equipamentos de acompanhamento de exercícios, conhecidos como pedômetros. Estes, contudo, medem apenas passos. Mas calorias são unidades metabólicas que são a melhor forma de mensurar uma atividade física.
Por exemplo, um passo dado por uma pessoa de 100 quilogramas é muito diferente de um passo dado por uma pessoa que pese apenas 60 quilogramas - gasta-se muito mais energia para mover uma massa maior.
O jogo também tem vantagens sobre as tradicionais esteiras, que medem a atividade de um indivíduo confinado no espaço e no tempo. O Walk n' Play permite usar o mundo como uma esteira, afirma Pavlidis, oferecendo uma contagem de calorias muito mais precisa.
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Bem, penso que com isso o tempo dos gamers banhudos e baleiescos está para acabar, substituído por jogadores mais sarados... rs

terça-feira, 22 de junho de 2010

Série Especial - A Dimensão Humana (11): Postura corporal afeta sua confiança em seus próprios pensamentos


Postura corporal afeta sua confiança em seus próprios pensamentos
Sentar-se corretamente não é bom apenas para a sua coluna - uma boa postura também lhe dá mais confiança em suas próprias ideias e pensamentos. Pesquisadores descobriram que as pessoas que foram orientadas a sentar-se corretamente durante uma pesquisa apresentaram uma probabilidade maior de acreditar naquilo que escreviam sobre si mesmas quando se candidatavam a um emprego.
Por outro lado, os voluntários que se debruçavam sobre as mesas eram menos propensos a acreditar naquilo que estavam escrevendo sobre suas próprias qualificações.
Boa impressão sobre si mesmo
Os resultados mostram como uma boa postura pode afetar não apenas o que os outros pensam sobre nós, mas também como nós pensamos sobre nós mesmos, segundo Richard Petty, psicólogo da Universidade do Estado de Ohio (EUA), coautor da pesquisa.

"A maioria de nós acredita que sentar-se corretamente passa uma boa impressão sobre nós mesmos para as outras pessoas," diz Petty. "Mas acontece que uma boa postura também afeta como nós pensamos sobre nós mesmos. Se você se senta corretamente, acaba convencendo a si mesmo do que está pensando."
A pesquisa, publicada no European Journal of Social Psychology, incluiu 71 estudantes. Eles foram divididos em dois grupos, sendo dito que participavam de estudos separados, um para a escola de artes e outro para a escola de negócios. Desta forma, o pedido para a postura correta do grupo que pretensamente participava do estudo de artes não induziu o comportamento do outro grupo.

A avaliação dos estudantes sobre si mesmos como futuros profissionais dependeu diretamente da postura que eles assumiram enquanto escreviam características positivas e negativas sobre seu pretenso desempenho profissional.
Os estudantes que se sentaram corretamente mostraram-se muito mais propensos a avaliar a si mesmos segundo as características que escreviam. Em outras palavras, quando escreviam características positivas sobre si mesmos, eles davam notas mais altas para si próprios; quando escreviam características negativas, eles se davam notas mais baixas.
"Sua postura correta e confiante lhes dá mais confiança em seus próprios pensamentos, sejam eles positivos ou negativos," interpreta o Dr. Petty. Já para os estudantes com postura "mais largada", a autoavaliação não diferiu largamente quando tratavam dos aspectos negativos ou positivos.

O resultado final é que, quando os estudantes escreviam coisas positivas sobre si mesmos, eles se davam notas mais altas quando estavam sentados corretamente porque a postura correta lhes dava mais confiança em seus pensamentos positivos.
Entretanto, quando os estudantes escreviam coisas negativas sobre si mesmos, eles davam notas mais baixas para si mesmos quando estavam sentados corretamente porque a postura correta lhes dava mais confiança em seus pensamentos negativos.
"Sentar-se corretamente é algo que você pode treinar, o que lhe trará benefícios psicológicos - desde que você geralmente tenha pensamentos positivos," recomenda o pesquisador.
Por exemplo, em testes de múltipla escolha, os estudantes geralmente saem-se melhor quando permanecem com sua primeira escolha, principalmente quando têm alguma dúvida sobre a matéria. "Se um estudante está sentado corretamente, ele tenderá a acreditar mais em sua primeira resposta. Mas, se ele fica debruçado, poderá mudar a resposta a acabar não se saindo tão bem," diz Petty.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Série Especial - Brasil, o País do Presente (16): Identificador de cores para deficientes visuais


Aparelho identifica e fala cores para deficientes visuais
Um identificador de cores para deficientes visuais, desenvolvido por pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) da USP, foi finalista da competição internacional Unreasonable Finalists Marketplace.

Batizado de Auire, o aparelho é portátil e serve para identificar cores de objetos e notas de dinheiro. Por meio de leitura óptica, o Auire literalmente "fala" o nome da cor do objeto analisado. O projeto foi desenvolvido pelos engenheiros de computação Fernando de Oliveira Gil e Nathalia Sautchuk Patrício.

O aparelho consiste em uma caixa que faz uma leitura óptica do objeto e identifica as três cores básicas: azul, verde e vermelho, por meio de três sensores, um para cada cor. Baseado nessas componentes, ele identifica a cor que mais se aproxima do objeto analisado, e vocaliza o nome da cor.
"No caso do dinheiro, as notas do Brasil utilizam cores diferentes. Então, o aparelho utiliza a cor para identificar as notas. Por exemplo, se o aparelho lê uma cor vermelha, trata-se de uma nota de 10 reais; o rosa, 5 reais e assim por diante", explica o engenheiro. "Não conseguimos ainda diferenciar com segurança as notas de 2 e 100 reais, ainda serão necessários alguns ajustes", completa.
O protótipo precisa ser conectado a um computador, que processa os dados através de um software. "Nossa ideia é introduzir o software dentro do aparelho e torná-lo autônomo, ou seja, que processe os dados sem utilizar um computador", explica Gil.

O público-alvo são os deficientes visuais, tanto os completamente cegos quanto os daltônicos, principalmente aqueles de baixa renda. "Para baixar os custos do aparelho, vamos utilizar uma eletrônica mais simplificada, com componentes disponíveis no mercado, além de uma arquitetura aberta de software livre. Queremos que o Auire possa ser reproduzido por quem possui os componentes e alguns conhecimentos de eletrônica", explica.

A competição da qual o Auire tornou-se finalistas é organizada pelo Unreasonable Institute e premiará projetos sociais de grande impacto. O objetivo é buscar empreendedores sociais que desenvolvam planos de iniciativas autossustentáveis. Por isso, os projetos têm o formato de empresas e não de entidades sem fins lucrativos.
"Para a competição, montamos um plano de negócios para abrir uma empresa e produzir o identificador com baixo custo", conta Gil. Os pesquisadores pretendem alcançar um custo por aparelho entre R$100,00 e R$200,00. Gil ressalta que existem aparelhos semelhantes no mercado, mas são vendidos aqui no Brasil por cerca de R$1.200,00.

domingo, 20 de junho de 2010

Série Especial - Brasil na Copa 2010 (02): Brasil X Costa do Marfim

Hoje, temos os segundo jogo da seleção. Acabei não atualizando o post anterior por absoluta falta de estímulo, visto que o desempenho do time foi ridículo. Torçamos para que hoje seja diferente e a seleção do anão-zangado-chamado-Dunga-com-cabelo-de-porco-espinho faça bonito e não tome um sacode dos "costamarfinenses".

E vamo que vamo! Brasil-il-il!!!

Série Especial - It's Music! (11): Lollipop

Ah, essa música me lembra duas coisas em especial: noites de sábado fundindo miniaturas em 1990 e a Rádio Antena Um, hoje extinta, a qual eu ouvia durante o trampo, na casa do meu amigo Mauro. Para homenagear aquela que tantos embalos musicais nos presenteou, criei para o meu cenário de ficção - o Fantapunk - a Rádio Antena Zero, a Voz da Resistência, preferida de 11 entre 10 aventureiros da Legião Combatente.

Mas vamos ao petardo musical da semana, do grupo Chordettes. Moedinha na máquina, please!




Com o famoso Gary Miller:




Nessa versão da Web 2.0, destaco a participação da Thaiane (à direita do vídeo), minha aluna de Design, afinadíssima na canção como é nos trabalhos:



Essa foi numa formatura de Design, onde eu, Belmonte, Moacyr, Gorni e Marcos Braga fomos homenageados. O que pegou foi a beca vermelha, que dava a impressão do alto clero sentado na mesa enquanto que os formandos cantavam ao fundo, sob a batuta do Manoel.

Destaque para o Belmonte, no centro, como nosso decano, usando um colar cerimonial. Eu estou à direita enquanto que do outro lado temos o Moa, o Gorni e o Braga, no canto oposto.

Linda homenagem das meninas, embora eu não tenha entendido muito bem o trocadilho com "pirulito". Talvez uma alusão às nossas roupas cerimoniais...




E no mundo virtual, com a inigualável (ou quase) Lisa Mercedes:




Aqui, a versão guloseima:



E prá encerrar, Os Simpsons!



O Ministério da Saúde adverte: chupar muito pirulito pode fazer mal aos dentes, ao bolso e incentivar o desenvolvimento do diabetes. Use com moderação.

sábado, 19 de junho de 2010

Série Especial - Birinight Oil (12): Protesto no Movimento das Sem-Teta


Movimento das Sem-Teta pede Bolsa Silicone
Cerca de quinhentas mulheres do Movimento das Sem-Teta invadiram na manhã de hoje o prédio do Supremo Tribunal Federal para protestar contra a falta de recursos para implantes de silicone nos hospitais públicos do país.
As manifestantes, todas consumidoras de sutiãs tamanho 36 e 38, acreditam que é dever do estado tornar as cidadãs do país igualmente desejáveis aos olhos masculinos. "Por que só as modelos, atrizes famosas e mulheres endinheiradas podem aumentar os seios? Sou pobre, mas também preciso de um homem pra chamar de meu", afirma Gislaine Peireira, coordenadora do ato batizado de "Quem não chora não tem mama".

As manifestantes exigem que o governo crie a Bolsa Silicone, uma ajuda a quem quer fazer o implante mas não tem recursos. Enquanto a verba oficial não vem, iniciativas particulares tentam fazer justiça.
Madrinha da campanha e dona de próteses nos seios, no bumbum e nas panturrilhas, a socialite Carminha Bittencourt está criando a ONG das Sem-Teta. A organização vai arrecadas recursos para os implantes de moças das comunidades carentes do Rio de Janeiro. "Queremos atuar em todo o Brasil, mas começaremos pelo Rio porque é a cidade onde seios grandes são necessidade básica, por causa do calor e das praias", diz.
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Claro que vocês entenderam que isso não passa de uma chacota, mas façam uma correlação com as "bolsas esmola" e o desempenho quase terrorista dos sem terra, sem teto et cetera e depois me digam quais foram as suas conclusões.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Série Especial - O Outro Mundo (17): A Caverna de Platão no Second Life

Recentemente, estive com o Professor João Mattar em uma estrutura que replica o mito da caverna, de nosso querido Platão. Se estiverem pelo Second Life, deem uma olhada. Maiores informações no link abaixo:


http://www.academiccommons.org/commons/essay/plato-cave-second-life

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Série Especial - O Mundo do Futuro, hoje (14): IBM cria o menor mapa 3D do mundo




IBM cria o menor mapa 3D do mundo
Um grupo de cientistas da IBM criou um mapa-múndi 3D tão pequeno quanto um grão de sal. Um outro mapa 3D de uma montanha dos Alpes é tão pequeno que 1.000 deles juntos caberiam em um único grão de sal.

O feito foi possível graças a uma nova técnica que utiliza uma ponta de silício 100.000 vezes mais fina do que a ponta afiada de um lápis. Esta ponta é usada para criar padrões e estruturas com dimensões de até 15 nanômetros. Embora isso já fosse possível com outros equipamentos, a nova técnica é mais rápida e mais simples - e por decorrência, muito mais barata.

Esta nova forma de criar estruturas nanométricas vai ajudar o desenvolvimento de objetos em nanoescala úteis em áreas como os MEMS, as nanomáquinas, a optoeletrônica, além de acelerar as pesquisas para o uso da nanotecnologia na medicina e na biotecnologia.

Para demonstrar as capacidades inovadoras da técnica, os cientistas criaram uma série de mapas planos e tridimensionais, usando diferentes materiais. O primeiro é um mapa 3D completo do mundo, medindo apenas 22 micrômetros de largura por 11 micrômetros de altura, esculpido em polímero - o tamanho é equivalente ao tamanho de um grão de sal.

No relevo, cada 1.000 metros de altitude correspondem a cerca de 8 nanômetros. O mapa é formado por 500.000 "pixels", cada um medindo 20 nanômetros quadrados, menos da metade do tamanho dos transistores dos processadores mais modernos.

O mapa tridimensional inteiro foi construído em apenas 2 minutos e 23 segundos, um "instantâneo" em comparação com as técnicas de manipulação disponíveis até agora.

O segundo mapa é uma réplica 3D do Matterhorn, uma famosa montanha dos Alpes suíços, com 4.478 metros de altitude. Criado em vidro molecular, o nanomapa representa uma escala de 1:5 bilhões.

O componente central da nova técnica, desenvolvida no laboratório da IBM em Zurique, na Suíça, é uma pequena ponta de silício muito afiada, com 500 nanômetros de comprimento e apenas alguns nanômetros na sua extremidade.

A ponta, semelhante às utilizadas em microscópios de força atômica, é acoplada a uma viga flexível que varre de forma controlada a superfície do substrato com a precisão de um nanômetro - um milionésimo de milímetro.

Aplicando calor e força, a ponta nanométrica consegue remover material de um substrato com base em padrões predefinidos, funcionando assim como uma fresa em nanoescala, controlada por computador e com precisão extremamente alta.

Da mesma forma que as fresas tradicionais, pode-se retirar mais material modulando a força aplicada na ferramenta, resultando em estruturas 3D com precisão nanométrica. Para criar a réplica 3D do Matterhorn, por exemplo, 120 camadas de material foram removidas sucessivamente do substrato de vidro molecular.

"Os avanços em nanotecnologia estão intimamente ligados à existência de métodos e ferramentas de alta qualidade para a produção de padrões e objetos em nanoescala sobre diferentes superfícies," explica o Dr. Armin Knoll. "Com sua larga funcionalidade e capacidade única de modelação 3D, esta técnica de padronização baseada em uma nanoponta é uma poderosa ferramenta para a criação de estruturas muito pequenas."
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Puxando a tilápia prá minha brasa, ao molho de manteiga com ervas finas, imaginem o que poderemos fazer muito em breve, em termos de criação e armazenamento de mundos virtuais persistentes. Podemos criar um ambiente titânico e armazená-lo em uma moeda de um centavo. Se avançarmos a banda de transmissão e a capacidade de processamento, é praticamente impossível precisar um limite para tais aplicações...
Que venha o futuro!!!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Série Especial - Brasil na Copa 2010 (01): Brasil estréia na Copa do Mundo!

Hoje, a seleção brasileira fará a sua estréia na Copa do Mundo de Futebol, na África do Sul. É fato que o país vai parar e assistir à partida, como de praxe. Comigo não será diferente e torcerei por uma boa diversão.

Do outro lado da linha, a atômica e neurastênica Coréia do Norte. Que vengam las bombas!

O jogo começa daqui a pouco, às 15:30 no horário de Brasília. Mais tarde, após a peleja, atualizarei o blog com o resultado, que espero nos seja positivo.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Série Especial - Brasil, o País do Presente (15): Nanoarte






Ciência e arte: veja as belezas reveladas pela nanotecnologia
Objetos um milhão de vezes menores do que um milímetro podem ser difíceis de se ver, mas certamente têm sua beleza. E, por serem capazes de exibir as imagens desse universo minúsculo, os cientistas envolvidos com nanotecnologia têm-se tornado verdadeiros artistas.
É o que comprovou a Mostra Internacional On-line Nanoarte 2009-2010, com a participação destacada de um grupo de pesquisadores brasileiros.

Organizada pelo cientista - e artista - Cris Orfescu, professor da Universidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, a exposição competitiva contou com 150 imagens, das quais 15 foram produzidas por pesquisadores brasileiros.
Os cientistas-fotógrafos são ligados ao Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC) e ao Instituto Nacional de Ciência dos Materiais em Nanotecnologia (INCTMN).

De acordo com Elson Longo, professor do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador do CMDMC e do INCTMN, a exposição, que está em sua quarta edição, tem 42 participantes provenientes do Brasil, Alemanha, Canadá, Itália, Romênia, Holanda, Eslovênia, Filipinas e México. As imagens são feitas com microscópios de varredura de alta resolução, inicialmente em preto e branco. Depois elas são coloridas em um programa de computador. São tão fantásticas que o resultado são verdadeiras obras de arte. Algumas dessas fotos chegam a ser vendidas por até US$ 15 mil.
Segundo o professor, a nanoarte não se limita a uma diversão para cientistas. A exibição das imagens tem grande apelo junto ao público, o que proporciona uma popularização da ciência. Além disso, ela pode se transformar em uma verdadeira área de investigação na qual convergem arte, ciência e tecnologia. A utilização de ferramentas como a microscopia de força atômica para produzir essas imagens é capaz de revelar segredos dos sistemas complexos, auxiliando a compreender a origem de propriedades químicas e físicas dos materiais. Esse é o primeiro passo para o controle dessas propriedades, que conduzirá a aplicações inovadoras.

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